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Enciclopédia Itaú Cultural de Teatro
Carrero, Tônia (1922)

Biografia
Maria Antonieta Portocarrero Thedim (Rio de Janeiro RJ 1922). Atriz. Musa de Ipanema dos anos 1940, Tônia Carrero torna-se uma atriz de prestigio, protagonizando muitos espetáculos no Teatro Brasileiro de Comédia (TBC); posteriormente tendo sua própria companhia, a Companhia Tônia-Celi-Autran (CTCA). Vencendo o estigma da beleza, firma-se, ao longo do tempo, como uma intérprete madura, e capaz de realizar papéis dramáticos.

Forma-se em educação física e tem sua iniciação teatral num rápido curso com Jean Louis Barrault, em Paris. Depois de fazer pontas, a partir de 1947, em alguns filmes, estréia profissionalmente no palco do Teatro Copacabana, no Rio de Janeiro, em 1949, na companhia de Fernando de Barros, fazendo, ao lado de Paulo Autran e sob a direção de Silveira Sampaio, Um Deus Dormiu Lá em Casa, de Guilherme Figueiredo, já angariando prêmio de atriz revelação pela Associação de Críticos Cariocas, e chamando logo a atenção pela sua beleza e malícia. Segue-se em 1950, na mesma companhia, e com direção de Ziembinski, Amanhã, Se Não Chover, de Henrique Pongetti.

Em 1951, muda-se para São Paulo, contratada pela Companhia Cinematográfica Vera Cruz; vindo a estrear no TBC, em 1953, obtendo sucesso pessoal, sob a direção de Adolfo Celi, em Uma Certa Cabana, de André Roussin. Sua curta trajetória no TBC inclui participações em: Uma Mulher do Outro Mundo, de Noel Coward, novamente dirigida por Celi, 1954; no mesmo ano, Negócios de Estado, de Louis Verneuil e no papel-título em Cândida, de Bernard Shaw, ambas direções de Ziembinski; e Santa Marta Fabril S. A., de Abílio Pereira de Almeida, mais uma encenação de Adolfo Celi.

Desliga-se da companhia paulista para fundar no Rio de Janeiro, junto a Adolfo Celi, agora seu marido, e o seu grande amigo Paulo Autran, a CTCA, que estréia em 1956 com Otelo, de William Shakespeare, em que Tônia faz uma elogiada Desdêmona. Na empresa da qual é sócia, Tônia protagoniza grande parte das produções, o que lhe permite, no contato com um repertório eclético, ir amadurecendo o seu ofício. Sob a direção de Celi, atua, entre outras, em: A Viúva Astuciosa, de Carlo Goldoni, Entre Quatro Paredes (Huis Clos), de Jean-Paul Sartre, ambas de 1956; Frankel, de Antônio Callado, 1957; Calúnia, de Lillian Hellman, 1958. Em 1960, recebe o Prêmio Governador do Estado de São Paulo de melhor atriz por Seis Personages à Procura de Um Autor, de Luigi Pirandello, estreado no ano anterior.

Em 1965, sem a estrutura da CTCA, sem a presença de Adolfo Celi, que havia guiado e impulsionado a sua carreira, Tônia cria a sua própria empresa, a Companhia Tônia Carrero, que não é mais um conjunto estável, mas uma firma que viabilizará as esporádicas montagens protagonizadas pela estrela. Interpreta com graça, ao lado de Paulo Autran, A Dama do Maxim's, de Georges Feydeau; agora dirigida por outro diretor italiano, Gianni Ratto, 1965. Em 1968, alcança um ponto alto em sua carreira, com a patética Neusa Suely, personagem principal de Navalha na Carne, de Plínio Marcos. Sob a vigorosa direção de Fauzi Arap, artista que muito a influencia nessa fase, Tônia despe-se da sua proverbial beleza e elegância, para mergulhar fundo no sofrimento e nas humilhações de uma miserável prostituta, levando os prêmios Molière e Associação de Críticos Cariocas. Em 1970, volta a ser dirigida por Fauzi, experimentando, em companhia de Paulo Autran, um drástico insucesso em uma montagem de Macbeth, de William Shakespeare. Em 1971, ela interpreta a Nora de Casa de Bonecas, de Henrik Ibsen, sob a direção do seu filho Cecil Thiré. Ainda com ele, em 1974, comemora seus 25 anos de teatro com o grande sucesso comercial de Constantina, de Somerset Maugham. Protagoniza Doce Pássaro da Juventude, de Tennessee Williams, com direção de Flávio Rangel, 1976. Dirigida por Antunes Filho, faz a pesonagem Marta de Quem Tem Medo de Virgínia Woolf?, de Edward Albee, 1978. Com direção de Adolfo Celi, em visita ao Rio de Janeiro, faz a comédia Teu Nome É Mulher, de Marcel Mithois, 1979. Protagoniza A Volta Por Cima, texto e direção de Domingos Oliveira, com direção do autor, 1982. Volta a contracenar com Paulo Autran, e sob a direção deste, no árduo texto de Marguerite Duras, A Amante Inglesa. Interpreta em 1984, com êxito de bilheteria, o papel de Sarah Bernhardt, em A Divina Sarah, de John Murrel, direção de João Bethencourt.

A partir de 1986, Tônia Carrero parece mudar radicalmente os rumos de sua carreira, deixando de investir em clássicos e textos de resultado garantido, para correr o risco na produção e na interpretação de textos modernos, com encenadores de linguagem investigativa. Sua interpretação surpreende público e crítica em Quartett, de Heiner Müller, dirigida por Gerald Thomas, que ela conhece na Off-off Brodway, em Nova York, e traz para o Rio de Janeiro, recebendo o Molière de melhor atriz. Em 1989, sob a direção de Marcio Aurelio, comemora 40 anos de carreira encenando um solo: vivendo Zelda Fitzgerald em Esta Valsa é Minha, de William Luce, Tônia mostra agilidade movimentando-se coreograficamente entre tapadeiras móveis no palco do Teatro Glória. Em 1990, reencontrando o parceiro de cena Paulo Autran, aventura-se em Mundo, Vasto Mundo, uma coletânea de textos de Carlos Drummond de Andrade.

Na década de 1990, atua novamente sob a direção do filho Cecil Thiré em Ela É Bárbara, de Barillet e Grédy. Em 1999, associa-se mais uma vez a um encenador mais jovem, Eduardo Wotzik, para realizar Um Equilíbrio Delicado, de Edward Albee. Em 2000, está ao lado de Renato Borghi em O Jardim das Cerejeiras, de Anton Tchekhov, direção de Élcio Nogueira.

Desde o início de sua carreira, Tônia mantém trabalho regular no cinema e na televisão.

O crítico Yan Michalski analisa seu crescimento como atriz: "Tônia Carrero [...] ocupa uma posição à parte entre as atrizes da sua geração. A sua estonteante beleza e a sua inata aura de estrela criaram em torno dela, por muito tempo, a imagem de uma atriz inegavelmente sedutora, mas um tanto peso leve e superficial, predestinada a brilhar em comédias inconseqüentes, mas dificilmente apta a enfrentar desafios mais complexos. Ela foi afiando pacientemente o seu instrumental interpretativo, revelando progressivamente uma sensibilidade, uma intuição e uma gama de recursos que lhe permitem abordar papéis frontalmente opostos à sua imagem padronizada. E a maturidade trouxe-lhe uma ousadia que tem ampliado substancialmente a sua dimensão de artista, sem prejuízo da sua presença sempre elegante e sedutora, e dotada de um prodigioso dom de eterna jovialidade".1

Notas
1. MICHALSKI, Yan. Tônia Carrero. In:_________. PEQUENA Enciclopédia do Teatro Brasileiro Contemporâneo. Material inédito, elaborado em projeto para o CNPq. Rio de Janeiro, 1989.



Atualizado em 14/07/2011
 
 
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