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Enciclopédia Itaú Cultural de Teatro
Magnani, Umberto (1941)

Biografia

Umberto Magnani Netto. (Santa Cruz do Rio Pardo SP 1941). Ator e produtor. Com intensa atividade em teatro, é ator premiado, marcando presença na cena nacional não somente como intérprete, mas também como realizador dos espetáculos em que atua.

Em sua cidade de origem faz vários peças infantis e participa dos autos de Natal, no papel de menino Jesus. Em 1965 inicia curso de interpretação na Escola de Arte Dramática - EAD, em São Paulo. Dentro deste período de formação participa de montagens com direção de Alfredo Mesquita, tendo sido dirigido também por Antunes Filho, em A Falecida, de Nelson Rodrigues, 1965. Dois anos depois, ainda na EAD, faz um exame de comédia em Este Ovo É Um Galo, de Lauro César Muniz, com direção de Silnei Siqueira. Ruth Escobar assiste ao espetáculo e convida quatro integrantes para remontá-lo profissionalmente no Teatro Ruth Escobar, estreando em 1968. No mesmo ano, segue para o Teatro de Arena, substituindo Antonio Fagundes em Primeira Feira Paulista de Opinião, de Lauro César Muniz, Bráulio Pedroso, Jorge Andrade, Gianfrancesco Guarnieri, Plínio Marcos e Augusto Boal, com direção de Boal. Mantém-se no núcleo em Mac Bird, de Barbara Garson, outra direção de Boal. Faz assistência de direção para Silnei Siqueira na montagem de Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto, pela companhia de Paulo Autran, que estréia em Curitiba, seguindo depois para São Paulo, em 1969. No ano seguinte, em Língua Presa e Olho Vivo, de Peter Shaffer, faz assistência de direção para Emílio Di Biasi. Ainda em 1970, atua em Cidade Assassinada, de Antônio Callado, com direção de Antonio Petrin, numa produção do Grupo Teatro da Cidade, que estréia no aniversário de Santo André; e integra o elenco de Macbeth, de William Shakespeare, numa direção de Fauzi Arap.

Sua primeira produção em teatro ocorre em 1971, com Palhaços, texto de Timochenco Wehbi, também dirigida por Biasi. Faz uma incursão como ator no Theatro São Pedro, em Frank V, de Friedrich Dürrenmatt, sendo dirigido por Fernando Peixoto, em 1973. No ano seguinte, participa de Um Homem Chamado Shakespeare, de Barbara Heliodora e Ana Amélia Carneiro de Mendonça, uma direção de Antonio Ghigonetto e Bárbara Heliodora.

Em 1976, está em Concerto nº 1 para Piano e Orquestra, de João Ribeiro Chaves Neto, espetáculo com direção de Sérgio Mamberti. Destaca-se como ator em 1977, em O Santo Inquérito, de Dias Gomes, direção de Flávio Rangel. Em 1979, atua e produz Mocinhos Bandidos, com autoria e direção de Fauzi Arap.

Ganha Troféu Mambembe e Prêmio Molière de melhor ator em 1981, por sua atuação em Lua de Cetim, de Alcides Nogueira, com direção de Marcio Aurelio. Na crítica ao espetáculo, elogia Sábato Magaldi: "Umberto magnani aproveita amelhor oportunidade que teve como ator e vive um Guima comovido, mentindo-se no fracasso e bebida, marcado pela tragédia".1

Em 1985, chama atenção novamente em Louco Circo do Desejo, de Consuelo de Castro, uma direção de Vladimir Capella. Recebe o Troféu Mambembe e o Prêmio Governador do Estado de melhor ator em Às Margens do Ipiranga, texto e direção de Fauzi Arap, em 1988. No ano seguinte, participa de Jesus Homem, autoria e direção de Plínio Marcos. Recebe o Prêmio Governador do Estado novamente em 1989, agora em Nossa Cidade, de Thornton Wilder, direção e adaptação de Eduardo Tolentino de Araújo, numa produção do Grupo TAPA.

Na década de 90, atua em A Guerra Santa, de Luís Alberto de Abreu, direção de Gabriel Villela, 1993; Tartufo, de Molière, direção de José Rubens Siqueira, em Fragmentos e Canções, colagem de trechos de peças de vários autores nacionais, outra direção de Tolentino, espetáculo comemorativo de 15 anos do Grupo Tapa e em O Jogo, inspirado em Esperando Godot, de Samuel Beckett, autoria e direção de Reinaldo Maia, todos em 1994. É dirigido por Francisco Medeiros em Uma Vida no Teatro, de David Mamet, que ganha o nome de Avesso na montagem brasileira, com tradução de Edla Van Steen, em 1996. Neste espetáculo, atua ao lado do filho Beto Magnani, discutindo a relação entre dois atores nos bastidores de um teatro. Por vários anos, pai e filho percorrem cidades do interior de São Paulo e do Brasil com esta montagem.

Em muitos de seus espetáculos como intérprete, atua também como produtor. É o caso de Palhaços,1970 ; Mocinhos Bandidos, 1979; Lua de Cetim, 1981; Cabeça e Corpo, 1983; Louco Circo do Desejo, 1985; O Jogo, 1994; e Uma Vida no Teatro, 1996.

Como homem de teatro, assume não só funções artísticas, mas também atua em direção de produção e administração de vários espetáculos, dentre eles: A Capital Federal, de Artur Azevedo (1855 - 1908), direção de Flávio Rangel, produção de Cleyde Yáconis, 1972; Reveillon, de Flávio Márcio, direção de José Renato; 1975; O Santo Inquérito, de Dias Gomes, direção de Flávio Rangel; 1977; Honra, de Joanna Murray-Smith, direção de Celso Nunes; 1999.

Umberto Magnani tem intensa atividade didática, política e administrativa na área, sendo diretor da Associação dos Produtores de Espetáculos Teatrais do Estado de São Paulo, Apetesp, entre os anos de 1972 e 1988; diretor regional em São Paulo da Fundação Nacional de Artes Cênicas, Fundacen, do Ministério da Cultura de 1977 a 1990; presidente da Comissão de Teatro da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, em 1985 ; membro da Comissão de Reconhecimento dos Cursos de Artes Cênicas em São Paulo do Ministério da Educação, MEC, em 1987 e1988; membro do Conselho Diretor do Laboratório Cênico de Campinas, da Prefeitura Municipal de Campinas em 1988 e1989; coordenador das oficinas de Teatro Comunitário do Programa Universidade Solidária de 1996 e 1999. É Secretário da Cultura e Turismo em Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, nos anos de 2001 e 2002.

Umberto Magnani trabalha continuamente em televisão, tendo também algumas incursões no cinema nacional.

Notas

1. MAGALDI, Sábato. Uma visão tema de confronto, cicatrizes e frustrações de uma vida menor. Jornal da Tarde, São Paulo, 27 nov. 1981, p. 18.



Atualizado em 09/06/2010
 
 
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  Azevedo, Artur (1855 - 1908)
Melo Neto, João Cabral de (1920 - 1999)
Rangel, Flávio (1934 - 1988)