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  Djanira (1914 - 1979)        

Críticas

"(...) Essa artista vive em permanente estado de graça contemplativa. O povo está nos temas e nas cores. E ainda em grande parte na fatura plástica. São cores irremediavelmente quentes, às vezes sem nenhuma passagem fria para as equilibrar - ameaçam explodir. Uma fatura lisa de arte cem por cento decorativa, cartaz, tapete, painel ou ilustração de livro. Ela pertence à fase em que a arte se alimenta de sangue folclórico, fontes primitivas, arte rudemente lírica e popular. Sua pintura passou pelas neves de Nova York e voltou como era em espírito. Mesmo as cenas da Babilônia gelada assumem não sei que misteriosa atmosfera camponesa e plebéia. Brenghel visita o subúrbio. Arte decorativa, pedindo cafés e circos e barracas para ornamentar. Muros de diversões de jardins da infância. Pintura que não está muito à vontade no destino de uma arte de cavalete para salão de luxo. (...) Essa pintura tem a verve do que está próximo à tradição do folclore e à infância. (...) Mas há também, nessa arte, um certo lado individual meditativo e sonhador, e nesse terreno a viagem à América permitiu conferir os próprios sonhos com os de um mestre fraternal: Marc Chagall".

Rubem Navarra

DJANIRA: acervo do Museu Nacional de Belas Artes. Rio de Janeiro: Colorama, 1985.


"Djanira trabalha como respira. Horas e horas, com ou sem saúde, nesse fazer arte, em que muitas vezes se gasta a própria existência para semear com seu sopro mágico uma outra vida. A do criador e a da criação. E com isso a possibilidade de sentir-se realizada ao realizar a sua obra, ao tornar real a sua fantasia. (...). A força incontida de Djanira é vital e fecunda. É uma gênese, uma gestação, é o nascimento de um mundo, mundo brasileiro por excelência e na essência. Todos sabem que sempre que posso corro a ver pinturas de Djanira. A base de seu universo é também do mundo brasileiro: Rio Negro e o Maranhão, Belém do Pará e o São Francisco. O Beberibe de João Cabral e o extremo sul: São Paulo e os cafezais, Ouro Preto, o Rio Paraíba, a Bahia e Parati. Djanira penetrou profundamente nos ambientes rurais, em contato com os homens e as mulheres do povo, com sua gente que é o verdadeiro país. Ela os percebe e fixa com o dom do amor e a faculdade da criação artística que possui em tão alto grau. Diferentemente doutro poeta do mundo exterior - o russo israelita Marc Chagall -, não é sonhadora. É realista, efetivamente realista. Sua obra emana de uma visão aplicada às coisas, com lirismo".

Mário Barata

DJANIRA: acervo do Museu Nacional de Belas Artes. Rio de Janeiro: Colorama, 1985.


"(...) Moça do interior de São Paulo, que viveu a primeira fase de sua vida em contato com os animais, os trabalhadores do campo, a vida simples e dura, que foi também a sua, Djanira iria mais tarde dar forma de arte a essa experiência indelével. (...) Procuraria manter, ao longo da vida, o vínculo com esse passado: viveu cercada de pássaros, plantas e bichos, e, sempre que as condições de saúde permitiam, viajava pelo interior do país, como para renovar o contato com as fontes inspiradoras de sua arte e mesmo de sua vida. Nascida do povo, manteve-se uma mulher do povo, uma artista do povo identificada com ele em seus sofrimentos e em suas lutas. (...) Essa identificação com seu povo e sua terra, essa generosidade de sentimentos teriam, inevitavelmente, que se refletir na obra da pintora, onde a paisagem e os homens brasileiros ocupam o primeiro plano. Esses elementos - como outros também ligados a eles - constituem o seu universo, o mundo que ela necessitava organizar, transfigurar, salvar da morte. E o fez instilando neles a força do seu lirismo e a beleza que a sua sensibilidade apreendia e revelava nas coisas mais simples, nas cenas mais comuns do trabalho e da vida diária".

Ferreira Gullar

DJANIRA: acervo do Museu Nacional de Belas Artes. Rio de Janeiro: Colorama, 1985.


 
 
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