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  Galerias Comerciais no Rio de Janeiro e em São Paulo até 1970        

Histórico

Espaços especializados dedicados a exposições e à comercialização de arte - abertos e dirigidos, em geral, por marchands -, as galerias comerciais começam a se fazer presente no cenário brasileiro nas primeiras décadas do século XX. A criação de lugares exclusivamente voltados à comercialização e à divulgação de trabalhos artísticos sinaliza o adensamento do mercado de arte no Brasil, processo que remonta à segunda metade da década de 1940. O êxito da Petite Galerie, entre 1950 e 1960, acompanha esse movimento de ampliação do mercado de arte, com a abertura de espaços dedicados à produção moderna e contemporânea nas principais cidades brasileiras. Os marchands, colecionadores e artistas que vêm para o Brasil a partir do fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) - por exemplo, Giuseppe Baccaro, Arturo Profili, Jean Boghici, Pietro Maria Bardi (1900 - 1999) - têm papel destacado nesse processo de profissionalização do mercado artístico e atuam na criação de instituições, publicações e salas de exposições.

Em relação às mostras individuais especificamente, até a década de 1940 elas são realizadas, em geral, em espaços improvisados, cedidos ou alugados pelos próprios expositores. Livrarias e hotéis são também aproveitados para a divulgação da arte nacional. Exemplo disso são as exposições de Vicente do Rego Monteiro (1899 - 1970) e de Di Cavalcanti (1897 - 1976) na Livraria Moderna, no início dos anos 1920, ou os salões do Palace Hotel, ambos no Rio de Janeiro, freqüentemente transformados em salas de expositivas. Uma das primeiras galerias de arte de que se tem notícia é a Galeria Jorge, na rua do Rosário, no Rio de Janeiro, criada em 1907, por Jorge Souza Freitas. A galeria funciona até meados da década de 1940, promovendo exposições regulares de artistas nacionais e estrangeiros. Freitas funda um pouco antes, também no Rio de Janeiro, a Galeria Rembrandt, que permanece ativa até a década de 1920.

A partir dos anos 1940, crescem os espaços dedicados à exibição da produção artística. Além das sedes do Instituto dos Arquitetos do Brasil - IAB (no Rio e em São Paulo), das livrarias que mantêm salas de exposição (a Brasiliense em São Paulo, por exemplo) e de lugares que cedem espaços para mostras regulares, individuais e coletivas (o Edifício Esther, a Biblioteca Municipal Mário de Andrade e o Clubinho, todos em São Paulo), diversas galerias de arte abertas no período têm papel ativo na divulgação de trabalhos de artistas novos e consagrados. Em São Paulo, podem ser mencionadas as galerias Itá (muito ativa nos anos 1940); Domus, que funciona de 1947 a 1952; Ipiranga; Prestes Maia, no vale do Anhangabaú; e Jaraguá, fundada por Alfredo Mesquita, na rua Marconi. No Rio de Janeiro, além da Associação Brasileira de Imprensa - ABI, da Casa do Estudante do Brasil, do diretório acadêmico da Escola Nacional de Belas Artes - Enba e do Museu Nacional de Belas Artes - MNBA - que reservam salas à divulgação da arte moderna, as galerias se afirmam como espaços preferenciais para a realização de exposições de arte. A Askanazy, inaugurada em 1945, pelo polonês Miécio Askanazy, é considerada a primeira galeria de arte voltada exclusivamente para as novas tendências artísticas. A Galeria Tenreiro (1947) - criada pelo artista plástico e designer, Joaquim Tenreiro (1906 - 1992) - é outro espaço importante de divulgação da arte moderna e contemporânea. Destacam-se também a Galeria Montparnasse (1943-1956), a Galeria Debret (1946) e a Galeria do Ibeu, criada em 1940.

Nos anos 1950 e 1960, o mercado de arte conhece novo impulso, beneficiado pelo vigor das artes visuais no Brasil, com a criação dos museus de arte - Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand - Masp, Museu de Arte Moderna de São Paulo - MAM/SP e Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro - MAM/RJ -, das Bienais Internacionais de São Paulo e dos movimentos concreto e neoconcreto, todos indicadores da nova cena artística, mais amparada institucionalmente e em estreita conexão com as vanguardas internacionais. A intensa atividade das galerias de arte nesse contexto é reveladora. Em São Paulo (Galeria Cosme Velho e Galeria de Artes das Folhas, por exemplo) e no Rio de Janeiro, novos espaços e profissionais acolhem as tendências em voga. Nos anos 1960, no Rio de Janeiro, a Petite Galerie, de Franco Terranova, ao lado da Galeria Relevo e da Bonino se destacam. A Bonino, de Giovanna Bonino e Alfredo Bonino, é inaugurada na rua Barata Ribeiro, 578, Copacabana, com uma coletiva de artistas brasileiros e argentinos, em 1960. É a primeira galeria a ter um espaço projetado - pelo arquiteto Sérgio Bernardes - especificamente para expor obras de arte. Em seus 31 anos de atividade, a galeria realiza entre 12 e 14 exposições anuais. A Galeria Relevo, do romeno Jean Boghici, é inaugurada na rua Prado Jr, em Copacabana, com exposição de Emeric Marcier (1916 - 1990), em agosto de 1961. Ao lado de Ceres Franco, Jean Boghici estabelece relações mais estreitas e sistemáticas entre as vanguardas francesa e brasileira, que vão encontrar o seu ponto alto em Opinião 65, mostra por eles concebida e organizada.



Atualizado em 24/11/2006