Todo mundo tem alguma noção sobre o que é Arqueologia. Afinal, quantos filmes de aventura, livros de suspense e mistério, ou mesmo vídeogames não têm um arqueólogo como personagem principal? Via de regra, vamos encontrá-lo mergulhado em alguma selva impenetrável, numa busca desenfreada por objetos raros e únicos, produzidos por estranhas civilizações desaparecidas.

De fato, na vida real o arqueólogo enfrenta situações inusitadas e tem um cotidiano cheio de surpresas. Porém, a visão difundida pela indústria do lazer a respeito desse campo de pesquisa é limitada e ultrapassada, já que em ciência tudo se transforma: as teorias, os métodos e as próprias tecnologias que auxiliam nas descobertas e em suas interpretações.

A Arqueologia pode ser definida como a ciência que estuda o passado humano a partir dos vestígios e restos materiais deixados pelos povos que habitaram a Terra.

Para realizar seu trabalho, o arqueólogo lança mão de diversos procedimentos. Em campo, procura identificar e escavar sítios arqueológicos, onde documenta estruturas e coleta objetos que pertenceram ao cotidiano de uma determinada sociedade. Em seguida, inicia a fase de estudos e trabalhos sistemáticos em laboratório, onde procura relacionar os objetos coletados ao grupo que os produziu e ao seu modo de vida. Logo, a pesquisa arqueológica exige muito esforço e dedicação em campo, mas não afasta um trabalho intelectual intenso em laboratório.

As responsabilidades do arqueólogo vêm aumentando a cada dia, já que ele é incumbido de resgatar e conservar a herança cultural humana, lidando com um patrimônio tão frágil e finito quanto os próprios recursos naturais existentes em nosso planeta.

Ao arqueólogo não cabe apenas investigar as pirâmides do Egito ou os monumentos clássicos gregos e romanos. Ao contrário, a Arqueologia está se diversificando cada vez mais e, no Brasil, é possível encontrar pesquisadores em atividade na Mata Atlântica, nas dunas do Nordeste ou em meio à floresta Amazônica.

Também ao contrário do que se pensa, a Arqueologia não estuda apenas o passado remoto da Humanidade. Nas Américas, convencionou-se chamar de Arqueologia Histórica a pesquisa feita em locais ocupados pelos europeus e africanos que entraram em contato com os indígenas durante o processo de colonização. Assim, estudos vêm sendo desenvolvidos no subsolo de grandes cidades, na sedes de antigas fazendas, em quilombos, campos de batalha, navios naufragados e fortes, permitindo que se conheçam inúmeros aspectos do cotidiano que, via de regra, não constam dos documentos oficiais.

A Arqueologia atua também junto a sociedades atuais (como grupos indígenas, negros ou caiçaras), buscando compreender, através da observação do presente, a maneira como os vestígios materiais podem informar sobre o comportamento e os padrões culturais de sociedades extintas. Esse tipo de pesquisa é denominado Etnoarqueologia, constituindo um campo de investigação extremamente rico e promissor em locais como o Brasil, a Austrália ou vários países da África, que ainda abrigam um grande número de sociedades tradicionais.

Uma vez que a Arqueologia lida com o complexo jogo de dados que constitui a História humana, as equipes de pesquisa contam com especialistas de diferentes áreas: zoólogos, geógrafos, geólogos e antropólogos físicos, entre outros. Pela mesma razão, o arqueólogo lança mão de procedimentos e análises desenvolvidos em outras áreas de conhecimento, como a matemática, a física e a química.

Estes são alguns dos elementos que tornam a Arqueologia atraente e, portanto, tão adequada, oferecendo ótimos ingredientes para filmes e livros de ficção.

Não é à toa que Indiana Jones tornou-se um herói tão popular do cinema, atraindo um enorme número de espectadores mundo afora e faturando um bilhão de dólares.

Neste momento em que o Brasil comemora e reflete sobre os 500 Anos de Descobrimento, os arqueólogos têm na bagagem muitas informações inéditas, remetendo a uma complexa e longa história que recua no tempo por vários milhares de anos.

Embarque com o Arqueologia Brasileira nessa aventura rumo ao passado, navegando pela Linha do tempo. Se deseja saber mais sobre o cotidiano da pesquisa arqueológica ou sobre as diferentes áreas de atuação da disciplina, clique nos itens ao lado.

E boa viagem!

 


Rio Negro. Amazônia.
Aquarela em papel
Autor: Rubens Matuck

Estatueta feminina em argila,
Santarém.
Acervo: Museu de Arqueologia e Etnologia-USP
Foto: Wagner de S. e Silva

Recipiente proveniente da Amazônia (Santarém).
Acervo: Museu de Arqueologia e Etnologia-USP

Foto: Wagner de S. e Silva

Escavações em aldeia do final do século XV. Jacareí, SP
Acervo: Zanettini/ Documento
Foto: Walter F. Morales

Após o campo, tem início as análises em laboratório.
Acervo: Zanettini/Documento
Foto: Paulo Zanettini

Ponta de flecha em sílex: testemunho da habilidade dos antigos brasileiros.
Acervo: Museu de Arqueologia e Etnologia-USP
Foto: Wagner de S. e Silva

A Arqueologia rompe a barreira do tempo, dedicando-se ao estudo do Brasil pós Descobrimento.
Acervo: Zanettini/Documento
Foto: Paulo Zanettini


A Etnoarqueologia
estuda o indígena atual
para compreender
sociedades extintas.
Acervo: Museu de Arqueologia e Etnologia-USP
Foto: Walter F. Morales