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Enciclopédia Itaú Cultural de Teatro
Medeiros, Francisco (1948)

Biografia
Francisco Alberto Azevedo Medeiros (São Paulo SP 1948). Diretor. Encenador com marcantes trabalhos realizados nas áreas de teatro e dança, distingue-se pelo acabamento e precisão que imprime à cena. 

Ao mesmo tempo que conclui sua formação como diretor teatral na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP), Francisco Medeiros trabalha com dança, nos grupos Stagium, Ruth Rachou e Maria Duchenes. Sua primeira direção é Fando e Lis, de Fernando Arrabal, em 1972. Após diversos trabalhos de pesquisa em dança e teatro dirige, em 1977, Coragem, Antes que Nos Fechem Aqui Dentro, de Miguel Oniga, no Museu de Arte Moderna, no Rio de Janeiro (MAM/RJ).

O infantil Tronodocrono, de José Rubens Siqueira e Gabriela Rabelo, em 1983, projeta-o como um diretor sensível. No ano seguinte está em O Cárcere Secreto, também de José Rubens Siqueira, montado no Estúdio de Atores do Teatro Popular do Sesi (TPS), e em Simón, de Isaac Chocrón, apresentado no Teatro Brasileiro de Comédia (TBC).

Em 1984, encena um de seus maiores sucessos até hoje, Artaud, O Espírito do Teatro, colagem de textos do visionário homem de teatro francês organizada por José Rubens Siqueira, recebendo um Molière pela criação. Em 1986 cria, na Escola de Arte Dramática (EAD), Criança Enterrada, de Sam Shepard, solidificando seu prestígio. Em 1987 uma nova realização volta a projetá-lo: Depois do Expediente, texto sem palavras de Franz Xaver Kroetz, levando a atriz Ileana Kwasinski a receber o Molière do ano.

Junto a um grupo de artistas coordena, em 1990, o Projeto Maioridade de 68, no qual se distingue com a direção de Antares, de Alcides Nogueira, retratando os sonhos e expectativas daquela inquieta geração que marcou os anos 1960. Homeless, de Noemi Marinho, é mais uma encenação bem-sucedida, criada em 1991.

Em 1995 assina duas realizações notáveis: uma encenação de A Gaivota, de Anton Tchekhov, realizada nos porões do Centro Cultural São Paulo (CCSP), obtendo grande rendimento de um seleto grupo de atores e, com alunos da EAD, Marat-Sade, de Peter Weiss. Sherazade, de José Rubens Siqueira, devolve-o, em 1996, ao território das boas realizações infanto-juvenis; e, no ano seguinte, em outra de suas marcantes encenações, obtida a partir das entrevistas na obra de Nelson Rodrigues: Flor de Obsessão, com o grupo Pia Fraus Teatro, vencedora do Festival de Teatro Físico da Cultura Inglesa e, deslocada para Edimburgo, obtém o Angel Award do Fringe Festival. No mesmo ano produz uma primeira versão para Avesso, de David Mamet; retomada em 2002 com o título de Uma Vida no Teatro, com Umberto e Beto Magnani. Suburbia, de Eric Bogosian, é outra incursão que chama atenção na temporada de teatro infanto-juvenil de 2001. Em 2002, dirige, para o TPS, Hamlet, de William Shakespeare.

Na área de dança, Francisco Medeiros está à frente de algumas expressivas criações, como Iribiri, dele e José Rubens Siqueira, coreografado por Sonia Motta, para a Cisne Negro Companhia de Dança, em 1982; e O Reino do Meio-Dia, de Antonio Nóbrega, criado em 1987.

Entre 1979 e 1981, Francisco Medeiros trabalha no Theatre for Latin America, de Nova York, onde dirige o festival de 1980. Ocasião em que realiza, entre outros, cursos e oficinas com destacados nomes da criação cênica, como Peter Brook; Meredith Monk, Lucinda Child e Trisha Brown; Bill Groves; e Lee Breuer e Joanne Akalaitis, integrantes do Mabou Mines, além do Bread And Puppet Theatre. Além da direção de teatro e dança, distingue-se ainda como iluminador de inúmeras realizações e assina a encenação da ópera Eugene Oneguin, de Tchaikovsky, realizada em 1995. Entre 1978 e 1980, torna-se crítico de teatro para crianças do Jornal da Tarde de São Paulo.

Segundo o dramaturgo José Rubens Siqueira, seu parceiro constante de trabalho, "a originalidade do teatro de Francisco Medeiros está num paradoxo: seus espetáculos partem de um achado sutil, de um viés de olhar capaz de atribuir uma fascinante estranheza até o mais banal dos assuntos. Essa abordagem fina, quase incorpórea, porém, é trabalhada corporalmente com os atores até atingir o paroxismo da sensação, física e emocional.

Chico Medeiros trabalha a obra teatral no corpo e na alma dos intérpretes, evitando a todo custo desenhar o corpo do espetáculo no espaço cênico. Assim, a encenação resulta sempre do movimento mais íntimo e genuíno do intérprete. O traço mais marcante de seu trabalho é a elegância de sua contemporaneidade, na linha contrária da contemporaneidade explícita e vulgar do teatro formalista da virada do século XX".1

Notas
1. SIQUEIRA, José Rubens. Depoimento cedido a pesquisadora Johana Albuquerque. São Paulo, dez. 2002.



Atualizado em 24/08/2011