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  Museu de Arte Contemporânea (MAC-Niterói)      

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MAC de Niterói

Museu de Arte Contemporânea de Niterói

Histórico
Em poucas palavras o arquiteto Oscar Niemeyer (1907 - 2012) resume o seu projeto para o Museu de Arte Contemporânea de Niterói (MAC-Niterói): "O terreno era estreito, cercado pelo mar e a solução aconteceu naturalmente, tendo como ponto de partida o apoio central inevitável. Dele, a arquitetura ocorreu espontânea como uma flor. A vista para o mar era belíssima e cabia aproveitá-la. E suspendi o edifício e sob ele o panorama se estendeu mais rico ainda. Defini então o perfil do museu. Uma linha que nasce do chão e sem interrupção cresce e se desdobra, sensual, até a cobertura. A forma do prédio, que sempre imaginei circular, se fixou e, no seu interior me detive apaixonado. À volta do museu criei uma galeria aberta para o mar, repetindo-a no segundo pavimento, como um mezanino debruçado sobre o grande salão de exposições".

O edifício - cuja construção é iniciada em 1991, na primeira gestão do prefeito Jorge Roberto da Silveira, quando Ítalo Campofiorito é secretário da Cultura - é a primeira obra que o museu oferece à contemplação. Localizado no alto do Mirante da Boa Viagem, na cidade de Niterói, Rio de Janeiro, a estrutura de linhas circulares do edifício apresenta-se como uma escultura de 16 metros de altura em praça aberta, em que o espelho-d'água colocado em sua base e a iluminação empregada conferem grande leveza. A rampa sinuosa externa conduz ao interior, com dois pavimentos. No segundo pavimento, estão a sala de exposições e a varanda panorâmica, envidraçada, também reservada para mostras. O mezanino, por sua vez, que circunda todo o interior do museu, é dividido em salas menores, destinadas a exposições. No subsolo, encontram-se uma área para armazenagem de obras, um bar, um restaurante e um auditório para conferências.

Trabalho de maturidade, o projeto do MAC-Niterói revela a ousadia de um artista experiente, responsável por uma produção que apresenta uma leitura bastante pessoal dos preceitos da arquitetura racionalista de matriz corbusiana. Os princípios centrais do método de trabalho e da filosofia urbanística de Charles-Edouard Jeanneret, Le Corbusier (1887-1965) - o uso racional dos materiais, métodos econômicos de construção, linguagem formal sem ornamentos e diálogo sistemático com a tecnologia industrial -, como sabido, terão forte influência na arquitetura moderna brasileira, sobretudo por causa das sucessivas vindas do arquiteto suíço ao Brasil.

O edifício do Ministério da Educação e Saúde (atual Palácio Gustavo Capanema) é a prova mais evidente da tentativa de um grupo de arquitetos brasileiros liderado por Lucio Costa (1902-1998), e do qual Niemeyer faz parte, de incorporar os preceitos racionais da arquitetura corbusiana. A grande liberdade plástica dos projetos de Niemeyer - que seguem os passos do programa de Le Corbusier, mas contrariando freqüentemente a geometria racionalista pelo emprego de colunas em "V" e "W", de arcos e abóbadas, de linhas curvas, desenhos ondulantes e formas sinuosas -, é visível em projetos de juventude como, por exemplo, no plano que ele realiza com Lucio Costa para o Pavilhão do Brasil na Exposição Internacional de Nova York, em 1939. No Grande Hotel de Ouro Preto, 1940, por sua vez, Niemeyer explora o diálogo de sua arquitetura com o entorno (com a paisagem natural e com as construções coloniais da cidade de Ouro Preto, Minas Gerais), diálogo que será intensificado no conjunto da Pampulha, em Belo Horizonte e no MAC-Niterói.

A idéia de criação do museu, segundo Roberto da Silveira, surge da intenção de João Leão Sattamini Neto de doar sua coleção de arte para a cidade. E o museu nasce precisamente para abrigá-la. Iniciada em 1966, quando Sattamini reside na Itália, a coleção de quase 1.200 obras define-se como um dos mais significativos conjuntos de arte brasileira produzida entre os anos 1950 e 1990. Da coleção fazem parte um número considerável de esculturas - de Frans Krajcberg (1921) a Ivens Machado (1942) -, uma grande soma de obras de artistas do concretismo e do neoconcretismo - Ivan Serpa (1923-1973), Aluísio Carvão (1920-2001), Lygia Clark (1920-1988) e de outros mais diretamente ligados à abstração informal -, trabalhos de artistas que passam ao largo de grupos - Mira Schendel (1919-1988) e Ione Saldanha (1919-2001) -, obras da geração ligada à Opinião 65 - Antonio Dias (1944) e Carlos Vergara (1941) -, além de conjuntos significativos de Raymundo Colares (1944-1986), Dionísio Del Santo (1925-1999) e Jorge Guinle (1947-1987). Artistas da geração 80 - Daniel Senise (1955) e Manfredo de Souzanetto (1947) -, do grupo da Casa 7, e nomes que sobressaem na década de 1990 - Ernesto Neto (1964) e Paulo Pasta (1959) -, compõem o conjunto. É com uma parte dessas obras que o MAC-Niterói abre suas portas em 1996, com a coletiva Arte Contemporânea Brasileira na Coleção João Sattamini. A partir de sua inauguração, o museu realiza periodicamente mostras dedicadas à coleção Sattamini, como Coleção Sattamini: dos Materiais às Diferenças Internas (2000), Pinturas na Coleção Sattamini (2000), Modernos e Contemporâneos (2001), Esculturas e Objetos (2002). A criação desse museu coloca Niterói na rota turística do Estado de Rio de Janeiro, e dá início ao projeto - já em andamento - "Caminho Niemeyer", que engloba diferentes construções.

Um dos destaques do MAC-Niterói é a sua divisão de arte-educação, que tem o objetivo de desenvolver estratégias de interação comunicativa com a arte contemporânea. O propósito educativo do museu se evidencia no espaço destinado aos visitantes em cada uma das exposições. Uma série de jogos que visam ampliar as relações entre arte, cultura e educação, é proposta a um público diversificado. Além disso, visitas guiadas, atividades para as famílias nos fins de semana e programas especiais para professores e alunos se inserem no mesmo espírito formador que orienta as estratégias "comunicativas" do museu. No interior do projeto MAC/Comunidade (com apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social - BNDES), destaca-se o projeto Arte Ação Ambiental, implementado em 1999 com jovens do Morro do Palácio, em Niterói. Oficinas de papel artesanal, jogos neoconcretos, textos, graffiti, jornalismo comunitário entre outras, oferecem educação artística, ambiental e profissionalizante a jovens de baixa renda.



Atualizado em 06/12/2012
 
 
Veja na Web
 
  Museu de Arte Contemporânea - MAC-Niterói - site da instituição