Comentário crítico
Poty possui uma extensa obra gráfica, tendo realizado inicialmente diversas histórias em quadrinhos e ilustrado livros de diversos autores nacionais e estrangeiros. Grande propagador da gravura, atua como professor em diversas cidades brasileiras. A ele se deve uma das primeiras apropriações artísticas conhecidas da litografia: pedras litográficas previamente usadas na impressão de rótulos industriais são re-trabalhadas pelo artista que mantém traços das gravações anteriores.
Por vezes seu desenho busca na estilização das formas o efeito da xilogravura. Entretanto, pode também alternar-se entre a mancha e o traço, aproximando-se, por exemplo, da obra de Aldemir Martins e de outros artistas da geração de 1940 e 1950. Em 1968, o artista é convidado pelos sertanistas Orlando Villas Boas e Noel Nütels para uma estada no Parque Nacional do Xingu, durante a qual realiza cerca de 200 desenhos sobre os hábitos e costumes dos indígenas. Para a crítica de arte Nilza Procopiak, nesses trabalhos, o artista demonstra notável domínio da forma e da técnica, tanto na gradação entre as espessuras das linhas, como nos planos, contornos, na observação dos motivos geométricos presentes na cestaria e na cerâmica.
Poty dedica-se também à realização de obras monumentais em madeira, concreto e cerâmica. Seus murais, vitrais e painéis apresentam ampla relação com a sua atividade de gravador, principalmente pela aproximação à visualidade da xilogravura. Para o estudioso Orlando DaSilva, um elemento em comum em sua produção é o vigor presente no traço dos desenhos, no corte decisivo e profundo da madeira para a gravura, assim como na talha e nos murais.