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Enciclopédia Itaú Cultural de Teatro
Labanca (1913 - 1988)

Biografia

João Angelo Labanca (Rio de Janeiro RJ 1913 - idem 1988). Ator e empresário. Um dos fundadores de Os Comediantes, Labanca funda e organiza também os grupos Teatro de Equipe e Teatro de Hoje. Militante, participa da diretoria do sindicato e integra a equipe que discute e define o texto da lei que regulamenta a profissão de ator.

Forma-se em direito e, depois de advogar por alguns anos, abandona a carreira para ser pesquisador da cultura carioca e faz curso voltado para o trabalho em museus. Tem 33 anos completos quando faz sua primeira aparição como ator em Desejo, de Eugene O'Neill, dirigido por Ziembinski, em 1946, por Os Comediantes, grupo que ele ajuda a fundar. No mesmo ano, faz assistência de direção de Zigmunt Turkov em A Mulher Sem Pecado, de Nelson Rodrigues. Nesse conjunto, participa ainda de Era Uma Vez um Preso, de Jean Anouilh, 1946; e Terras do Sem Fim, adaptação da obra de Jorge Amado, 1947. Funda o Teatro de Equipe, atuando em Massacre, de Emmanuel Roblès, com direção de Graça Mello, em 1951; integrando o elenco também de Volta Mocidade, de William Inge, com direção de Miroel Silveira, 1953. É dirigido por Paulo Francis em O Dilema do Médico, de Bernard Shaw, pelo Teatro Nacional de Comédia, TNC, em 1956. Atua em A Ratoeira, de Agatha Christie, com direção de Ivan de Albuquerque, pelo Teatro do Rio. Participa da histórica montagem de O Mambembe, de Artur Azevedo e José Piza, encenação de Gianni Ratto, no Teatro dos Sete, em 1959. Nessa companhia está em Cristo Proclamado, de Francisco Pereira da Silva, e Com a Pulga Atrás da Orelha, de Georges Feydeau, ambos de 1960; O Beijo no Asfalto, de Nelson Rodrigues, com direção de Fernando Torres, 1961; Festival de Comédia: Os Ciúmes de um Pedestre, de Martins Pena; O Médico Volante, de Molière, e O Velho Ciumento, de Cervantes, 1961; e O Homem, A Besta e a Virtude, de Luigi Pirandello, todos com direção de Ratto.

Assina contratos para o cinema e a televisão, onde atua no Grande Teatro Tupi. Adapta obras de Nelson Rodrigues para a televisão, entre elas Vestido de Noiva.

Como líder sindicalista, luta contra a censura do regime militar e é um dos autores da lei que regulamenta a profissão de artista e técnico, em 1978. Nos anos 80, é representante da classe teatral no Conselho Superior de Censura. Atua em movimentos populares - participa dos primeiros CONCLATs e está presente no congresso que cria a Central Única dos Trabalhadores, CUT.

Em 1971, atua em O Marido Vai à Caça, de Georges Feydeau, com direção de Amir Haddad. É dirigido por Flávio Rangel, em Amadeus, de Peter Shaffer, em 1982.

Reúne ao longo da vida um volumoso acervo sobre vários aspectos da história do teatro brasileiro - o Teatro de Revista, os Cafés-Teatros; atas e documentos de companhias, sobre a história da cidade do Rio de Janeiro, sobre cinema, estudos sobre as religiões afro-brasileiras, folclore, circo, música, as organizações de classe e as lutas políticas dos artistas. A maioria dos assuntos é constituída de pesquisa pessoal. O material dedicado ao circo, por exemplo, é formado das entrevistas e anotações que Labanca realizava sempre que, em viagem, conseguia localizar um circo e levantar informações sobre as famílias, os aparelhos, as técnicas e curiosidades. Yan Michalski, que se serviu desse acervo para colher material para seu livro Ziembinski e o Teatro Brasileiro, descreve a respeito de suas dimensões: "Desde o início da sua caminhada teatral, ele foi constituindo na sua casa um monumental arquivo de documentos e recortes sobre os mais variados assuntos ligados às artes cênicas; (...) entregava-se apaixonadamente ao estudo de algum tema histórico que a ninguém mais teria ocorrido pesquisar. O arquivo foi invadindo espaços cada vez mais desproporcionais do seu apartamento (...): o condomínio do edifício chegou a criar-lhe problemas, receando que o peso de tanta papelada poderia abalar a estrutura do prédio".1

Depois de sua morte, a família entrega o acervo a então Fundação Nacional de Artes Cênicas, Fundacen.

Notas

1. MICHALSKI, Yan. Labanca, cena aberta. Jornal do Sindicato de Artistas e Técnicos em Espetáculos e Diversões do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, mar. 1988.



Atualizado em 11/10/2007
 
 
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  Rangel, Flávio (1934 - 1988)