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Enciclopédia Itaú Cultural de Teatro
Possolo, Hugo (1962)

Biografia

Hugo Possolo de Soveral Neto (Vitória ES 1962). Diretor, autor e ator. Artista polivalente, destacando-se como clown, diretor e autor, um dos criadores do grupo Parlapatões, Patifes & Paspalhões. Torna-se um renovador na arte dos palhaços e inventivo criador de espetáculos marcados por este viés.

Enquanto cursa comunicação social e história na Universidade de São Paulo, USP, Hugo aprende técnicas circenses no Circo-Escola Picadeiro. Suas primeiras incursões no teatro, ainda acanhados exercícios em busca de um estilo, ocorrem em 1984, com Quando Tenho Razão Não É Culpa Minha, direção de Arthur Leopoldo e Silva e, em 1986, diversos esquetes realizados no Circo-Escola Picadeiro.

Após mais algumas realizações funda, juntamente com Alexandre Roit, em 1991, o grupo Parlapatões, Patifes & Paspalhões, lançando Bem Debaixo de Seu Nariz; e, no ano seguinte, o espetáculo que batiza e dá nome ao grupo, logo reconhecido pela crítica. Em 1993 surge Sardanapalo, direção de Carla Candiotto e, em 1995, Zérói, texto e direção do próprio Hugo.

Em 1996, reunindo material de origem medieval, lança U Fabuliô, série de pequenas histórias cheias de verve e alegria, em longas excursões pelo país. Uma homenagem ao grande palhaço Piolim, dirigida em 1997 por Neyde Veneziano, oferece a Hugo a possibilidade de recriar esse magnífico intérprete associado à Semana de Arte Moderna de 1922. Pelo evento Vamos Comer o Piolim, ganha o grande prêmio da crítica da Associação Paulista de Críticos de Arte, APCA.

Em 1998, o grupo estréia ppp@WllmShkspr.br, uma colagem efetuada por Jess Borgeson sobre as mais importantes obras de William Shakespeare, realização dirigida por Emílio Di Biasi, que permite a Hugo demonstrar suas muitas facetas de intérprete e comediante. Em 1998 lança, como autor, Não Escrevi Isto, ao mesmo tempo que dirige uma versão compacta de A Flauta Mágica, de Mozart. Em 1999, um novo texto seu é conhecido: Poemas Fesceninos, abordando poesias medievais de cunho escatológico. No mesmo ano está em Mistérios Gulosos, de Mário Viana, nova realização do grupo Parlapatões; e na direção de Farsa Quixotesca, grande painel sobre a obra de Cervantes que envolve o grupo Pia Fraus Teatro em sua realização, projeto patrocinado pelo Sesc São Paulo, que lhe confere os prêmios APCA e Panamco de melhor autor.

Em 2001, o grupo retoma Sardanapalo, para apresentar uma nova e mais instigante versão e lançar Pantagruel, ambicioso projeto baseado em Rabelais que demandou dois anos de pesquisas, obtendo grande repercussão junto à imprensa.

Analisando a realização de Pantagruel, o crítico Kil Abreu registra: "As imagens hiperbólicas colhidas na pesquisa do grupo ganham na dramaturgia de Mário Viana e Hugo Possolo uma versão redonda, deliberadamente impura, com trajetória clara e grande poder de provocação da platéia, em fábula que projeta a crítica da vida social nas entrelinhas do efeito cômico. (...) Além do inegável talento na provocação do riso que não se nega à reflexão, o melhor dos Parlapatões, reafirmado neste Pantagruel, é a porta de casa sempre aberta à platéia, em um jogo cujas cartas são a sátira e a ironia, e o coringa é alguma surpresa na manga, pronta para a próxima jogada".1

Notas

1. ABREU, Kil. Parlapatões ficam entre prazer e razão. Folha de S.Paulo, São Paulo, 1 fev. 2001. Ilustrada.



Atualizado em 11/10/2007