lista alfabética
busca

 
       
 
 
  biografia
cronologia
fontes de pesquisa

    espetáculos

    sugestões

 

 
Enciclopédia Itaú Cultural de Teatro
Loureiro, Oswaldo (1932)

Biografia

Oswaldo Loureiro Filho (Rio de Janeiro RJ 1932). Ator. Intérprete de personagens determinantes da dramaturgia brasileira - Papa Highirte, Cristal, Paco, Creonte -, Oswaldo Loureiro tem na bagagem mais de 140 peças, entre papéis cômicos e dramáticos, atuando também no cinema e na TV.

Suas primeiras experiências como ator acontecem no Teatro Duse, de Paschoal Carlos Magno. Estréia profissionalmente em Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues, em 1955, com a companhia de Henriette Morineau, sob a direção de Léo Jusi. No ano seguinte participa do elenco de Otelo, de William Shakespeare, pela Companhia Tônia-Celi-Autran, CTCA, com direção de Adolfo Celi, onde faz uso de sua habilidade como esgrimista. Permanece na companhia até o último espetáculo, atuando em nove produções.

Em 1958 recebe o prêmio da Associação Brasileira de Críticos Teatrais, ABCT, de ator revelação por A Fábula do Brooklin, de Irwin Shaw, dirigido por Geraldo Queirós.

Na década de 60 trabalha em dois espetáculos do Teatro dos Sete, Com a Pulga Atrás da Orelha, de Georges Feydeau, direção de Gianni Ratto, 1960, e Beijo no Asfalto, de Nelson Rodrigues, direção de Fernando Torres, 1961. Com o fim da CTCA, vai para São Paulo, onde integra o elenco de A Ópera dos Três Vinténs, de Bertolt Brecht, uma direção de José Renato para o Teatro Ruth Escobar, em 1964. Em 1966, de volta ao Rio de Janeiro, com o Grupo Opinião, está em Se Correr o Bicho Pega, Se Ficar o Bicho Come, de Oduvaldo Vianna Filho e Ferreira Gullar, mais uma direção de Gianni Ratto. Em 1967, volta ao lado de Paulo Autran, em Édipo Rei, de Sófocles, direção bem-sucedida de Flávio Rangel.

A década de 70 lhe oferece os melhores personagens, todos de dramaturgos brasileiros: interpreta Creonte de Gota d'Água, de Chico Buarque e Paulo Pontes, Cristal de A Longa Noite de Cristal, de Oduvaldo Vianna Filho (Vianinha), Paco de Dois Perdidos Numa Noite Suja, de Plínio Marcos, todos em 1976, e protagoniza Papa Higuirte, uma das personagens mais densas de Vianinha.

Durante nove anos é dirigente sindical, chegando à presidência do Sindicato dos Artistas depois de lutar pelo reconhecimento da profissão de ator e pela subvenção do Estado ao teatro, sem o que, segundo ele, o teatro estaria condenado a comédias comerciais.

Em 1982, o desempenho em Motel Paradiso, segunda comédia de Juca de Oliveira, rende-lhe o Prêmio Mambembe de melhor ator. Segundo o crítico Flávio Marinho, "Oswaldo Loureiro, totalmente à vontade na pele de um inescrupuloso banqueiro, confere um delicioso tom de cafajeste a personagem, que cai como uma luva e arranca as melhores gargalhadas da noite".1 Em 1983, atua em Vargas, de Dias Gomes e Ferreira Gullar, mais uma vez sob a direção de Flávio Rangel.

Em 1990, dirige o texto Baixa Sociedade, de Juca de Oliveira. No ano seguinte, assume a direção do Teatro Guaíra, em Curitiba. Com o projeto Teatro para o Povo, desenvolvido durante dois anos e meio, realiza mais de 1.700 apresentações, conquistando um público de 700 mil espectadores. Volta a atuar no Rio de Janeiro em O Doente Imaginário, de Molière, com direção de Moacyr Góes, em 1996. Em A Profissão da Senhora Warren, de Bernard Shaw, dirigido por Eric Nielsen, está ao lado de Jacqueline Laurence e Othon Bastos, em 1998. Dois anos depois, volta a trabalhar com o diretor Moacyr Góes, em Bonitinha, mas Ordinária, de Nelson Rodrigues.

Oswaldo também dirige peças teatrais, óperas, shows musicais, shows de humor e espetáculos. Atua em cinema e faz vários trabalhos em televisão como ator e diretor.

O ator Chico Anysio, para quem dirige uma série de shows, dá seu depoimento sobre o companheiro de trabalho: "Quando eu conheci o ator Oswaldo Loureiro, a quem sempre considerei um dos melhores do Brasil, descobri um amigo. Convivendo com o amigo, achei o Diretor. Mas não é por amizade que não quero outro a me dirigir no palco - é por respeito. Loureiro é o complemento melhor do meu trabalho. E não é apenas pelo talento mas, principalmente, pelo empenho. É como se estivesse disputando uma final da Copa do Mundo. E me mostrem que faça uma luz mais funcional para um show. E me apontem quem entenda mais de timing. E me digam que saiba escolher melhores profissionais para realizar um espetáculo. Não. Loureiro não trabalha profissionalmente. Ele é um amador, no seu serviço, por tanto amor que ele põe no que faz. Estamos no quarto espetáculo, Loureiro, e, pelo menos até o décimo, estamos aí".2

Notas

1. MARINHO, Flávio. Crítica de Motel Paradiso. Rio de Janeiro, recorte de jornal sem referências, 1982.

2. ANÍSIO, Chico. Depoimento sobre Oswaldo Loureiro. Rio de Janeiro, Programa do espetáculo No Quarto Com Chico Anísio, 1975.



Atualizado em 07/06/2010
 
 
Veja nas
Enciclopédias
 
  artes visuais - artistas
  Gullar, Ferreira (1930)

 
  literatura - nomes
  Gullar, Ferreira (1930)
Rangel, Flávio (1934 - 1988)