lista alfabética
busca
       
 
   
histórico
fontes de pesquisa



  sugestões

  Museu Paulista da Universidade de São Paulo - MP/USP        

Outros Nomes

Museu do Ipiranga

Museu Paulista

Histórico

"O fim destas coleções é dar uma boa e instrutiva idéia da rica e interessante natureza da América do Sul e do Brasil, em especial, como do homem sul americano e de sua história", afirma o cientista natural alemão Hermann von Ihering (1850 - 1930), no momento em que o Museu Paulista abre suas portas ao público, em 1895. Formado em medicina e membro da Sociedade Etnológica de Berlim, esse especialista em moluscos vem para o Brasil em 1880, como pesquisador do Museu Nacional, no Rio de Janeiro. Sob sua direção, de 1895 a 1916, o Museu Paulista ambiciona ser um museu sul-americano especializado em ciências naturais, nos moldes dos congêneres europeus, reunindo peças de diversas regiões do continente americano. A instituição, segundo ele, preencheria uma lacuna no campo da pesquisa científica, num país ainda sem universidade nem escola de ciências. A despeito de certa especialização, o novo museu deveria ter caráter enciclopédico, ambicionando reunir exemplares de todo o conhecimento humano. A Revista do Museu Paulista, criada também em 1895, traduz essa vocação primeira. Textos variados - de história do Brasil, arqueologia, botânica, zoologia e paleontologia - compõem o número inaugural da publicação que aos poucos se especializa em botânica e zoologia, seguindo os interesses preferenciais de seu diretor. O caráter internacional e profissional que Von Ihering almeja imprimir à instituição transparece nas páginas da revista, atesta a majoritária presença de colaboradores estrangeiros e as instituições parceiras mencionadas.

A história da criação do Museu Paulista relaciona-se à coleção particular do coronel Joaquim Sertório - que reúne espécimes naturais, moedas, jornais, manuscritos, quadros, armas, gravuras, curiosidades, mobiliário, objetos indígenas etc. -, aberta para visitação como "Museu Sertório" em prédio localizado na atual praça João Mendes, centro da cidade de São Paulo. Em 1890, a coleção passa ao Estado que a incorpora ao Museu da Sociedade Auxiliadora, com o nome de Museu do Estado. No ano seguinte, o botânico da Comissão Geográfica e Geológica do Estado, Alberto Loefgren, organiza o acervo, então sob a guarda da comissão que, finalmente, em 1893, passa a se chamar Museu Paulista. Em 1894, Von Ihering, já responsável pela coleção, transfere-a para o atual edifício, no bairro do Ipiranga. A nova sede do Museu Paulista - imponente edifício em estilo eclético projetado pelo italiano Tommaso Gaudenzio Bezzi - havia sido criada com outra finalidade. A idéia inicial é a construção de um monumento em homenagem à Independência, voltado para a perpetuação de sua memória. Desde as comemorações do 7 de setembro de 1824, tal projeto é acalentado e, a partir de então, diversas tentativas de angariar recursos para a obra têm lugar, todas sem sucesso. É somente em 1885 que o imperador dom Pedro II (1825 - 1891) aprova o projeto de Bezzi, que se efetiva em 1890. O palácio, de grandes proporções e jardins inspirados no modelo francês de Versalhes, permanece desocupado por muito tempo. Isso em parte devido às discordâncias quanto ao seu uso. Para alguns, palácio e monumento. Para outros, além do caráter simbólico, é preciso dotar a construção de finalidades práticas, educativas e culturais.

A gestão do historiador Afonso d´Escragnolle Taunay (1876 - 1958), que se inicia em 1916, confere novas feições ao museu, evidenciadas, entre outras, pela saída das seções de botânica (1927) e de zoologia (1939). Historiador interessado no bandeirismo paulista e na colonização, Taunay cria as seções de história e de etnografia e lança também os Anais do Museu Paulista (1922), publicação centrada na história nacional. É nessa fase que a mitologia do bandeirante-herói é solidificada, com base em estudos da história paulista, tida como história nacional. Em 1946, o historiador Sérgio Buarque de Holanda (1902 - 1982) assume a direção do museu. Nesse momento, ao lado da seção de história, é fortalecida a seção de etnologia, beneficiada pela contratação do etnólogo alemão Herbert Baldus (1899 - 1970) e do gaúcho Harald Schultz (1909 - 1965). Além da reorganização das coleções etnológicas, Sérgio Buarque retoma a publicação da revista, extinta em 1938. A nova série sai em 1947, com novo perfil, agora preferencialmente textos de antropologia, voltados, sobretudo, para a etnologia indígena. A revista publica ainda trabalhos na íntegra, por exemplo, A Moda no Século XIX, em 1951, de Gilda de Mello e Souza (1919 - 2005) e A Função Social da Guerra na Sociedade Tupinambá, 1952, do sociólogo Florestan Fernandes (1920 - 1997). Os Anais continuam a ser editados, veiculando estudos importantes no campo da história, por exemplo, o artigo de Buarque de Holanda, Índios e Mamelucos na Expansão Paulista (vol. 13), que integra sua obra posterior, Caminhos e Fronteiras. Com a exoneração do historiador, em 1958, Mário Neme assume a direção do Museu Paulista, e se mantém no cargo até 1973. Em 1963, o museu, antes instituto complementar da Universidade de São Paulo, integra-se definitivamente a ela.

Diversas coleções do Museu Paulista vão sendo paulatinamente incorporadas a outras instituições como o Instituto Biológico, o Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo - MZ/USP, a Pinacoteca do Estado de São Paulo - Pesp e o Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo - MAE/SP. Na gestão do historiador Ulpiano Toledo Bezerra de Menezes (1938), entre 1989 e 1994, o acervo do museu tem caráter exclusivamente histórico, parte dele instalado no Museu Republicano "Convenção de Itu". Datam desse período publicações com fins didáticos, como os Cadernos de História de São Paulo, os Cadernos Pedagógicos e História e Cultura Material. O museu afirma uma vocação formadora, estabelecendo vínculos estreitos com o ensino de primeiro e segundo graus. A prestação de serviços à comunidade se intensifica nessa fase. Fazem parte do acervo histórico mais de 125 mil obras, entre objetos, iconografia e documentação arquivística do século XVII até meados do século XX. Coleções particulares - entre outras a do fotógrafo Militão Augusto de Azevedo (1837 - 1905), a do arquiteto Tomasso Bezzi e a do aviador e inventor Alberto Santos-Dumont - se somam, ao longo dos anos, ao conjunto original. Do acervo de pinturas e gravuras fazem parte a coleção Bernardelli, com 1.400 trabalhos dos irmãos Henrique (1858 - 1936) e Rodolfo (1852 - 1931), painéis de Wasth Rodrigues (1891 - 1957), telas de Benedito Calixto (1853 - 1927), Almeida Júnior (1850 - 1899) e Oscar Pereira da Silva (1867 - 1939). Entre as obras célebres expostas encontra-se a grande tela de Pedro Américo (1843 - 1905), Independência ou Morte [O Grito do Ipiranga], 1875/1879 e Partida da Monção, 1897, de Almeida Júnior.

O Museu Paulista procura integrar cada vez mais pesquisa, exposição e difusão cultural. Com o eixo do acervo voltado para a história de São Paulo, as três linhas de investigação em vigor - Cotidiano e sociedade, Universo do trabalho e História do imaginário - se refletem no plano geral da organização do acervo. As três alas do museu correspondem às linhas de pesquisa existentes. Visitas monitoradas, cursos e atividades educativas sistemáticas arrematam o trabalho de um museu apoiado em três pilares básicos: história, arte e educação.



Atualizado em 27/10/2008
 
 
Veja nas
Enciclopédias
 
  literatura - nomes
  Holanda, Sérgio Buarque de (1902 - 1982)

 

 
Veja na Web
 
  Museu Paulista da Universidade de São Paulo - site da instituição