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Lazzarotto, Poty (1924 - 1998)
Críticas
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"Ao analisar o conjunto da obra gravada de Poty temos que tomar conhecimento, nem que seja numa olhada panorâmica, de seus trabalhos em outras técnicas. Temos que conhecer o artista gravador, desenhista, ilustrador, muralista, decorador, escultor e isso se transforma em um desafio. Como conciliar seu trabalho mural, especialmente quando em concreto, com as obras gráficas em metal, madeira ou pedra; por que a linha decorativa, quase sempre presente em suas xilos, raramente aparece em suas calcogravuras? Na sua xilo muitas vezes encontramos vinculações com o mural, mesmo porque em inúmeros casos o material usado é o mesmo, a madeira. Mas há uma linha comum que une toda a sua obra: é o vigor, quer no traço enérgico de seus desenhos lançados rápida e nervosamente no papel, quer no corte decisivo e fundo na madeira para a xilo, a talha ou o mural; é a tinta engordurando a pedra nas suas litos e criando contrastes marcantes; é o relevo acentuado de seus murais de concreto; é a ferida profunda causada pela ponta-seca ou ácido nas gravuras em metal. Sabendo de sua personalidade só nos é possível compreender o decorativismo de seus murais e xilos, não só através do estudo do material empregado, mas tomando conhecimento também de sua facilidade e habilidade manual, somando ainda a memória visual, que lhe facilita a linha simplificada e corrida. Essa convivência fácil com a técnica, sem necessidade de evidenciá-la, faz com que encontremos Poty em toda a sua obra, mesmo sendo esta expressa com linguagens diversas. Percorrendo seus trabalhos vamos nos deter com um pouco mais de atenção nas suas gravuras em metal, que proporcionam chão firme para o estudo que ora fazemos. Elas nos facilitam a compreensão das outras obras suas com técnicas diferentes, mostram-nos seu início, com o artista apresentando-se totalmente despido do ensino escolarizante, que por vezes afoga a personalidade pessoal do aluno. A gravura em metal, dentre todos os trabalhos de técnicas diversas que pratica, é a que melhor deixa revelar o desenhista que, por sua vez, é quem melhor divulga o seu 'eu'. Queremos acentuar aqui que, antes de tudo, Poty é um desenhista".
Orlando DaSilva
DASILVA, Orlando. Poty, o artista gráfico. Curitiba: Fundação Cultural Curitiba, 1980.
"A Poty se deve uma das primeiras apropriações artísticas conhecidas da pedra litográfica usada industrialmente na impressão de rótulos, latas, e outros, que encontram ecos ulteriores em Lotus Lobo e João Câmara: usando as de Ciccillo Matarazzo, com as quais a indústria deste imprimia latas, generalizou o uso artístico delas, o que também fez na Bahia, pondo a serviço dos artistas, aos quais ensinou litografia, as pedras que imprimiam selos de charuto. O trabalho gráfico de Poty é monumental, tanto nos pequenos formatos, como vinhetas e ilustrações de livros da editora José Olympio, onde ilustra, entre outros, Guimarães Rosa e Mário Palmério, quanto nos grandes, em que a mesma limpeza estilizada dos pequenos se estampa, o mais das vezes ritmicamente. Em Poty, a estilização do desenho pode buscar o efeito da xilogravura, pois, muito estilizado no cortante e nos cheios alternados com vazios, vai ao essencial: essencialista, a obra de Poty em todas as técnicas, excetuando-se, genericamente, o metal, tende a mimetizar a xilogravura, decerto na talha, mas também no vitral e no painel de concreto. Seu desenho, entretanto, pode alternar o borrão e o traço, como Aldemir Martins em outra chave, ambos se encontrando na conjugação da mancha abertíssima e da linha muito marcada, traço corrente nos anos 40 e 50".
Leon Kossovitch e Mayra Laudanna
GRAVURA Brasileira: arte brasileira do século XX. São Paulo: Itaú Cultural: Cosac & Naify, 2000. p. 32-33.
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