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Amaral, Tarsila do (1886 - 1973)
Biografia Comentário crítico Estimulada pelo maestro Souza Lima, parte para Paris em 1920. Quer entrar em contato com a produção européia e aperfeiçoar-se. Ingressa primeiro na Académie Julian, depois tem aulas com Emile Renard (1850-1930). Nesse período, trava contato com a arte moderna. Vê o que Anita Malfatti já lhe havia contado. Conhece trabalhos de Pablo Picasso (1881-1973), Maurice Denis (1870-1943) e a produção dos dadaístas e futuristas. O interesse coincide com o fortalecimento do modernismo em São Paulo. De longe, Tarsila recebe curiosa a notícia dos progressos do grupo, na correspondência com Anita. Em abril de 1922, dois meses depois da Semana de Arte Moderna, volta ao Brasil para "descobrir o modernismo".1 Conhece Mário de Andrade (1893-1945), Oswald de Andrade (1890-1954) e Menotti del Picchia (1892-1988). Com eles e Anita, funda o Grupo dos Cinco. O aprendizado europeu será digerido aqui, no contato com o grupo. A artista pinta com cores mais ousadas e pinceladas mais marcadas. Faz retratos de Mário de Andrade e Oswald de Andrade com cores expressionistas e gestualidade marcada. Em 1923 volta a Paris e passa a viver com Oswald de Andrade. Retoma as aulas, mas em outras bases: distância-se da educação convencional, acadêmica. Quer estudar as técnicas modernas. Nesse ano, se torna aluna de André Lhote (1885-1962). Com ele, suas formas se regularizam. Na mesma época, entra em contato com os grandes nomes do modernismo parisiense, como o poeta Blaise Cendrars (1887-1961), que a apresenta a Constantin Brancusi (1876-1957), Vollard, Jean Cocteau (1889-1963), Erik Satie e Fernand Léger (1881-1955). Chega a freqüentar o ateliê deste pintor cubista. Tem aulas também com Albert Gleizes (1881 - 1953). A convivência com os mestres vai influenciá-la profundamente. Nesse período faz uma pintura de inspiração cubista,2 no entanto, interessa-se, cada vez mais pela figuração tipicamente brasileira, de temas nacionais, como em A Negra (1923) e A Caipirinha (1923). Retorna para o Brasil com interesse voltado para as coisas daqui. Viaja para conhecer o carnaval carioca e as cidades históricas de Minas Gerais. Tarsila utiliza as técnicas aprendidas no exterior para figurar coisas de sua terra. A abordagem geométrica da iconografia brasileira vai originar a pintura Pau-Brasil em 1924. Sérgio Milliet (1898-1966) descreve esses trabalhos como "a captação sintética de uma realidade brasileira sentimental e ingênua, de que haviam se envergonhado antes os artistas do nosso país".3 Em sua primeira individual, em 1926, na Galerie Percier, em Paris, a artista mostra esses trabalhos. Em 1928, ela presenteia Oswald de Andrade com o quadro Abaporu (1928) A pintura estimula o escritor a fundar o movimento antropofágico. Neste período, a geometria é abrandada. As formas crescem, tornam-se orgânicas e adquirem características fantásticas, oníricas. Telas como O Ovo [Urutu] (1928), O Sono (1928) e A Lua (1928), compostas de figuras selvagens e misteriosas, aproximam-na do surrealismo. A partir da década de 1930, a vida de Tarsila modifica-se bastante. No primeiro ano da década separa-se de Oswald. Na mesma época, ocupa, por um curto período, a direção da Pinacoteca do Estado de São Paulo (Pesp). Viaja para a União Soviética no ano seguinte e expõe em Moscou. A partir de 1933, seu trabalho ganha uma aparência mais realista. Influenciada pela mobilização socialista, pinta quadros como Operários (1933) e 2ª Classe (1933), preocupados com as mazelas sociais. Em 1935, muda-se para o Rio de Janeiro. Sua vida é atribulada. A artista tem uma situação doméstica confusa, repleta de afazeres e afasta-se da pintura. Ocupa-se da disputa de posse de sua fazenda e trabalha muito como ilustradora e colunista na imprensa. A partir de 1936 colabora regularmente como cronista no Diário de São Paulo, função que ocupará até os anos de 1950. Nessa época, seus quadros ganham um modelado geométrico. As cores perdem a homogeneidade e tornam-se mais porosas e misturadas. Em 1938, recupera a propriedade, retorna à São Paulo e sua produção volta à regularidade. Reaproxima-se de questões que animaram o período heróico do modernismo brasileiro. A partir da segunda metade dos anos de 1940, as inquietações do período pau-brasil e da antropofagia são reformuladas, os temas rurais voltam de maneira simples. Em algumas telas, como Praia (1947) e Primavera (1946), as figuras agigantadas evocam o período antropofágico, mas agora aparecem sob forma mais tradicional, com passagens tonais de cor e modelado mais clássico. Em 1950, é feita a primeira retrospectiva de seu trabalho, no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP). A exposição dá mais prestígio à artista, nela as pinturas da fase "neo pau-brasil" são mostradas pela primeira vez. O retorno a temas nacionais anima Tarsila a pintar dois murais de forte sentido patriótico. Em 1954, termina Procissão do Santíssimo , encomendado para as comemorações do IV Centenário da Cidade de São Paulo. Dois anos depois, entrega O Batizado de Macunaíma, para a Editora Martins. Em 1969, a crítica de arte Aracy Amaral organiza duas importantes retrospectivas do trabalho de Tarsila. Uma no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC/USP) e outra no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ). As mostras consolidam sua importância para a arte brasileira. Tarsila falece em São Paulo em 1973. Notas 1 AMARAL, Aracy. Tarsila: sua obra e seu tempo. 3. ed. rev. ampl. São Paulo: Edusp: Editora 34, 2003. p.70. 2 Em 1924, ao retornar ao Brasil, Tarsila responde afirmativamente à pergunta: "A Senhora é cubista? ". Cf. AMARAL, Aracy. op. cit. p. 141. 3 MILLIET, Sérgio. Uma exposição retrospectiva. In: AMARAL, Aracy. op. cit. p. 454- 457. Atualizado em 09/04/2013 |
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