Biografia
Guilherme de Oliveira Figueiredo (Campinas SP 1915 - Rio de Janeiro RJ 1997). Autor. Dramaturgo cujas peças são voltadas para temas mitológicos, em sua maioria, escritas com uma abordagem cômica.
Formado em direito, inicia-se fazendo crítica teatral, em O Jornal, e literária, no Diário de Notícias, ambos no Rio de Janeiro. Estréia como dramaturgo em 1948 com a comédia Lady Godiva e o drama Greve Geral, ambos montados pela companhia de Procópio Ferreira. No ano seguinte, surge Um Deus Dormiu Lá em Casa, inspirada em temática grega, iniciando uma série que o aproxima do universo dos mitos. Dirigida por Silveira Sampaio, com Paulo Autran e Tônia Carrero à frente do elenco, a montagem alcança repercussão e prêmios.
Para o teatro de revista colabora com A Imprensa É Livre e Miss França, em co-autoria com Geysa Bôscoli. Em 1951, cria Don Juan, retomando a clássica figura do burlador. Em 1952, A Raposa e as Uvas é dirigida por Bibi Ferreira, tornando-se sua criação mais conhecida no Brasil e no exterior, onde conhece diversas encenações e traduções, recebendo os prêmios Municipal do Rio de Janeiro e da Associação Brasileira de Críticos Teatrais, ABCT.
Menina Sem Nome, infantil de 1957, antecede A Muito Curiosa História da Virtuosa Matrona de Éfeso, montagem de sucesso empreendida pelo Teatro Brasileiro de Comédia - TBC, em 1958.
Novos textos são lançados nos anos subseqüentes, mas nenhum alcança grande repercussão: Tragédia para Rir, Retrato de Amélia e Os Fantasmas, em 1958. Permanecem inéditas as criações: Napoleão, Balada para Satã, O Herói, Comédia para Não Rir e Maria da Ponte, além de uma série de comédias curtas em um ato.
No volume Xântias - oito diálogos sobre a arte dramática, Guilherme Figueiredo resume seus ensinamentos sobre dramaturgia, em 1957. Desde 1949, é professor de história do teatro na Escola do Serviço Nacional de Teatro, SNT, bem como tradutor de inúmeros autores, como Molière, William Shakespeare e Bernard Shaw.
Com A Raposa e as Uvas alcança o Prêmio Artur Azevedo, da Academia Brasileira de Letras, ABL, e com Um Deus Dormiu Lá em Casa, a medalha de ouro da ABCT.
Apreciando sua produção, declara o crítico Décio de Almeida Prado: "Guilherme Figueiredo é um escritor literário. Em teatro isso quer dizer, em geral, um autor que prefere a palavra à ação, a poesia à realidade. Guilherme Figueiredo é literário neste sentido: sente-se bem na maneira como falam as suas criaturas, que a linguagem delas é a linguagem da arte, não a da vida. Do autor, mais do que das personagens, é o espírito, a tendência para a ênfase, a procura do brilho verbal. (...) Ninguém é o escritor que quer (ou que os outros querem), mas o escritor que pode ser, o escritor que traz dentro de si mesmo".1
Notas
1. PRADO, Décio de Almeida. "A Raposa e as Uvas". In Apresentação do Teatro Brasileiro Moderno. São Paulo. Editora Perspectiva: 1996, p. 56.
Atualizado em 11/10/2007