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Enciclopédia Itaú Cultural de Teatro
Souza, Naum Alves de (1942)

Biografia
Naum Alves de Souza (Pirajuí SP 1942). Diretor, autor, cenógrafo e figurinista. Homem de teatro ligado a múltiplas atividades, não apenas no campo do teatro como também da televisão, cinema e ópera.

Muda-se para São Paulo aos 18 anos de idade, onde, pouco depois, começa a dar aulas de educação artística e iniciação às artes plásticas para crianças e adolescentes. Com alguns alunos da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), abre o Pod Minoga Studio, um centro de pesquisas de linguagem cênica que, nos anos 1970, causa furor e torna-se um fenômeno cult.

Sua estréia profissional fora desse grupo se dá como cenógrafo e figurinista de El Grande de Coca-Cola, um musical americano dirigido por Luís Sérgio Person no Auditório Augusta, em 1974. Logo a seguir, executa os bonecos de Vila Sésamo, programa infantil da TV Cultura de enorme sucesso. Aos poucos vai se desdobrando em múltiplas atividades. Como autor escreve e dirige Maratona, 1977; No Natal a Gente Vem Te Buscar, 1979; A Aurora da Minha Vida, 1981; Um Beijo, um Abraço, um Aperto de Mão, 1984. Fazendo um perfil analítico sobre a produção teatral na década de 1980, escreve o crítico Yan Michalski: "A dramaturgia está sendo, sem dúvida, o elemento do teatro mais sacrificado [...] Apenas um autor de personalidade já claramente formada surgiu e firmou-se no panorama: Naum Alves de Souza, que através de uma interessante trilogia - No Natal a Gente Vem Te Buscar; A Aurora da Minha Vida; Um Beijo, um Abraço, um Aperto de Mão - enfrenta corajosamente os seus fantasmas do passado, oriundos de uma formação pequeno-burguesa e religiosa, conservadora e preconceituosa".1

Seguem-se Nijinski, ainda em 1984, e Suburbano Coração, com músicas de Chico Buarque, em 1989. Através dessas realizações, Naum constrói uma sólida, reconhecida e premiada carreira como autor, que prossegue anos depois com Água Com Açúcar, em 1995; Strippers, em 1997; além de inéditas, entre as quais Ódio a Mozart e As Festas do Amigo Secreto.

Como diretor, além de encenar seus próprios textos, destaca-se nas montagens de Cenas de Outono, de Yukio Mishima, tendo Marieta Severo à frente do elenco, em 1987; Lulu, de Frank Wedekind, com Maria Padilha no papel central, em 1989; Longa Jornada de Um Dia Noite Adentro, de Eugene O'Neill, com Sergio Britto e Cleyde Yáconis, em 2002. No ano seguinte, dirige A Flor do Meu Bem Querer, de Juca de Oliveira, superprodução sobre corrupção política no Brasil, em 2003.

Sua colaboração para espetáculos alheios, na direção, roteirização, cenografia e figurinos é igualmente insuflada de criatividade, exemplo disso são os cenários e figurinos de Falso Brilhante, show de Elis Regina; e, sobretudo, Macunaíma, espetáculo internacionalmente consagrado, dirigido por Antunes Filho, em 1978. Em 1983, roteiriza O Grande Circo Místico, espetáculo de dança sobre trilha sonora de Chico Buarque e Edu Lobo, dirigido por Emílio Di Biasi para o Teatro Guaíra de Curitiba; adapta e dirige Dona Doida, sobre poemas de Adélia Prado, espetáculo consagratório da atriz Fernanda Montenegro, em 1990. No mesmo ano, faz ainda a adaptação de texto e direção de Big Loira, contos de Dorothy Parker, em montagem que destaca Cristina Mutarelli. Em 1997, faz a direção cênica do espetáculo de dança Muito Romântico, novas versões das canções do Roberto Carlos, com coreografias de Susana Yamauchi, em parceria com João Maurício, espetáculo que faz consecutivas viagens ao exterior.

Na área da ópera cria Ópera do 500, Os Pescadores de Pérolas e King Arthur, no Teatro Municipal de São Paulo, Janufa, de Leos Janácek, além de versões compactas para Carmen e Mme. Butterfly. Na área da dança cria alguns espetáculos memoráveis, especialmente para o desempenho de J. C. Violla, entre os quais Senhores das Sombras, Valsa para Vinte Veias, Flippersports, Petruchka, Salão de Baile e Doze Movimentos para Um Homem Só. Escreve o roteiro de Romance da Empregada, filme de Bruno Barreto, em 1986. Na TV, dirige um sitcom à brasileira, A Guerra dos Pintos, na Bandeirantes, em 1999.

Sobre seu trabalho, o crítico José Castello não esconde seu entusiasmo: "A melhor imagem para a obra de Naum Alves de Souza pode ser a de um artista que vaza os olhos para ver melhor, porque deseja ver tudo e não apenas os espaços delimitados pela visão.[...] A pulsação delicada, quase castiça, que ele injeta em suas montagens não esgota, apenas insinua o vigor que lateja em tudo o que faz".2

Notas
1. MICHALSKI, Yan. Perfil Artístico dos Anos 80. Rio de Janeiro, Texto impresso, s/ data.

2. CASTELLO, José. As muitas paixões de Naum. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 5 dez. 1987. Caderno B, p. 5.



Atualizado em 03/02/2011
 
 
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  Castello, José (1951)
Prado, Adélia (1935)