
José Agrippino de Paula (São Paulo SP 1937), escritor, cineasta, roteirista e dramaturgo, deixou uma marca forte na cultura brasileira. Estreando em 1965 com o romance Lugar Público, é apontado na orelha, por Carlos Heitor Cony, como um novo criador. Nessa época mora no Rio de Janeiro, onde estuda arquitetura. Lá convive com importantes personagens da história da cultura recente, como Caetano Veloso e Rogério Duarte. Cismado com um certo localismo próximo ao CPC e com as manifestações nacionalistas e sacralizadoras, tanto da esquerda como da direita, o artista toma posição peculiar na cultura nacional. Sem moralismos, se interessa pela incipiente cultura de massas e pela vitalidade da cultura popular urbana. Esse estímulo será culturalmente importante para a obra mais comentada: o romance Panamérica. Publicado em 1967, é considerado fundamental por Mário Schenberg. A retirada da hierarquia dos códigos culturais e a apropriação pop de determinados ícones, antecipa algumas das características do tropicalismo. Caetano Veloso em Verdade Tropical reconhece a importância do livro de Agrippino para alguns questionamentos.
Esse tipo de apropriação dos estereótipos da pop culture é retomado no longa-metragem Hitler do 3º Mundo, com fotografia de Jorge Bodansky.
Em 1978, o artista filma em Salvador um curta em super-8 - Céu sobre a água. Antes, já havia realizado outros super-8 durante viagem a África com sua mulher, Maristher Stockler. O romance Panamérica teve duas reedições: uma em 1988 e outra em 2001. Hoje, José Agrippino vive no Embu das Artes - SP.

1978 - Arembepe BA - Céu sobre água - super-8