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Enciclopédia Itaú Cultural de Teatro
Teatro Ventoforte

Data/Local
1974/1979 - Rio de Janeiro RJ

1980 - São Paulo SP

Histórico
Grupo nascido no Rio de Janeiro na década de 1970, e radicado em São Paulo nos anos 1980. Criador de uma linguagem poética voltada para o sonho e a fantasia, inspira-se na arte popular e utiliza recursos artesanais.

Fundado em 1974 pelo diretor Ilo Krugli, argentino radicado no Brasil, e por Silvia Aderne, Caique Botkay, Silvia Heller, Beto Coimbra e Alice Reis, o Teatro Ventoforte possui uma estrutura comunitária, que exprime a vocação dos seus integrantes. O grupo acredita na potencialidade artística de qualquer ser humano, assuma ela uma expressão profissional ou não e se dedica com ênfase ao universo infantil, por meio da criação de espetáculos e de atividades integradas num projeto maior de educação.

Tendo em mira as culturas populares da América Latina, o Ventoforte, sempre sob a direção de Krugli, pauta seu trabalho pela exploração desse universo, sintonizado nos folguedos populares, mitos e histórias lendárias dos povos do continente. Em 1974, o grupo cria História de Lenços e Ventos, realização para qualquer idade, na qual os objetos ganham uma surpreendente capacidade de transformação, a montagem recebe o prêmio de melhor espetáculo infantil da Associação Carioca de Críticos Teatrais.

Em 1975, surge Da Metade do Caminho ao País do Último Círculo e, no ano seguinte, As Pequenas Histórias de Lorca, no qual recursos do teatro de animação ganham impulso e materializam as líricas evocações do autor espanhol. Na crítica ao espetáculo, Yan Michalski descreve: "A linguagem cênica leva às últimas conseqüências de expressão visual e auditiva as mais profundas sugestões poéticas do texto. [...] À contagiante alegria das danças que nos acolhem na entrada contrapõe-se o colorido preto e cinza das roupas. As quentes luzes coloridas contracenam com brutais golpes de uma luz impiedosamente branca e dura. Cantos de lamentos convivem com exuberantes sugestões sonoras da feira popular, obtidas seja através de recursos propriamente musicais - canto, violão - seja através do uso muito inventivo de toda espécie de objetos manejados em função do seu potencial sonoro. O saldo é exuberantemente positivo, não só pela admirável riqueza criativa e sensibilidade poética da encenação, mas também porque o elenco absorveu magnificamente a essência da proposta e respondeu com uma alma coletiva impressionantemente una".1

As realizações seguintes, Mistério das Nove Luas, de Ilo Krugli, Paulo César Brito e Sonia Piccinin, 1977; e Sonhos de Um Coração Brejeiro, de Ernesto Albuquerque, 1978, aproveitam contos e narrativas populares em espetáculos cheios de ritmo, cor e movimento.

Em 1980, o Ventoforte fixa-se em São Paulo e constrói um pequeno teatro na Rua Tabapuã, que logo reúne em torno de si uma legião de admiradores. Faz nova encenação de Lenços e Ventos, em 1980, e remonta A História de um Barquinho, em 1981, texto encenado por Ilo antes da fundação do grupo. Em 1983 nasce História de Fuga, Paixão e Fogo, de Alejo Carpentier, que novamente recorre a elementos naturais e lendas latino-americanas. Em meados da década 1980, o conjunto se consolida com a construção de três galpões-teatro: teatro dos pés (dança); teatro das mãos (bonecos), teatro dos olhos (teatro). Os portões desse espaço, no Itaim Bibi, são dedicados aos quatro elementos da natureza e o coreto, no centro, é batizado como Pátio do Coração. O espetáculo Labirinto de Januário, em 1985, já na nova sede, traz novo impulso criativo centrado na cultura nordestina.

Entre os participantes das várias fases do Ventoforte, encontram-se: Xuxa Lopes, David Tygel, Paulo César Brito, Sonia Piccinin, Marcia Corrêa, Ronaldo Mota, Thaia Perez, Graziela Rodrigues, Tião Carvalho, Marilda Alface, Roberto Mello, Paulo da Rosa e Dinho Lima.

Suas realizações vão, cada vez mais, deixando de classificar a platéia por faixas etárias, na certeza de que o poder da imaginação deve ser despertado em qualquer idade, através de múltiplos estímulos. Recorrendo à música, às histórias orais, ao uso de bonecos, a panos e objetos trabalhados artesanalmente, a brilho e alegria presentes na cultura popular, o grupo acredita no poder transformador da arte e na sua capacidade de mudar as normas de convivência.

O crítico Clóvis Garcia comenta as várias camadas de leitura que um espetáculo do Ventoforte pode propor: "Em A História de um Barquinho, o público menor encontra uma narrativa simples, de um pequeno barco preso à âncora, conseguindo libertar-se pelo auxílio da aranha, seguindo a correnteza do rio, encontrando a flor, a borboleta, os moinhos, chegando ao mar, aprendendo a usar a âncora e voltando à flor, tudo isso envolto num belo visual e expressão corporal, especialmente com a utilização das mãos, meio de jogo infantil. [...] Para os maiores, a história do aprendizado do uso da liberdade e, para os adultos, uma proposta mais profunda, do encontro de si mesmo e da realização pessoal".2

Na década de 1990, o grupo luta pela preservação de sua sede, sofrendo pressões políticas para desocupar o terreno em que está instalado e que fica próximo à ponte Cidade Jardim, uma das áreas mais valorizadas da cidade pela especulação imobiliária.

Notas

1. MICHALSKI, Yan. Pequenas Histórias de Lorca. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 1976, apud KRUGLI, Ilo; LARANJEIRAS, L. Carlos. Dez anos Teatro Ventoforte. Rio de Janeiro, 1984. Catálogo comemorativo.

2. GARCIA, Clóvis. A História de um Barquinho. Jornal da Tarde, São Paulo, 1981, apud KRUGLI, Ilo; LARANJEIRAS, L. Carlos. Dez anos Teatro Ventoforte. Rio de Janeiro, 1984. Catálogo comemorativo.



Atualizado em 21/09/2009
 
 
Veja na Web
 
  Teatro Ventoforte - site do grupo