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Enciclopédia Itaú Cultural de Teatro
Teatro dos Sete

Data/Local 
1959/1965 - Rio de Janeiro RJ

Histórico
Em 1959, o diretor Gianni Ratto e os atores Fernanda Montenegro, Fernando Torres, Sergio Britto e Ítalo Rossi deixam o Teatro Brasileiro de Comédia e se associam para fundar, no Rio de Janeiro, o Teatro dos Sete. A companhia estréia com O Mambembe, de Artur Azevedo.

Marco na trajetória do Teatro dos Sete, O Mambembe alcança um nível de comunicação raro na história do teatro brasileiro. Segundo os críticos da época, um clima de alegria festiva toma conta do público na estréia do espetáculo, reflexo da integração entre a platéia e o palco, onde os atores parecem ter como subtexto seu próprio amor pelo teatro.

Em 1960, o segundo espetáculo do Teatro dos Sete, A Profissão da Senhora Warren, de Bernard Shaw, não alcança êxito semelhante ao do espetáculo de estréia. Em seguida a companhia investe em O Cristo Proclamado, de Francisco Pereira da Silva, uma peça de denúncia, realista e panfletária, que revela a política da fome no sertão do Piauí. A montagem, realizada no Copacabana Palace, limpa a caixa preta do palco de qualquer cenário, inclusive das cortinas, e desaparecem - rotunda, tapadeiras e pano-de-boca. O público não entende esta economia de meios como opção teatral e, considerando o espetáculo pobre de recursos, não comparece. Em Com a Pulga Atrás da Orelha, de Georges Feydeau, em 1960, a companhia recupera o sucesso, e o espetáculo faz longa carreira. Em 1961, depois de Apague Meu Spotlight, uma comédia de Jocy de Oliveira, a equipe monta O Beijo no Asfalto, de Nelson Rodrigues, com direção de Fernando Torres. Segue-se Festival de Comédia uma montagem premiada de três peças curtas: Os Ciúmes de Um Pedestre, de Martins Pena; O Médico Volante, de Molière, e O Velho Ciumento, de Cervantes. A partir de 1962, a produção da companhia se torna mais rarefeita, com apenas uma montagem por ano. Em 1965, encerra suas atividades depois da temporada de Antes Tarde...Do Que Nunca, de Summer Arthur Long.

O Teatro dos Sete é a única companhia da época que não adota como título o nome do ator de maior destaque. Dois dos sete artistas se afastam do projeto antes mesmo da estréia, mas a equipe mantém o nome: os sete, na verdade, são cinco. Outra particularidade do conjunto é que as peças não são escolhidas apenas em função da oportunidade que os papéis podem oferecer aos "primeiros atores" da companhia.

Como as companhias de seu tempo, o Teatro dos Sete não tem uma linha dramatúrgica definida, montando tanto clássicos - Carlo Goldoni, Molière - quanto modernos - Bernard Shaw, Luigi Pirandello; como também textos brasileiros - Nelson Rodrigues, Martins Pena. É, no entanto, o único conjunto que não segue a fórmula tebecista de alternar grandes obras da dramaturgia universal, que atraem menos espectadores, com textos comerciais, que permitem pagar os prejuízos da montagem anterior. Em compensação, as comédias, de Georges Feydeau a Martins Pena, ocupam seu repertório quase que com exclusividade. Segundo a pesquisadora Tania Brandão, esse procedimento mostra que a companhia, apesar de suas especificidades, não chega a se distinguir profundamente das demais companhias de atores de sua época. A luta pela conquista de público e a necessidade de sustentar elenco e equipe técnica não permitiam aos conjuntos profissionais suportar dois fracassos seguidos.

"O Teatro dos Sete, além disso, também teve seus segredos de bilheteria: seu ponto de partida foi a presença dos atores da televisão, fazendo teatro; a montagem de Feydeau, que funcionou, ficou em cartaz por tempo recorde (outubro de 1959 a julho de 1961); a comédia era o apoio do mercado, consolidado pelos antigos".1

Notas

1 BRANDÃO, Tania. As modernas companhias de atores. In: O TEATRO através da história. Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil, 1994. v. 2. p. 225-226.



Atualizado em 19/07/2011