Biografia
Eva Todor (Budapeste, Hungria 1920). Atriz. Atuando desde os 14 anos, Eva Todor marca a cena com um estilo de interpretação baseado na meninice e na leveza cultivadas nas comédias de costumes brasileiras, que representam a quase totalidade de seu repertório.
Chega ao Brasil aos nove anos e aos 12 estuda balé com Maria Olenewa, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Aos 14 anos faz teste para o Teatro Recreio e estréia em Quanto Vale uma Mulher, de Luís Iglesias, 1934. Permanece na companhia de Luís Iglesias, com quem se casa, até 1939, tornando-se a primeira atriz, o que move o autor a escrever as peças com personagens concebidas especialmente para sua idade. Desenvolve, nesta época, um estilo pessoal em comédias, que torna-se sua marca e que acaba por limitar seu campo de atuação: aos 30 anos ainda interpretava meninas de 18 anos de idade.
Em 1940, funda a companhia Eva e seus Artistas, que estréia com Feia, de Paulo de Magalhães, sob a direção de Esther Leão. Seu primeiro papel dramático é em Cândida, de Bernard Shaw, 1946, sucesso que fica 4 meses em cartaz, seguido de Carta, de Somerset Maugham, 1947. A companhia, pela qual passaram André Villon, Jardel Jércolis, Elza Gomes e Henriette Morineau, funciona até o final dos anos 50 montando quase sempre comédias de costumes.
O estilo criado nos primeiros anos de carreira só é deixado de lado em 1966, com a peça Senhora da Boca do Lixo, de Jorge Andrade, sob a direção de Dulcina de Moraes. O gênero cômico continua sendo seu favorito, mas a atriz abre o leque de sua interpretação em peças como De Olho na Amélia, de Georges Feydeau, 1969, que lhe vale o Prêmio Molière de melhor atriz, Em Família, de Oduvaldo Vianna Filho, com direção de Sergio Britto, 1970; e Quarta-Feira Lá em Casa, Sem Falta, de Mario Brasini, 1977.
Em 1981, atua em Essa Gente Incrível, de Neil Simon. O crítico Sábato Magaldi observa a mudança no desempenho da atriz: "Ela perdeu a audácia da colegial sapeca, típica de seus primeiros namoros com a platéia. Uma inflexão e uma prosódia especiais, dando-lhe um ar brejeiro, de comunicabilidade simpática. A essas características, verdadeira marca pessoal, Eva acrescentou maturidade, no domínio dos recursos cênicos, e um toque de fantasia, que retira a comédia do terreno pedestre, para sugerir nela um mergulho mais profundo".1
Ao completar 50 anos de carreira, Eva Todor recebe homenagens e um artigo de Artur da Távola em que ele enumera os componentes de seu estilo de ser e trabalhar:
"O estar em cena sempre com a certeza de que é tudo uma representação e por isso tem que ser levado a sério. A vitalidade do corpo. A leveza do ser. O gosto de viver. A juventude eterna. A face brilhante. Caras e bocas. Um susto subjacente a cada expressão. Interjeições e trejeitos deliciosos. Afetação natural. Um ar de ponto de exclamação. [...] O melhor e mais renitente da arte de saber ser e permanecer faceira, catita, garrida e airosa".2
Notas
1. MAGALDI, Sábato. O conciliador Simon, em boa montagem. Jornal da Tarde, São Paulo, 4 jul. 1981.
2. TÁVOLA, Artur. Os cinqüenta de vida artística de Eva. O Globo, Rio de Janeiro, 26 ago. 1986.
Atualizado em 07/04/2011