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Enciclopédia Itaú Cultural de Teatro
Nunes, Celso (1941)

Biografia

Celso Nunes (São Paulo SP 1941). Diretor. Destacado encenador, atua em muitas companhias importantes e está vinculado a espetáculos marcantes das décadas de 70 e 80.

Cursa a Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo, EAD/USP, pela qual forma-se ator em 1965. Como diretor, forma-se pela Sorbonne em 1968. Lá conhece e faz estágios com o diretor polonês Jerzy Grotowski, de quem se torna o introdutor das técnicas no Brasil, em especial nas suas primeiras montagens, Um, Dois, Três de Oliveira Quatro, de Lafayete Galvão, montado em 1969 no Teatro de Arena, e As Bacantes, de Eurípides, com alunos da  EAD/USP, em 1970.

No mesmo ano, dirige O Interrogatório, de Peter Weiss, sobre os processos antinazistas, quando é inaugurado o Theatro Studio São Pedro, empreendimento de Maurício e Beatriz Segall encenação que lhe garante o Prêmio Associação Paulista de Críticos de Arte, APCA. Em 1972 encena A Viagem, adaptação que Carlos Queiroz Telles realiza sobre o poema Os Lusíadas, de Camões, numa grandiosa montagem promovida por Ruth Escobar. A cenografia inspiradora de Hélio Eichbauer muito contribui para o sucesso da empreitada, que reúne quase cinqüenta pessoas em cena.

Para Fernanda Montenegro e Fernando Torres, dirige Seria Cômico...Se Não Fosse Trágico, adaptação realizada por Dürrenmatt sobre um texto de August Strindberg, em 1973, obtendo ótimo resultado. O mesmo se confirma com Coriolano, de William Shakespeare, que conta com Paulo Autran como protagonista, em 1974.

A encenação de Victor, ou As Crianças no Poder, de Roger Vitrac, realizada com formandos da EAD em 1974, faz sucesso: o grupo leva a montagem para uma sala do circuito, e profissionaliza-se como o Pessoal do Victor, e Celso Nunes leva novo Prêmio APCA de melhor direção. Volta a trabalhar com o elenco em 1977, num ambicioso projeto de transpor para a cena Os Iks, relato do antropólogo Collin Thurnbull sobre uma tribo africana, então adaptada para uma tribo brasileira, que obtém agudo rendimento dos atores. O mesmo ocorre em A Vida É Sonho, de Calderón de la Barca, 1978, cujo excessivo hermetismo do qual se reveste impede uma comunicação mais efetiva com a platéia. Mas esses vínculos entre o grupo de ex-alunos e o mestre se perpetuam. Quando Celso vai para a Unicamp dirigir o departamento de teatro, carrega consigo diversos integrantes do Victor, com os quais sempre manteve estreita colaboração criativa.

Em 1976 obtém mais um sucesso com Equus, peça de Peter Shaffer, cenografia de Marcos Flaksman, e outra participação de Paulo Autran, dessa vez como o psicanalista que trata o jovem psicótico interpretado por Ewerton de Castro.

Uma criação ousada é realizada, em 1977, com Marilena Ansaldi: transpor para um espetáculo os conteúdos do livro de Wilhelm Reich, Escuta Zé!. Num hábil jogo cenográfico, obtém grande rendimento de Rodrigo Santiago na interpretação do psiquiatra, e de Marilena como o anônimo personagem-título. Misto de dança e teatro, a realização vai ao encontro da sensibilidade do público.

Patética!, a proibida peça de João Ribeiro Chaves Neto sobre o assassinato de Wladmir Herzog, é liberada em 1980 e ganha, nas mãos de Celso, uma sensível e calorosa expressão, com destaque para Lilian Lemmertz e Ewerton de Castro entre os intérpretes. Novamente com Fernanda Montenegro, conduz As Lágrimas Amargas de Petra von Kant, o inquietante texto de Fassbinder, que faz a estrela angariar prêmios em parceria com Juliana Carneiro da Cunha, hoje uma das principais atrizes do Théatre du Soleil, na França. Renata Sorrah o convida para encenar, em 1984, uma obra difícil de Botho Strauss - Grande e Pequeno - sobre uma mulher atormentada que visita casas e apartamentos.

Mais uma vez com Paulo Autran, encena Rei Lear, de William Shakespeare, em 1983, sem alcançar todos os resultados possíveis do grande clássico; moderação que se repete em Galileu Galilei, de Bertolt Brecht, de 1989, que Paulo Autran insiste em montar com alunos inexperientes, impedindo a realização de alçar maiores vôos.

Celso desinteressa-se pelo teatro nos anos 90, orientando-se a área terapêutica. Forma-se como rolfista e muda-se para Florianópolis, na busca de um local mais tranqüilo para desenvolver seus atendimentos. Tem poucas incursões como diretor no período, tais como Lorca por Lorca, poemas e canções de Federico García Lorca, 1992; Batom, de Walcyr Carrasco, 1995; Honra, de Joanna Murray-Smith, 1999.

Além de professor em diversos cursos, escolas e workshops, implanta e dirige o departamento de teatro da Unicamp. Titula-se doutor em 1990, com uma tese sobre direção teatral, pela ECA/USP.



Atualizado em 11/10/2007