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Polêmica sobre A Confederação dos Tamoios (José de Alencar x Gonçalves de Magalhães)

Histórico
A publicação, em 1856, do poema épico Confederação dos Tamoios, de Gonçalves de Magalhães (1811 - 1882), torna-se evento marcante do Romantismo brasileiro por dois fatores: primeiro, a grande expectativa gerada em torno de seu lançamento, afinal Magalhães é a ponta de lança das novas idéias literárias; segundo, pela polêmica criada devido às cartas assinadas sob o pseudônimo "Ig.", que refutam a qualidade literária da obra. Essas cartas são escritas na verdade pelo jovem José de Alencar (1829 - 1877), então redator-chefe do Diário do Rio de Janeiro e pouco conhecido nos meios literários da corte. São oito cartas no total, onde Alencar busca deliberadamente a polêmica, como ele mesmo afirma em uma delas. A crítica incisiva ao poema de Magalhães faz com que Manuel de Araújo Porto-Alegre (1806 - 1879) e o imperador Dom Pedro II (1825 - 1891), este último patrocinador da obra, escrevam em sua defesa sob o pseudônimo "O amigo do poeta". Algumas outras cartas são publicadas em favor de um ou outro lado, mas aquelas constituem as mais significativas.

A polêmica estava, antes mesmo de entrar na argumentação de Alencar, no fato em si de se criticar a figura até então absoluta do nosso Romantismo. Gonçalves de Magalhães instituiu a nova escola em 1836 com a publicação, juntamente com Porto-Alegre e outros intelectuais, da Niterói: revista brasiliense, em que o espírito romântico é exaltado. No entanto, o caráter reformador de seu pensamento não se concretiza em suas composições literárias. Após incursões nos gêneros lírico e dramático, em Confederação dos Tamoios - que se baseia no episódio real da história do Brasil, quando um grupo de tamoios confederados junta-se aos franceses na luta contra os portugueses no Rio de Janeiro e em São Paulo, em 1555 - Magalhães busca a afirmação da nacionalidade a partir da figura do índio, convertido em herói e símbolo da coletividade brasileira em oposição ao elemento lusitano, o colonizador.

Afora o indianismo, que vigora como fator comum aos românticos da primeira geração, a crítica de Alencar volta-se, sobretudo, para a conformação estética do poema, sua fraca musicalidade e unidade narrativa, além da "falta de arte" na descrição da natureza brasileira e dos costumes indígenas. Quanto ao tipo de composição adotado, critica-se ainda a escolha do modelo épico, afinal, conforme se afirma na segunda carta, "a forma com que Homero cantou os gregos não serve para cantar os índios".

Com isso, Alencar instaura como que uma segunda reforma romântica, em que ele próprio e o já consagrado Gonçalves Dias (1823 - 1864) surgem como nomes proeminentes da expressão literária nacional. Ao publicar as cartas em livro no mesmo ano da polêmica, Alencar de certa forma prepara o lançamento, no ano seguinte, de seu romance indianista fundamental: O Guarani, 1857. Por meio do romance - gênero mais afeito às aspirações expressivas da modernidade -, Alencar atesta as teses defendidas nas cartas e procura demonstrar que a obra de Gonçalves de Magalhães ainda estava muito atrelada às formas clássicas, apesar de historicamente ele ter sido o principal propagador das idéias românticas no Brasil.



Atualizado em 17/06/2010