Clara Gomes é uma das convidadas da terceira edição da Banca de Quadrinistas e expõe seu trabalho no evento nos dias 22 e 23 de setembro.

Formada em design gráfico e com especialização em arte-educação, trabalha com quadrinhos desde os 15 anos, quando começou a produzir para o Tribuninha, suplemento do jornal Tribuna de Petrópolis. Atualmente produz a série Bichinhos de Jardim, em que personagens minúsculos debatem desde grandes temas da atualidade até banalidades do mundo. Os quadrinhos estão disponíveis em seu site, são publicados no jornal O Globo desde 2010 e viraram em 2009 o livro Bichinhos de Jardim.

Como aquecimento para a Banca, os convidados escolheram um de seus trabalhos para publicação no site e comentaram a escolha. Clara Gomes enviou algumas tirinhas de sua série Maquiando Gente Feia. Confira abaixo:

Por que você escolheu essas histórias?
O desenho foi uma das primeiras formas de expressão que me encantaram. A escrita veio logo em seguida, e naturalmente daí a paixão pelas narrativas ilustradas. A série de tirinhas Maquiando Gente Feia é uma das minhas preferidas, paródia desses programas televisivos de transformação pessoal. A crítica aos conteúdos de entretenimento é tema recorrente em meu trabalho. Interessa-me muito entender como – e por que – numa época em que o conhecimento parece estar mais acessível do que nunca nosso riso e interesse se voltem tanto para a futilidade e para o vazio. Acho válido provocar a reflexão. Acredito que o humor seja um ótimo veículo para a crítica, sem perder sua força e graça.

Em contraponto a isso, também escrevo histórias com humor mais ingênuo e leve, algumas com fundo poético e mensagens solares. Em uma das minhas tiras, afirmo que “a vida é boa, ruim e boba, tudo ao mesmo tempo”. Eu crio pensando nisso, na necessidade de rirmos de nossas próprias derrotas. E enxergar significados nos detalhes positivos. Acho que é a única forma de suportar o peso da atualidade. Para mim, uma tirinha é uma brisa.

Como foi o processo de criação delas?
O processo de composição de tiras, para mim, é um exercício diário de síntese. É a busca por um traço limpo e “saboroso”, combinado a um humor crítico e reflexivo. Também uso o espaço com intenções poéticas, quase como um haicai visual.

Os assuntos surgem espontaneamente no dia a dia. Desde as dificuldades da vida urbana, novas tecnologias, trabalho, política, indústria cultural, desafios da infância, até conflitos internos – tudo tem potencial para se transformar em historinhas agridoces. Parafraseando Henfil, “sou relativamente sadia porque vendo minhas angústias no jornal”.

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