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Grilo, Rubem (1946)
Críticas
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"Um fato: a xilogravura contemporânea brasileira recupera, através de Grilo, sua dimensão maior na tradição instaurada pela obra de Oswaldo Goeldi. Essa dimensão - a da obra magistral - tornada hoje uma crescente evidência quando da apreciação do trabalho de Rubem Grilo, resulta de um processo de criação no qual a intensidade produtiva logrou estabelecer o difícil mas possível equilíbrio entre invenção e inteligibilidade. A criação, na gravura de Rubem Grilo, é um tempo de construção/desconstrução imagística na qual o contínuo compor/descompor/recompor do trabalho estabelece a premissa básica da maestria: o eterno aprendizado. Fazer o trabalho para aprender com o trabalho, diz Grilo, situando-se na perplexidade do eterno aprendiz diante do mistério da criação. Essa perplexidade, longe de atenuar-se, só tende a intensificar-se, na crescente complexidade de um trabalho que tem logrado, em sua tensão específica, preservar o compromisso com a invenção sem cair no hermetismo".
George Kornis
KORNIS, George. Apresentação do livro Grilo xilogravuras. In: IMAGEM gráfica. Rio de Janeiro: Escola de Artes Visuais do Parque Lage, 1995. p. 152.
"É noutro espaço, entre o investimento e a dissolução, que agora irá projetar-se a obra de Rubem Grilo. A dispersão é uma forma de manter coesa a relação pessoal de tempo, o fluxo de ação, mas simultaneamente desconcentrá-lo nas imagens, elidindo a sedução do virtuoso e o excesso de investimento numa mesma obra. É nesse território que a xilogravura de Grilo teria que encontrar sua nova poética. É entre dois extremos de sua ação gráfica - a imagem muito detalhista ou as imagens simples - que Rubem Grilo reconfirma a afirmação de Riva Castleman de que houve poucas alterações estilísticas nas imagens de linhas negras, de modo que o seu caráter medieval representou um elemento atemporal e sem intenção artística consciente. 'Refaço um gesto que já foi esgotado milhões e milhões de vezes', afirma Rubem Grilo. (...) Às vezes Rubem Grilo parece trabalhar como se faltassem palavras para um universo e fosse necessário torná-lo presente em imagem. É como se Grilo pensasse com a faca de gravar, pensasse gravando. Pensar seria um corte na matriz".
Paulo Herkenhoff
HERKENHOFF, Paulo. Rubem Grilo: caminhos da razão. In: GRILO, Rubem. Arte menor:xilogravuras. Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil, 1996. p. 5-9.
"Não produzindo retratos ou caricaturas, Grilo traz tipos, caracteres que operam graficamente justapostos em cena, que, por sua vez, se justapõe à narração textual. Nas justaposições de suas cenas, as figuras e os objetos intensificam o narrado efetuando enumeração ou acúmulo: enfáticas, as figuras são graficamente estouradas por desproporção no desenho e nas luzes que as tornam maciças e frágeis, pois trincadas por linhas incisivas e açoitadas por forças deslocantes. A exacerbação das forças destrutivas contradiz a compacidade das figuras que, sendo estáticas as cenas, se exibem explodidas em si mesmas. Reforçam esses efeitos linhas que, exteriores às figuras, desenham movimentos velozes, como em HQ, cuja marca na obra de Grilo também se comprova no uso de balões. Feroz, o humor é o de um riso mascado, que acena repelindo, com que Grilo fala ante seus espectadores. Ainda que algumas de suas gravuras prolonguem as de periódicos, Grilo ressignifica a eleição da madeira: arte superada, a xilogravura nada traz de experimental, pois cava, na incisão, o aprofundamento subjetivo. Foge, nele, a novidade externa, a da gravura experimental, diga-se, logo, a técnica mista, entendida como estática na perspectiva do sujeito, que imobiliza todo tecnicismo: por isso, a xilogravura, como simples, tradicional, não passa de instrumento dócil de uma subjetividade absoluta. Para Rubem Grilo, Antonio Henrique Amaral ou Anna Carolina, o desprestígio da xilogravura, seja o de mercado, seja o de preconceito técnico, pode privilegiar a subjetividade. Em Grilo, esta se acelera maximamente como busca incessante do eu pelo eu. O sujeito-Grilo vai emergindo sempre diferente, pois cada vez mais Grilo: o centramento do sujeito e a circunferência da gravura estão para todo o sempre locados; é impertinente, portanto, o pensamento de Nicolau de Cusa, para quem centro e circunferência estão em toda parte e em parte nenhuma. Como em Antonio Henrique Amaral, em Rubem Grilo se propõe a questão difícil da saída da gravura política: aquele o faz pela pintura, na qual a alegoria acaba apodrecendo; este, pela fixação de um centro que se acelera como identidade do eu".
Leon Kossovitch e Mayra Laudanna
KOSSOVITCH, Leon; LAUDANNA, Mayra. Sobre o político. In: GRAVURA: arte brasileira do século XX. Apresentação Ricardo Ribenboim; texto Leon Kossovitch, Mayra Laudanna, Ricardo Resende. São Paulo: Itaú Cultural: Cosac & Naify, 2000. p. 13.
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