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Forminform
Histórico No segundo pós-guerra, pela primeira vez na história do Brasil, os lucros da produção industrial superam os da economia agrícola. Eleito em 1956, Juscelino Kubitschek lança o Plano Nacional de Desenvolvimento, conhecido como Plano de Metas, cujo lema é fazer o país crescer "Cinqüenta anos em cinco". Os pontos principais do programa de governo são o estímulo à expansão industrial - com destaque para o setor de base - e a construção da nova capital federal, Brasília, que pretende estimular o desenvolvimento econômico e urbano no interior do país. Nessa época, associada à abertura da economia ao capital estrangeiro, à implantação da indústria automobilística em São Paulo e à construção de estradas e hidrelétricas, a produção industrial cresce cerca de 80%. Ainda assim, no fim dos anos 1950, não há uma cultura empresarial voltada para investimentos na área de criação de produtos no Brasil, pois praticamente toda produção nacional é adaptada de modelos internacionais. Apesar do engajamento de artistas e intelectuais no sentido de aproximar arte e indústria, como é a criação do curso de desenho industrial do Instituto de Arte Contemporânea - IAC do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand - Masp, o trabalho do desenhista industrial é pouco conhecido. As logomarcas são elaboradas por artistas plásticos e arquitetos, sendo aplicadas quase que exclusivamente em cartazes e anúncios publicitários. Além de se beneficiar do projeto nacional desenvolvimentista, o Forminform atua no sentido de esclarecer o meio empresarial brasileiro a respeito da atividade profissional do desenhista industrial. O escritório promove palestras em que explica aos clientes sua metodologia de trabalho e seu ponto de vista em prol de uma estética funcionalista, na qual a forma do produto deve adequar-se a sua função. Em conferências, bem como em circulares distribuídas aos clientes, os sócios do Forminform combatem o adorno e o estilo decorativo. Num dos folhetos de divulgação, cujo texto se assemelha a um manifesto, declaram: "O bom objeto deve expulsar o mau objeto do mercado. [...] Criamos objetos que o homem precisa e pode usar. Nós entendemos o ornamento e toda arte de adição decorativa como diminuição da capacidade do objeto e de sua qualidade estética".1 Nos primeiros dois anos de atividade, o escritório reúne artistas voltados para os ideais da arte construtiva, vertente modernista surgida nas primeiras décadas do século XX na Rússia, Holanda e Alemanha. Na década de 1950, Barros e Wollner integram o movimento de arte concreta em São Paulo. Barros também como desenhista da fábrica de móveis Unilabor.2 A Escola Superior da Forma, de Ulm é a instituição responsável pela revitalização do projeto pedagógico da Bauhaus após o fim da Segunda Guerra Mundial, 1939-1945. Apesar das diferenças entre as duas escolas, ambas consideram o desenho industrial como um ramo da arquitetura, sendo o designer visto como um profissional responsável pela qualidade estética dos objetos do cotidiano. Sua atuação é tida como uma possibilidade de socialização da arte, pois elabora objetos que são reproduzidos em série. O escritório Forminform é a primeira oportunidade de Wollner e Bergmiller aplicarem os ensinamentos da Escola Superior da Forma no Brasil, sobretudo a noção de design como uma atividade voltada para a criação de produtos e não apenas para meios visuais. Além disso, a escola alemã privilegia projetos de signos visuais que dispensam o nome do produto, procedimento inaugurado pelo Forminform no Brasil. Os projetos do escritório caracterizam-se pelas formas simplificadas e pela austeridade. O Forminform desenvolve logomarcas, embalagens e anúncios para a indústria de pescados Sardinhas Coqueiros, a empresa de elevadores Atlas, a indústria de embalagens Ibesa e para a tecelagem Argos. Realiza ainda a reforma gráfica do jornal carioca Correio da Manhã, entre outros trabalhos. Segundo depoimento de Wollner, o escritório volta-se gradativamente para a área da publicidade, o que ocasiona, no fim de 1959, seu afastamento e de Barros.3 O Forminform mantém suas atividades durante a década de 1960, dissolvendo-se em 1968, após a morte de Ruben Martins. Notas 2 O primeiro escritório Forminform funciona na loja de móveis Unilabor, no centro de São Paulo, sem vínculo comercial com a loja. Em 1958, pouco depois da chegada de Wollner, o Forminform se instala num espaço próprio. 3 WOLLNER, Op. cit.. Atualizado em 20/08/2009 |
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