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Enciclopédia Itaú Cultural de Teatro
Raquel, Tereza (1939)

Biografia

Theresinha Brandwain de La Sierra (Rio de Janeiro RJ 1939). Atriz e produtora. Intérprete inquieta, funda o Teatro Tereza Raquel nos anos 70, produz peças inéditas e traz diretores europeus ligados à vanguarda, fazendo de sua casa de espetáculos um dos pólos de destaque do teatro carioca do período.

Inicia sua carreira profissional em 1955, sendo dirigida por Henriette Morineau em Os Elegantes, de Aurimar Rocha. No ano seguinte recebe o prêmio de atriz revelação da Associação Brasileira de Críticos Teatrais, ABCT, por sua atuação em Prima Donna, texto e direção de José Maria Monteiro. Em 1957, é contratada pelo Teatro Nacional de Comédia, TNC, onde atua em O Telescópio, de Jorge Andrade, em que é dirigida por Paulo Francis; e em A Bela Madame Vargas, de Paulo Barreto. Na Companhia Tônia-Celi-Autran, CTCA, atua, em 1958, em A Ilha das Cabras, de Ugo Betti, com direcão de Adolfo Celi. Em 1959, trabalha em três produções do Teatro Brasileiro de Comédia, TBC: Romanoff e Julieta, de Peter Ustinov, e Patate, de Marcel Achard, ambos encenados por Alberto D'Aversa; sua atuação em Quando Se Morre de Amor, de Giovanni Patroni Griffi, com direção de Alberto D'Aversa, lhe vale o Prêmio Saci de melhor atriz.

Volta ao TNC no ano de 1961, em Boca de Ouro, de Nelson Rodrigues, encenação de José Renato. Em 1962, realiza viagem de estudos pela Itália e França. De volta ao Brasil, produz e atua em Bonitinha, mas Ordinária, de Nelson Rodrigues, com direção de Martim Gonçalves. Em 1965, está em Berço do Herói, de Dias Gomes, com direção de Antônio Abujamra, interditada pela Censura no dia do ensaio geral. No mesmo ano, integra o elenco de Liberdade, Liberdade, de Flávio Rangel e Millôr Fernandes, direção de Flávio Rangel, numa produção do Grupo Opinião. Em 1967, é a Jocasta, de Paulo Autran, em Édipo Rei, sucesso de bilheteria. Atua na histórica montagem do Teatro Ruth Escobar de O Balcão, de Jean Genet, com direção de Victor Garcia, em 1969. Em 1971, depois de ver uma montagem na França de A Mãe, de Stanislaw Witkiewicz, produz a montagem carioca do texto, trazendo de Paris o mesmo diretor, Claude Régy, inaugurando as atividades oficiais do Teatro Tereza Raquel. A interpretação da protagonista lhe vale o Prêmio Molière. Em seguida realiza uma segunda produção ambiciosa, com Tango, de Slawomir Mrozek. A opção, pela segunda vez, por um texto de vanguarda da pouco divulgada dramaturgia polonesa, faz com que a crítica especializada a considere a produtora mais corajosa do Rio de Janeiro. O espetáculo recebe elogios, tanto pelo cenário de Joel de Carvalho, que integra o palco à platéia, quanto pela direção de Amir Haddad, que une o humor e a farsa à discussão filosófica do texto, e as interpretações de Sergio Britto, Tereza Raquel, Sadi Cabral e Ary Coslov. Em 1974, traz o diretor francês Jorge Lavelli para encenar A Gaivota, de Anton Tchekhov, peça que novamente chama a atenção da crítica. Esta louva mais uma vez seu trabalho em 1976, com Gata em Telhado de Zinco Quente, de Tennessee Williams, com direção de Paulo José. Segundo o crítico Yan Michalski, a atriz "numa composição tensa, elétrica, sensual e sobretudo admiravelmente rica de intenções, realiza como Maggie um dos seus melhores e mais pessoais desempenhos" 1 e, na apreciação da jornalista Tânia Pacheco, "nas mudanças da agressão para a quase ternura, da 'gata' para a mulher, seu trabalho de atriz merece aplausos".2

Em 1980, atua em Os Órfãos de Jânio, de Millôr Fernandes, dirigida por Sergio Britto. No ano seguinte, com o mesmo diretor, faz A Senhorita de Tacna, de Mario Vargas Llosa. Interpreta a controvertida Blanche Dubois na sua produção de Um Bonde Chamado Desejo, de Tennessee Williams, com direção de Maurice Vaneau, em 1985.

Tereza Raquel trabalha também em cinema, atuando em filmes de Carlos Diegues, Jece Valadão, Miguel Borges, Denoy de Oliveira e de seu marido, Ipojuca Pontes. Na TV Globo, participa das novelas O Rebu; O Grito; O Astro; Baila Comigo e Louco Amor.

A crítica Maria Teresa Amaral assim define seu estilo:

"Teresa é um fenômeno - sempre a melhor nos espetáculos que participa. (...) Passa com limpeza e perfeição os sinais imprescindíveis à compreensão. Prática, econômica. Pesquisa estereótipo (...) para controlar a linguagem, permitindo uma troca precisa entre público e ator. (...) É didática. Usa emoção e inteligência para movimentar um referencial comum a muitos. Dosa informação e redundância com arte meio doméstica, mas de cozinheira exímia".3

Notas

1. MICHALSKI, Yan. Uma gata chamada desejo. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 14 dez. 1976.

2. PACHECO, Tânia. Os fogos de artifício e a festa do bicentenário. O Globo, Rio de Janeiro, 10 dez. 1976.

3. AMARAL, Maria Teresa. Mais respeito com a Senhorita. Última Hora, Rio de Janeiro, 19 nov. 1981.



Atualizado em 17/05/2010
 
 
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  Rangel, Flávio (1934 - 1988)