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Enciclopédia Itaú Cultural de Teatro
Boi Voador

Histórico

Coletivo de artistas multiexpressivos voltado, sobretudo, para a pesquisa da linguagem cênica, disseminador do conceito de teatro imagético nas décadas de 80 e 90.

O primeiro núcleo do grupo Boi Voador surge dentro do Centro de Pesquisa Teatral, CPT, de Antunes Filho, reunindo Ulysses Cruz, um dos assistentes do diretor e um conjunto de artistas que monta Velhos Marinheiros, baseado na obra de Jorge Amado, em 1985.

A boa acollhida do empreendimento leva seus integrantes a se desligarem do CPT e a incorporar outros artistas, originando uma nova formação. Desde sua fundação, o grupo orienta-se pela pesquisa da linguagem cênica, escolhendo preponderantemente materiais não dramáticos para fornecer a base das encenações. A montagem seguinte, O Despertar da Primavera, de Frank Wedekind, com direção de Ulysses Cruz, ocorre em 1986, novamente privilegiando as características imagéticas inerentes à obra. O grupo declara: "(...) Não queremos reproduzir: nossa arte sempre implicou em criação e recriação. A apropriação de sentidos interiores e exteriores, nacionais e internacionais, e posteriormente sua transformação em matéria-prima para nossos artistas e técnicos caracterizam essa não-reprodução do já-estabelecido, que julgamos fundamental em busca de um caminho próprio".1

Corpo de Baile, o estabelecimento de uma entropia sobre a obra de Guimarães Rosa, parece congregar e potencializar todas essas características, através de uma criação cheia de méritos que projeta o grupo nacional e internacionalmente. A presença da coreógrafa Deborah Colker junto à direção colabora para o resultado, meio caminho entre o teatro e a dança-teatro. A primeira versão estréia em 1988, percorrendo um grande circuito no país; uma segunda versão, montada especialmente para percorrer a Europa, estréia em Cádiz em 1992.

Desdobrando-se em diversos núcleos, o Boi Voador forma a base para a criação de Observatório, texto de Jayme Compri adaptado de Julio Cortázar, numa encenação de Beth Lopes. Outro conjunto, sob a direção de Gabriel Villela, encena O Concílio do Amor, de Oscar Panizza; enquanto Jayme Compri põe em cena Beatrícias: Cânticos aos Pedaços, todas montagens de 1989.

Em 1990, mais uma vez sob o comando de Ulysses, é criado Pantaleão e as Visitadoras, adaptação do texto de Mario Vargas Llosa, outro autor latino-americano que recria o clima feérico que marca a equipe.

Um novo núcleo leva à cena, em 1990, Um Meio e 3/Quartos, espetáculo de Maucir Campanholi, três cenas longas baseadas em materiais literários. Em 1992 a equipe embarca para a Europa, com as produções de Corpo de Baile II e El Señor Presidente, mais uma incursão sobre a realidade mágica da América Latina, uma co-produção com o Centro Latinoamericano de Creación e Investigación Teatral, Celcit que não chega a se apresentar no Brasil.

Entre seus fundadores e principais integrantes estão: Ulysses Cruz, Luis Carlos Rossi, Charles Roodi, Adão Filho, Antonio Calloni, Jayme Compri, Angela Barros, Alexandre Borges, Luis Tomas, Helio Cicero, Charles Lopes, Domingos Quintiliano, Fernanda Guerra, Silvana Funchal, Letícia Teixeira, Wladimir Mafra, Leal Baiolin e Domingos Fuschini, entre outros.

Sobre a trajetória do grupo, o crítico e teórico Edelcio Mostaço avalia: "O Boi Voador foi um celeiro de talentos e projetos. Guardando a inquietação originária do CPT, voltou-se para uma nova teatralidade, calcada quer sobre o realismo mágico latino americano quanto o forte imaginário brasileiro, não se intimidando diante de formas novas ou limites inexplorados. Mestre de efeitos cênicos inesperados e surpreendentes, Ulysses Cruz tirou partido tanto de um jorro d'água em Velhos Marinheiros, ao som de It's a Long Way, com Caetano Veloso, quanto de carretéis de fios elétricos à guisa de corcéis em Corpo de Baile. Sua imaginação desenfreada - transferida ao grupo sob o formato de instigantes desafios a serem vencidos - levou-os a interpretações mediadas pelo simbólico e o arquetípico, calcadas na fusão do lúdico com o rigor formal. Gregário por excelência, Ulysses foi um disseminador, colocando o boi para voar. Forjou sub-grupos, incentivou talentos, explorou potencialidades, tornando a década de 80 um dos pródigos períodos da cena brasileira".2

Notas

1. CRUZ, Ulysses. O espírito voador do Boi. In: PANTALEÃO E AS VISITADORAS. Direção Ulysses Cruz; texto Ulysses Cruz. São Paulo, 1990. Programa do espetáculo apresentado em 1990.

2. MOSTAÇO, Edelcio. O Boi Voador foi um celeiro. Florianópolis, nov. 2003. Parecer sobre o grupo Boi Voador escrito especialmente para a Enciclopédia de Teatro Itaú Cultural.



Atualizado em 16/10/2007
 
 
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  Rosa, Guimarães (1908 - 1967)