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Alvarenga, Silva (1749 - 1814)

Biografia
Manuel Inácio da Silva Alvarenga (Vila Rica MG 1749 - Rio de Janeiro RJ 1814). Filho do músico Inácio Silva Alvarenga, parte para a Europa em 1771 para estudar Direito na Universidade de Coimbra. Em Portugal estabelece intenso contato com poetas como Alvarenga Peixoto (1744 - 1793) e Basílio da Gama (1741 - 1795), mantendo com este último forte amizade. Inicia suas atividades literárias em 1774, publicando o poema herói-cômico "O desertor das letras" sob o codinome Alcino Palmireno, o qual usaria durante toda sua carreira como poeta. Regressa ao Brasil em 1777, estabelecendo-se no Rio de Janeiro. Funda a "Sociedade Literária do Rio de Janeiro", que veicula ideias liberais. Devido ao contorno progressista das ideias veiculadas por sua sociedade científica, é acusado de subversão, e é preso. Permanece no cárcere por quase três anos, quando é solto por intervenção de D.Maria I, a quem já havia louvado no poema "Templo de Netuno", quando ainda vivia em Portugal. Livre, continua a dedicar-se à atividade intelectual e literária. Em 1799 publica Glaura: poemas eróticos de um americano, passando a ser considerado um dos principais poetas da Arcádia Mineira. Mais tarde, colabora na revista literária O Patriota, continuando a difusão de ideais liberais, por meio de artigos.

Comentário Crítico
Expoente importante do Arcadismo brasileiro, Silva Alvarenga destaca-se por elaborar uma poesia que flerta com modos brasileiros de expressão bastante específicos, como a música popular. Nesse sentido, pode-se dizer que a musicalidade popular, característica de seus versos, abre caminho para o trabalho dos românticos brasileiros, que também trabalharão com tais formas de expressão.

Alvarenga leva às últimas consequências o desejo árcade de construir uma poesia repleta de naturalidade, em que a simplicidade e a expressão espontânea fossem cultivadas em detrimento de imagens rebuscadas. Tais características podem ser observadas em Glaura: poemas eróticos de uma americano, livro composto de 59 rondós e 57 madrigais. Os poemas, que têm como tema central o sentimento amoroso são atravessados pela recusa à grandiloquência épica, que se faz sentir desde a epígrafe do volume: "Adeus, ó Heróis, quem enfim/ Nas cordas da doce lira/ se respira terno amor". Trata-se, portanto, da recusa aos grandes temas e formas épicos e da valorização da expressão lírica pessoal, espontânea; da busca pela naturalidade contra os artifícios da linguagem; da elaboração de formas breves, como são os rondós e madrigais.

Apesar de trabalhar os grandes temas e formas árcades em voga no momento, Silva Alvarenga os tinge de cor local, imprimindo a musicalidade popular em seus versos por meio da utilização de "ritmos langorosos"[1], e da exaltação da natureza nacional, prenunciando, dessa forma, aspectos que o Romantismo brasileiro assumiria posteriormente.

 

Notas
1 A expressão é de Antonio Candido.



Atualizado em 16/10/2013