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  Milliet, Sérgio (1898 - 1966)        

Críticas

"Desde que passou a pintar, seu conceito sobre pintura se modificou. A tal ponto compreendeu o problema pictórico que o seu primeiro gesto foi afastar-se da crítica de artes plásticas. Aos seus amigos íntimos, mormente pintores, dizia repetidas vezes: 'Se soubessem como é difícil pintar, não escreveriam tanto sobre pintura'. Em 'Considerações Inatuais', Sérgio, entre outras coisas, diz: 'Sempre me pareceu ridículo acreditar o crítico no valor normativo de suas elucubrações. Pior é considerar-se ele um ser superior que existiria mesmo sem o artista...' Mais adiante, assegura: 'A função da arte é exprimir a emoção através da qual nos elevamos acima do vulgo, participamos do humano profundo que é na realidade o divino'. Poderia prolongar-se nesta nota sobre Sérgio. Foi ele um e muitos. Sua vida - sempre ilustrada por humano traço - esplendeu sem o colorido do fogo-fátuo... Partiu o nosso amigo, partiu sem avisar a ninguém, de um instante para outro e sem atoarda publicitária. Partiu acompanhado do grande silêncio".

Quirino da Silva

HOMENAGEM a Sérgio Milliet. Apresentação de José Geraldo Vieira e Quirino da Silva. São Paulo: MAM, 1969.


"Na crítica de Sérgio Milliet, o bom-senso se traduz em 'necessidade de construção plástica' (equilíbrio); a curiosidade em 'sensibilidade', a 'imaginação' é inventividade, é liberdade de pesquisa. Estas são as permanentes estéticas. Para Sérgio, não há arte sem lirismo, mas é preciso ponderação para não incorrer em facilidade que negam a plástica. Ele quer explicar o 'caos' da incomunicabilidade da arte com o público. Encontra a razão na quebra dos padrões clássicos do fazer artístico e, no âmbito da sociedade, aponta como causa as mudanças aceleradas de normas e valores sociais. Para a arte recuperar a sua função social de comunicar-se com o público, a sociedade precisa ser reconduzida novamente à estabilidade e a nova estabilidade advirá com o socialismo".

Lisbeth Rebolo Gonçalves

Gonçalves, Lisbeth Ruth Rebolo.  Sérgio Milliet, crítico de arte. São Paulo : Perspectiva, 1992, p. 45.


"Ele sentiu e expressou já nos anos 20, por exemplo, aquilo que Mário de Andrade só perceberia nos anos 40: que havia (haviam todos), de alguma maneira, falhado. Milliet criou (enquanto outros se engajavam nas ilusões do triunfalismo) um espírito eminentemente (auto) crítico que se objetivou em sua obra poética, e, posteriormente, em sua obra crítica e historiográfica. ´Para que me acreditem poeta modernista/falo de trilhos/de automóveis/mas como me pesa esse exotismo do aço´ (Saudade, 1925). No poeta modernista, a saída desse abismo que o sujeito via na história foi, em primeiro lugar, uma profunda reflexão sobre o Eu frente ao projeto nacionalista. Ao contrário da voga/nacionalista de vários matizes que tomou a cultura modernista, principalmente após a Semana, Milliet conservou sempre uma postura desconfiada e até mesmo irônica com a obrigatoriedade de se ter ´as coisas do Brasil´ como material obrigatório para se pensar a modernidade, ao contrário do ´ufanista crítico´ Oswald de Andrade (como o definiu Roberto Schwartz) ou do otimismo da brasilidade de Mário de Andrade. Isso lhe acarretou uma postura distanciada, embora participativa, dos meios de atuação dos intelectuais do período".

Francisco Alambert Júnior

Alambert Júnior, Francisco [1992]. Milliet, contra o exotismo do aço. O Estado de S. Paulo. Cultura. Suplemento, p.2.


 
 
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  Andrade, Mário de (1893 - 1945)
Andrade, Oswald de (1890 - 1954)
Candido, Antonio (1918)
Milliet, Sérgio (1898 - 1966)