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Enciclopédia Itaú Cultural de Teatro
Bivar, Antônio (1939)

Biografia

Antônio Bivar Battistetti Lima (São Paulo SP 1939). Autor. Integra o movimento dos novos dramaturgos do fim dos anos 60 e traz nova temática, personagens e situações para o teatro brasileiro ao empregar um humor mordaz, irônico e, não raro, raivoso.

Inicia a carreira n'O Tablado do Rio de Janeiro e forma-se como ator pelo Conservatório Nacional de Teatro. Monta a primeira peça no Rio de Janeiro, em 1967, escrita em parceria com Carlos Aquino: Simone de Beauvoir Pare de Fumar, Siga o Exemplo de Gildinha Saraiva e Comece a Trabalhar, na qual apresenta o feminismo sob uma ótica bem-humorada. Sua criação seguinte é O Começo É Sempre Difícil, Cordélia Brasil, Vamos Tentar Outra Vez, com cena de um nada usual triângulo amoroso, premiada no 1º Seminário de Dramaturgia do Rio de Janeiro, ainda em 1967.

No ano seguinte, após certa batalha contra a Censura, a peça estréia no Rio de Janeiro com Norma Bengell no papel-título, sob a direção de Emílio Di Biasi: e, logo a seguir, em São Paulo, onde alcança amplo sucesso. Também em 1968, Abre a Janela e Deixa Entrar o Ar Puro e o Sol da Manhã, com produção do Teatro Maria Della Costa, TMDC, e direção de Fauzi Arap, é montada em São Paulo. Em 1969, surge O Cão Siamês, em mais uma montagem de Emílio Di Biasi, que é retrabalhada para uma versão carioca intitulada Alzira Power, e dirigida por Antônio Abujamra em 1970. Ambas as montagens contam com a explosiva interpretação de Yolanda Cardoso como a enfurecida mulher que recebe a visita de um vendedor de enciclopédias.

Em 1970, Bivar vai para Londres, Dublin e Nova York, quando se familiariza com os movimentos de contracultura, as comunidades hippies e a música pop. A repercussão dessa vivência está em Longe Daqui, Aqui Mesmo, peça escrita em Nova York e estreada no Rio de Janeiro em 1971, novamente uma direção de Abujamra, que retrata a falta de rumos da geração hippie. Após dirigir shows musicais (Drama, de Maria Bethânia, e Tutti Frutti, de Rita Lee), lança em São Paulo, em 1976, a sofisticada comédia Gente Fina É Outra Coisa, escrita com Alcyr Costa. Mesmo ano em que escreve Quarteto, encomendada por Ziembinski para a celebração de despedida do palco desse consagrado diretor e ator.

Viajando ou atuando como jornalista, há tempos longe dos palcos, Bivar estréia em São Paulo, em 1984, A Passagem da Rainha, escrita em 1968/1969 e proibida pela Censura. Em 1987, é a vez de Alice, que Delícia, protagonizada por Maria Della Costa, outra comédia sem pretensões.

Nos anos 90 Bivar dedica-se, em parceria com Celso Luiz Paulini, a criar um grande painel dramatúrgico e trabalha num ciclo de peças musicadas sobre a história do Brasil, desde antes da descoberta portuguesa, até o fim da Era Vargas, interrompido pela morte de Paulini. As Raposas do Café, vencedora do Concurso de Dramaturgia do Teatro Carlos Gomes, é montada pelo Grupo TAPA, em 1990. As duas outras peças desse ciclo histórico não foram montadas profissionalmente.

Bivar é autor dos livros O Que É Punk, 1982; James Dean, 1983; Verdes Vales do Fim do Mundo, 1985; e uma peça inédita - Novela das Nove, 1978.

Segundo o crítico Yan Michalski: "A carreira desigual de Bivar torna-o um autor controvertido. Na fase inicial, é um legítimo porta-voz do seu tempo que sabe captar, com humor muito expressivo, não raro utilizando-se do realismo e da fantasia, as inovadoras instâncias abertas pela revolução cultural desencadeada pelos jovens dos anos 60. Suas protagonistas das primeiras peças, notadamente, despertam simpatia e encarnam as aspirações do movimento feminista. Cordélia Brasil, Abre a Janela e O Cão Siamês ou Alzira Power são montadas em várias outras cidades, a primeira delas também na Argentina e na Espanha. As obras, a partir dos anos 80, porém, perdem a contundência".1

Notas

1. MICHALSKI, Yan. Antônio Bivar. ______. Enciclopédia do teatro brasileiro contemporâneo. Rio de Janeiro, 1989. Material inédito, elaborado em projeto para o CNPq.



Atualizado em 11/10/2007