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Enciclopédia Itaú Cultural de Teatro
Wilma, Eva (1933)

Biografia
Eva Wilma Buckup (São Paulo SP 1933). Atriz. Uma das fundadoras do Teatro de Arena, constrói sólida carreira no teatro, no cinema e na televisão. Alia vigor e sensibilidade, explorando todas as facetas de seu temperamento, quer nos papéis dramáticos quanto cômicos.

Após iniciar-se como bailarina, participando do Balé do IV Centenário, Eva estréia no Teatro de Arena, em Esta Noite É Nossa, de Stafford Dickens, em 1953. Seguem-se as primeiras produções da companhia: O Demorado Adeus, de Tennessee Williams, 1953; Judas em Sábado de Aleluia, de Martins Pena,1954; Uma Mulher e Três Palhaços, de Marcel Achard, 1954; A Rosa dos Ventos, de Claude Spaak,1955; e Escrever Sobre Mulheres, de José Renato. Em todos estes espetáculos é dirigida por José Renato, produções que alavancam sua experiência e ajudam a lançá-la em bem-sucedida carreira na televisão, protagonizando durante dez anos o seriado Alô Doçura., na TV Tupi.

Em 1961 integra o elenco de Sem Entrada, sem Mais Nada, de Roberto Freire, última produção do Pequeno Teatro de Comédia, conjunto sob a direção de Antunes Filho. Boeing, Boeing, de Marc Camoletti, direção de Adolfo Celi, pouco acrescenta ao seu trabalho, em 1963. Dois anos após integra três elencos, com grande destaque: As Feiticeiras de Salém, de Arthur Miller, montagem carioca de João Bethencourt; e como a protagonista de A Megera Domada, de William Shakespeare, direção Antunes Filho e O Santo Inquérito, de Dias Gomes, numa encenação de Ziembinski. Também no Rio de Janeiro, em 1967, faz Oh, que Delícia de Guerra!, de Joan Littlewood, com direção de Ademar Guerra.

Em 1967 cria um dos marcos de sua carreira, a cega ameaçada por assaltantes de Black-Out, texto de Frederick Knott, encenado com grande requinte por Antunes Filho. Em 1969, está numa adaptação de Antígone, Ato sem Perdão, realizada por Millôr Fernandes, e com direção de José Renato.

Nos primeiros anos 70 participa de algumas comédias leves: Putz, de Murray Schisgal, e Pequenos Assassinatos, de Jules Feiffer, duas direções de Osmar Rodrigues Cruz. Numa encenação de Kiko Jaess, em 1974, alcança outro trunfo artístico, vivendo a Blanche du Bois de Um Bonde Chamado Desejo, de Tennessee Williams.

Em 1977, numa ousada encenação de Antunes Filho apenas com mulheres, divide o palco com Lilian Lemmertz na criação de Esperando Godot, de Samuel Beckett, nova admirável criação. Atua ao lado de Paulo Autran, em 1980, na bem sucedida comédia Pato com Laranja, de William Douglas Home.

Nos anos seguintes volta a um repertório de comédias bem feitas: Desencontros Clandestinos, de Neil Simon, direção de Gianni Ratto, em 1982; Uma Cama para Três, de Claude Magnier, em direção de José Renato, em 1983; Quando o Coração Floresce, drama sentimental soviético de Aleksei Arbuzov, sobre um casal de idosos, vivido ao lado de Carlos Zara, assim como Love Letters, em 1991, ambos em longas excursões nacionais.

A peça de Arthur Miller, O Preço, em 1989, direção de Bibi Ferreira, é nova oportunidade dela exercitar seu talento dramático; assim como Querida Mamãe, de Maria Adelaide Amaral, encenação de José Wilker, em 1994, angariando os prêmios Shell, Molière e Sharp de melhor atriz, desfrutando a condição de uma das grandes damas dos palcos brasileiros

A carreira teatral de Eva Wilma não se separa daquela que estabelece no cinema e na televisão. Entre os filmes de sucesso dos quais participa estão: Com a Pulga na Balança, direção de Luciano Salce, 1953; Cidade Ameaçada, de Roberto Faria, 1960; A Ilha, de Walter Hugo Khouri, 1963; São Paulo S/A, de Luiz Sérgio Person, 1965; Asa Branca, de Djalma Limongi Batista, 1979; Feliz Ano Velho, de Roberto Gerwitz, 1986.

Na televisão Eva Wilma constrói extensa galeria de heroínas e vilãs, em telenovelas de grande repercussão, tais como: Mulheres de Areia, 1973; O Barba Azul, 1974; A Viagem, 1975, êxitos de Ivani Ribeiro; O Julgamento, 1976, na TV Tupi de SP. Para a rede Globo, deixa inúmeras criações, especialmente em Plumas e Paetês, 1980; Elas por Elas, em 1982; Guerra dos Sexos, em 1983; Roda de Fogo, em 1986; Pedra sobre Pedra, em 1992; Pátria Minha, em 1994; O Rei do Gado, em 1996; A Indomada, em 1997. Entre outros seriados, notabilizou-se em Mulher, vivendo uma médica ao lado de Patrícia Pillar, a partir de 1996.

Na crítica ao espetáculo Black-Out, de 1969, afirma o crítico Décio de Almeida Prado: "Eva Wilma é a cega, o que acrescenta ao seu desempenho uma dificuldade suplementar. A ilusão da cegueira mantém-se sem se desmentir, e, quanto às outras emoções, a personagem não cessa de evoluir, do nervosismo das primeiras cenas, em que alguma coisa parece não anda bem, até a determinação da luta final".1

Notas
1. PRADO, Décio de Almeida. Black-Out. In: Exercicio Findo, São Paulo, Ed. Perspectiva, 1987, p. 184.



Atualizado em 21/09/2010