lista alfabética
busca

 
       
 
 
  biografia
cronologia
fontes de pesquisa

    espetáculos

    sugestões

 

 
Enciclopédia Itaú Cultural de Teatro
Lacerda, Vanda (1923 - 2001)

Biografia

Vanda Lacerda (Rio de Janeiro RJ 1923 - idem 2001). Atriz. Intérprete de grande expressividade dramática, é dirigida por importantes encenadores, tais como Ziembinski, Ivan de Albuquerque e Márcio Vianna.

Formada em piano pela Escola Nacional de Música, inicia sua carreira no teatro na peça O Amor que Não Morreu, de Alan Martin, com direção de Mario Brasini, em 1947. No mesmo ano, atua em Já É Manhã no Mar, de Maria Jacintha e, em 1948, em Week-End, de Noel Coward, dois espetáculos do Teatro de Arte. Na década de 50, passa pela companhia de Henriette Morineau, Os Artistas Unidos, e atua em Os Brasileiros em Nova York, de Pedro Bloch, direção de José Maria Monteiro,1959. No mesmo ano, é contratada pela companhia oficial do Serviço Nacional de Teatro, SNT, o Teatro Nacional de Comédia, TNC e estréia em Don João Tenório, de José Zorrilla.

Em 1960, ainda no TNC, interpreta Macha de As Três Irmãs, de Anton Tchekhov, sob a direção de Ziembinski, e, em 1962, Dona Guigui em Boca de Ouro, de Nelson Rodrigues, com direção de José Renato. Em seguida, faz dois espetáculos no  Teatro do Rio, ambos com direção de Ivan de Albuquerque, A Invasão, de Dias Gomes, 1962; e no ano seguinte, A Escada, de Jorge Andrade. Por ambos, Vanda Lacerda é premiada pela Associação Brasileira de Críticos Teatrais, ABCT, durante dois anos seguidos, na categoria de atriz coadjuvante. A crítica considera que, no papel de Helena, a mãe da peça de Jorge Andrade, Vanda Lacerda atinge o ponto mais alto de sua carreira. Segundo Yan Michalski: "... o extraordinário despojamento da sua interpretação está sempre apoiado numa profunda e comunicativa vivência interior. Um desempenho de rara qualidade".1

O crítico Almir Azevedo descreve o trabalho da atriz, a que atribui os adjetivos "humano", "consciencioso", "definido": "É a ternura personificada. Comove a maneira carinhosa e meiga com que chama o marido de Quim, na sua adversidade. Tanto nos momentos de sofrimento, de revolta íntima e de dor, como nos fugidios instantes de alegria; nos contrastes de felicidade e desespero, de riso e de lágrima, ela afirma a sua grande força dramática".2

Em seguida, a atriz faz dois espetáculos no Teatro Jovem - A Moratória, de Jorge Andrade, 1964, e Chão dos Penitentes, de Francisco Pereira da Silva, 1965. Depois de uma passagem pelo Teatro Cacilda Becker, TCB, substituindo em três dias a protagonista em Quem Tem Medo de Virgínia Woolf?, de Edward Albee, 1966, volta ao Teatro Jovem para atuar em Álbum de Família, de Nelson Rodrigues, 1967.

Na década de 70, atua, entre outros, em Um Panorama Visto da Ponte, de Arthur Miller, 1972, e A Dama de Copas e o Rei de Cuba, de Timochenco Wehbi, 1974, ambos com direção de Odavlas Petti, e Os Filhos de Kennedy, de Robert Patrick, com direção de Sergio Britto, no Teatro dos Quatro, 1976.

Em 1982, atua em Quero..., de Manuel Puig, com direção de Ivan de Albuquerque, no Teatro Ipanema. Em 1993, divide o palco com Rubens Corrêa em O Futuro Dura Muito Tempo, texto e direção de Márcio Vianna, sobre textos de Louis Althusser.

Tem várias atuações no cinema, entre elas, A Falecida e São Bernardo, ambos de Leon Hirszman, e Matou a Família e Foi ao Cinema, de Julio Bressane.

Notas

1. MICHALSKI, Yan. Um belo espetáculo. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 7 ago. 1964.


2. AZEVEDO, Almir. Revendo a Moratória (no Teatro Jovem). A Noite, Rio de Janeiro, 19 set. 1964.



Atualizado em 15/10/2007