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Polêmica Antonio Candido x Haroldo de Campos

Histórico
A Polêmica Antonio Candido x Haroldo de Campos tem como objeto de disputa a importância do barroco e seu lugar na história da literatura brasileira. O ponto de partida são as afirmações a respeito de Gregório de Matos (1636 - 1696) e o barroco brasileiro de forma geral contidas na introdução do livro Formação da Literatura Brasileira: Momentos Decisivos, de 1959, de autoria de Antonio Candido (1918). Em 1989, Haroldo de Campos (1929 - 2003) publica seu estudo O Sequestro do Barroco na Formação da Literatura Brasileira: O Caso Gregório de Matos, criticando a posição adotada por Candido.

Em seu texto, Antonio Candido estabelece uma distinção entre manifestações literárias e sistemas literários, com base em seu conceito de literatura como um sistema formado pela articulação entre autor, obra e público, todos cientes de seu papel, e que possui continuidade histórica, ou seja, forma uma tradição. As manifestações literárias, portanto, são obras que, apesar de possuírem seu valor, não fazem parte da tradição literária nacional, isto é, não influenciam os produtores posteriores a elas. O exemplo dado por Candido é o barroco, em especial o caso Gregório de Matos. Justificando por que não os tomaria como objeto de estudo, afirma que eles não representam um sistema, visto que, nessas fases iniciais da literatura nacional, há grandes entraves para a formação de grupos de produtores e para a elaboração de uma linguagem própria, além de não existir público coeso. Ao tomar Gregório de Matos como exemplo, diz que a existência literária desse autor está condicionada a seu descobrimento por parte dos românticos, ficando ele até então sem exercer influência sobre nenhum outro autor, ou seja, sem contribuir para a formação da literatura nacional.

Haroldo de Campos se contrapõe às afirmações de Candido declarando que a ideia de "formação" defendida por ele não passa de um construto teórico baseado numa lógica de exclusão e inclusão de textos. A entrada das obras na literatura brasileira está condicionada, de acordo com esse conceito, a sua correspondência a um paradigma preestabelecido de construção da identidade nacional. Afirma ainda que o ponto de vista adotado no livro Formação da Literatura Brasileira tem suas bases numa concepção metafísica de história, marcada por uma linearidade evolucionista. Em lugar disso, Campos defende o barroco como uma das constantes da sensibilidade brasileira e cita a importância de se criar uma tradição com base nele.

Essa polêmica não é "vencida" por nenhum dos dois pontos de vista nem tem fim. Ainda continua como discussão em aberto, com defensores de ambos os lados mantendo suas posições e atualizando o debate.



Atualizado em 14/06/2011