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Enciclopédia Itaú Cultural de Teatro
Teatro Orgânico Aldebarã

Data/Local
1975/1981 - São Paulo SP

Histórico
Criado na década de 1970, este conjunto de artistas tem como características a produção cooperativada, a pesquisa de linguagens e a criação coletiva de seus espetáculos.

O nome Orgânico advém do conceito de Intelectual Orgânico elaborado pelo filósofo italiano Antonio Gramsci, com base no pensamento dialético, e Aldebarã é a estrela mais brilhante da constelação de touro, signo do líder do grupo, Antônio Fernando Negrini. Com Bia Cassis, Denise Yamamoto e Natalia Miranda, colegas desde a época de estudantes no Colégio de Aplicação e posteriormente na turma de ciências sociais da Universidade de São Paulo - USP, Antônio funda o Teatro Orgânico Aldebarã, que inicia sua trajetória em 1975 com o infantil A Cidade dos Artesãos, de Tatiana Belinky, encenada no antigo Teatro da Fábrica, atual Sesc Pompeia. Em 1978, cria Do Outro Lado do Espelho, baseado em Alice no País das Maravilhas, de Lewis Caroll, uma adaptação de Miguel Magno, Ricardo de Almeida e Celuta Machado. Sobre esse espetáculo, diz a pesquisadora Sílvia Fernandes: "Interessado em pesquisas de linguagem, o Aldebarã encenava uma obra de Lewis Caroll, também ela um exercício no campo formal. Na apresentação da peça, o elenco definia as propostas complexas que haviam norteado o trabalho de análise, tradução, adaptação e preparação do espetáculo, pondo em discussão questões de saber, lógica e linguagem, considerados dados culturais passíveis de relativização. A tentativa de ruptura teórica tinha contraponto criativo, pois o grupo assumia a coordenação e direção do espetáculo, a adaptação coletiva e a concepção e confecção conjunta dos figurinos, das máscaras e dos adereços".1 A crítica Mariangela Alves de Lima considera o resultado do espetáculo um "jogo de encaixes perfeitos", em que "as personagens são elaboradas com clareza e, inclusive, com uma certa rigidez. Não têm a pretensão de superar a imaginação criadora do espectador. Devem funcionar como um estímulo para novas e inesgotáveis associações [...]".2

Em 1979, o grupo realiza um projeto de teatro dirigido às escolas, com o espetáculo Souzalândia, de Antônio Francisco e Roberto Lage. Diferentemente dos três primeiros trabalhos da companhia, Quem Tem Medo de Itália Fausta?, também de 1979, não se baseia em uma obra literária pré-existente. Miguel Magno e Ricardo de Almeida, dois integrantes do grupo, inspiram-se na prática teatral do fim do século XIX e início do XX para escreverem a peça. Ao interpretá-la, os autores-atores revisitam vários gêneros que fazem parte da história do teatro desse período, como a comédia de costumes, o vaudeville, o melodrama e o teatro de revista, aproveitando "características pessoais para filtrar com inteligência e ironia o repertório familiar ao estudioso de teatro, elegendo Itália Fausta como símbolo de um período centrado na arte do ator".3 Pirlim, o espetáculo de 1981, é uma adaptação de Ricardo de Almeida e Miguel Magno para o conto Pirlimpsiquice, de Guimarães Rosa. A primeira parte do espetáculo é centrada na interpretação dos atores, com poucos objetos, para desembocar numa segunda, em que, ao contrário, surge um grande aparato cênico inspirado no universo circense. Ao criticar essa última realização do grupo, a pesquisadora Ilka Marinho Zanotto comenta sua trajetória: "Há sete anos e cinco espetáculos que o Aldebarã vem oferecendo às platéias paulistanas teatro de exceção. Reiteradamente premiado pela crítica e aplaudido pelo público, esse grupo de jovens universitários destaca-se de imediato pela seriedade da proposta - enraizada em teorias bem assimiladas -, pela criatividade das realizações, nas quais se alia, a ousadia de uma ótica insólita ao artesanato paciente das soluções cênicas inovadoras, e pelo profissionalismo absoluto de todos os envolvidos".4

Notas

1. FERNANDES, Sílvia. Grupos teatrais: anos 70. Campinas: Unicamp, 2000.

2. LIMA, Mariangela Alves de. Estímulo a novas associações. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 1 jul. 1978. p. 10.

3. FERNANDES, Sílvia. Grupos teatrais: anos 70. Campinas: Unicamp, 2000.

4. ZANOTTO, Ilka Marinho. Pirlim, hino de amor ao teatro. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 9 mai. 1981.



Atualizado em 22/06/2010
 
 
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  Belinky, Tatiana (1919 - 2013)
Rosa, Guimarães (1908 - 1967)