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Bulcão, Athos (1918 - 2008)
Críticas
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"Nos últimos anos a pintura de Athos Bulcão se abre em múltiplos caminhos. O artista condensa experiências, viaja pela sua própria história e se renova em invenções. (...). A síntese é um refinamento de cor, elegância de tratamento de espaço, leveza da matéria e sutilíssimo humor. Num dado momento, Athos Bulcão põe a mão na massa e faz máscaras e bichos. São seres ambivalentes. São como pinturas sobre suportes tridimensionais. Ou relevos e volumes pictóricos. (...) Nas telas mais recentes de Athos Bulcão, o espaço é trabalhado de modo sempre complexo. Não há soluções mecânicas que dominem inteiramente o conjunto. Se numa obra a superfície é quadriculada, a geometria espacial será subvertida pela pintura. (...) Os planos se articulam pela malha, ou se inexistente, pela sua dança no espaço. A coreografia dessas áreas dançantes não é o ritmo do movimento reto e angulado. Seu tempo é complexo: em algumas obras, as áreas retangulares circunvagam no espaço, (...) Os planos se articulam pela presença da cor, que pode estar aqui e lá. Está em áreas de diferentes dimensões. Em tons distintos. A cor em Athos Bulcão tem a dimensão temporal intrínseca na sua formação".
Paulo Herkenhoff
ATHOS Bulcão. Texto de Paulo Herkenhoff. Brasília: Espaço Capital, 1987.
"(...) foram produzidas pelo artista, entre 1952 e 1953, diversas fotomontagens que sendo herdeiras da fértil tradição iniciada por George Grosz e John Heartfield, na Berlim de 1916, só encontram paralelo, no país, em trabalho semelhante feito por Jorge de Lima.
(...)
A cena dessas obras de Athos Bulcão não é, pois, clássica ou surrealista. É antes de tudo cinematográfica. Como nos filmes, resulta da construção de imagens através de fragmentos fotográficos que recriam, em alguma medida, o movimento. Assimila, a partir de procedimentos característicos da fotomontagem muito próximos aos do cinema, uma concepção técnica e uma temporalidade absolutamente comprometida com a lógica das linhas de montagem indispensáveis à indústria. São cenas construídas de modo análogo aos painéis de azulejos que constituem uma das principais vertentes de sua múltipla trajetória artística".
Fernando Cocchiarale
REVISTA DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL. IPHAN. Fotografia. nº 27, 1998, p. 318.
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