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Enciclopédia Itaú Cultural de Teatro
Medina, Márcio (1955)

Biografia
Márcio Munhóz Medina (São Paulo SP 1955). Cenógrafo e figurinista. Artista de vasta inventividade, transita pelo erudito e o popular com considerável assiduidade, colaborador constante de várias companhias e um dos diretores de arte mais requisitados em São Paulo a partir da década de 1990.

Após cursar a Escola Paulista de Belas Artes, em 1978, forma-se em comunicação visual em 1980 e em propaganda e marketing em 1981.

Sua participação como cenógrafo e diretor de arte na área teatral inicia-se em 1976, com a realização de A Ópera dos Três Vinténs, de Bertolt Brecht, direção de Antonio Mercado. Trabalha em duas encenações de Marcio Aurelio, Hamlet, de William Shakespeare, e Divina Encrenca, de Geraldo Carneiro, ambas de 1981. No ano seguinte, confecciona os cenários de Aviso Prévio, de Consuelo de Castro, uma direção de Francisco Medeiros.

Othello, de William Shakespeare, encenado por Juca de Oliveira, em 1983, conta com sua participação. Cria o ambiente para a leitura de O Homem e o Cavalo, de Oswald de Andrade, direção de José Celso Martinez Corrêa, para um ciclo de leituras de textos brasileiros, em 1984.

Para Meu Tio, o Iauaretê, de João Guimarães Rosa, espetáculo de Roberto Lage que destaca o ator Cacá Carvalho, em 1986, trabalha com a limpeza espacial e a sugestão dos climas inerentes ao sertão. Bem ao contrário do sofisticado cabaré elaborado para Emoções Baratas, espetáculo de dança criado por José Possi Neto, em 1987. Dois anos após elabora uma bela visualidade para Peer Gynt, de Ibsen, nova direção de Roberto Lage. Em 1990, com Cibele Forjaz, sugestiona o labirinto do Minotauro, com impactante força visual, para O Lamento de Ariadne, de Beatriz Azevedo.

O ambiente prisional de Plínio Marcos ocupa-o em 1991, em Pontedera, Itália, com a realização de 25 Homens, nova parceria com Cacá Carvalho, agora sob a direção de Roberto Bacci.

Novamente no Brasil, cria os ambientes para o espetáculo de Ivaldo Bertazzo: Luz Calma e Volúpia, em 1991. Perdidos na Praia, texto de Leo Lama dirigido por Fauzi Arap, conta com a sua participação em 1994. No ano seguinte, ambienta a realização de Verás Que É Tudo Mentira, de Reinaldo Maia. Trabalhos na Itália, colaborando com Roberto Bacci, alternam-se com criações no Brasil, na época. Em 1996, novamente com Fauzi Arap, está em a Quarta Estação, de Israel Horowitz, e Frida Kahlo, texto de Fauzi e Ricardo Halac.

Com a Companhia do Latão faz Ensaio para Danton, baseado em Georg Büchner, em 1997. Na Itália, cria novamente para Roberto Bacci Uma Vida Defeituosa, em 1997, e Caixa Dois, de Juca de Oliveira, no Brasil. Em 2000, participa de diversos projetos, com destaque para: Sacromaquia, de Antônio Rogério Toscano, direção de Maria Thaís, em que arrebata o Prêmio Shell de melhor cenógrafo; A Comédia do Trabalho, com a Companhia do Latão; Fim de Jogo, de Samuel Beckett, direção de Francisco Medeiros. Em 2001, em Minas Gerais, cria os espaços para Um Trem Chamado Desejo, criação do Grupo Galpão e direção de Chico Pelúcio, recebendo novamente o Shell de melhor cenografia do ano.

Em 2002, está em Hamlet, nova encenação de Francisco Medeiros para o Teatro Popular do Sesi (TPS), e A Casa Antiga, montagem de Ruy Cortez. Sobre esse trabalho comenta a crítica Mariangela Alves de Lima: "O mesmo procedimento orienta a bela cenografia de Márcio Medina, que dá à casa onde se abriga o espetáculo um tratamento inspirado nas antigas moradias rurais brasileiras. Nada é óbvio ou literal e todos os ícones desse modo de vida são estetizados, embelezados por uma visão idealizada do arcaico. Os oratórios não são apenas lugar de penitência e devoção, mas nichos onde se realizam o desejo de beleza (e de poder, no caso da mãe) dessas criaturas que vivem entre a enxada e a cozinha. Por extensão, a cenografia nos remete à função da religiosidade nas comunidades agrárias. É uma cenografia que faz justiça ao real - lembra o passado histórico da família brasileira - e ao surreal, porque nela as plantas farfalham, os baldes refletem, as portas são pontos de uma fuga possível. Um lugar para poucos, não mais do que 15 espectadores por noite, que merece ser visitado".1

Em 2003, é um dos representantes do Brasil na Quadrienal de Cenografia de Praga.

Medina é também colaborador assíduo do Centro de Pesquisa e Experimentação de Pontedera, um dos mais importantes centros de criação teatral italiano, continuador dos princípios de Gerzy Grotowski.

Notas
1 . LIMA, Mariangela Alves de. Todos os Encantos de um Espetáculo Antiquado. São Paulo, O Estado de S. Paulo, Caderno 2, 14 jun. 2002.



Atualizado em 24/08/2011
 
 
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