Mário ... um homem desinfeliz - Encontros, 1993 - Itaú Cultural
Biografia Mário Raul de Morais Andrade (São Paulo SP 1893 - idem 1945). Poeta, contista, romancista, crítico literário, folclorista e crítico musical. Passa a maior parte de sua vida em São Paulo, cidade com a qual mantém forte ligação. Forma-se bacharel em ciências e letras, em 1909. Estuda no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, em 1911. Em 1917, passa a colaborar com críticas de arte na Folha da Manhã e em O Estado de S. Paulo, entre outros periódicos. Já com o pseudônimo de Mário Sobral, lança, nesse mesmo ano, seu primeiro livro: Há uma Gota de Sangue em Cada Poema. É um dos responsáveis pela criação da Revista Klaxon e organização da Semana de Arte Moderna, em 1922. Publica nessa data Paulicéia Desvairada, considerado o primeiro livro de poemas do modernismo, no qual se encontram princípios de colagem típicos da pintura da época. Nas escadarias do Teatro Municipal, onde ocorre a Semana de 22, lê, de seu recém-lançado livro, o Prefácio Interessantíssimo, apontando pressupostos e caminhos a serem seguidos pela poesia modernista e a fundação do "desvairismo", revelando afinidades com a chamada "escrita automática", pregada pelo escritor francês André Breton (1896 - 1966), fundador do surrealismo. Ainda na década de 1920, publica obras importantes, que marcaram o movimento modernista em verso e prosa: a poesia experimental de Losango Cáqui, o uso do folclore nos poemas de Clã do Jabuti, os contos de Primeiro Andar, o ensaio A Escrava que Não É Isaura (em que aprofunda os pressupostos do Prefácio Interessantíssimo) e o romance Amar, Verbo Intransitivo. Em 1927, realiza sua primeira viagem etnográfica à Amazônia, pesquisando e recolhendo manifestações de cultura popular. Do conhecimento adquirido sobre o folclore nacional conjugado ao tratamento literário requintado e abordagens psicanalíticas dos mitos resulta o romance Macunaíma, o Herói sem Nenhum Caráter, lançado em 1928. Nos anos 1930, dirige o Departamento de Cultura da Prefeitura de São Paulo, funda a Discoteca Pública e promove o 1º Congresso de Língua Nacional Cantada, além de dar grande impulso à Revista do Arquivo Municipal. Entre 1938 e 1940, reside no Rio de Janeiro e leciona estética na Universidade do Distrito Federal, atual Universidade do Estado do Rio de Janeiro - Uerj.