O dicionário da editora norte-americana Merriam-Webster's elegeu como palavra do ano o substantivo “feminismo”. Ao longo dos últimos doze meses, a definição do termo foi procurada com frequência, impulsionada por diferentes eventos, mas mantendo-se sempre entre as principais buscas.

Em janeiro de 2017, nos Estados Unidos, mulheres foram às ruas manifestar seu descontentamento com a eleição do presidente Donald Trump e exigir igualdade de direitos. O protesto tornou-se um dos maiores da história do país e promoveu movimentos semelhantes pelo mundo todo. Outro momento em que o feminismo desponta como assunto de destaque é no período próximo ao 8 de março, Dia Internacional da Mulher, marcado também por reivindicações em diversas nações.

No Brasil e no mundo, a insatisfação feminina se evidencia não só nas ruas, mas também na arte. É nesse sentido que a Rede Nami atua, buscando a reivindicação de igualdade de direitos e a reflexão sobre gênero por meio do grafite. A criadora da organização, Panmela Castro conta, em entrevista para o Observatório, que a força para criar o projeto veio da necessidade de ressocialização após viver a violência doméstica na própria pele: “Iniciei oficinas em que o grafite era ferramenta de comunicação para a promoção e o conhecimento da lei [Maria da Penha] e, principalmente, para pensar a posição da mulher na sociedade”, explica.

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A discussão dos direitos e das posições da mulher na sociedade permeia outras temáticas.
Em 2016, o Itaú Cultural promoveu, em parceria com a Revista Cult, o seminário Dicções Femininas na Cultura Brasileira. O evento buscou levantar debates sobre a representação feminina na mídia, no cinema e na literatura, além das dificuldades enfrentadas pelas artistas brasileiras, da presença da mulher em instituições acadêmicas, da hegemonia masculina nas diferentes narrativas e da objetificação feminina. A atividade contou com transmissão ao vivo e os vídeos podem ser vistos aqui.

Maria Paula, uma das cinco irmãs criadoras de CalinsCalins: única comunidade cigana liderada por mulheres - foto: Uma das oficinas promovidas por Panmela Castro - foto: Acervo pessoal Panmela CastroDjamila Ribeiro, Ivana Bentes e Eliane Potiguara conversam no seminário Dicções Femininas na Cultura Brasileira  sob a mediação da jornalista e escritora Bianca Santana - foto: divulgaçãoCena do espetáculo Um Duo para Minha Mãe - foto: Jacob Alves / Itaú CulturalImagem do espetáculo Peso Bruto - foto: Cassiana Reis LopesConvidada da Banca de Quadrinistas, Sirlanney faz quadrinhos autobiográficos - foto: divulgaçãoAs leituras dramáticas acontecem no espaço expositivo da Ocupação Laura CardosoEspaço expositivo da Ocupação Conceição Evaristo - foto: André SeitiEspaço expositivo da Ocupação Aracy Amaral - foto: André SeitiEspaço expositivo da Ocupação Inezita Barroso - foto: André SeitiNise da Silveira - foto: acervo pessoal

Entre os 117 projetos contemplados pelo projeto Rumos Itaú Cultural 2015-2016, muitos transpassam questões de gênero em algum momento, mas dois trazem visões de destaque quando o assunto é feminismo na dança. O primeiro, Um Duo para Minha Mãe, se propôs a explorar a relação entre mulheres, sobretudo mães e filhas. O espetáculo realizado pela bailarina Izabelle Frota investiga quanto essa luta por direitos iguais é transmitida entre as gerações por meio de tradições e costumes. O segundo, Peso Bruto, idealizado pela bailarina Jussara Belchior, trata do estranhamento do corpo gordo na dança, explorando aspectos de beleza e sensualidade como possibilidades dessa imagética.

Outro tema discutido pelo feminismo é a representatividade. O universo nerd, historicamente protagonizado por homens, muitas vezes pode ser hostil para as mulheres. Nesse sentido, o gênero pode definir dificuldades bastante específicas no meio artístico. Durante a Banca de Quadrinistas, evento anual do Itaú Cultural, 15 artistas foram entrevistadas e contam como é a relação entre sua vivência e produção, além das suas referências e dicas que podem ajudar iniciantes na área.

Por último e ainda sobre a mulher em um lugar de poder, o projeto Calins, apoiado pelo Rumos 2015-2016, realizou um documentário que aborda gênero e raça por meio da história da única comunidade cigana no Brasil e no mundo liderada por mulheres.

O projeto Calins, apoiado pelo Rumos 2015-2016, realizou um documentário que aborda gênero e raça por meio da história da única comunidade cigana no Brasil e no mundo com uma liderança feminina. Ainda sobre a mulher em um lugar de poder e inspirador, é importante observar as ocupações que aconteceram em 2017.

Como parte das comemorações dos 30 anos do Itaú Cultural, foram escolhidas cinco personalidades femininas para ser homenageadas pelo programa Ocupação Itaú Cultural. A atriz Laura Cardoso, a escritora Conceição Evaristo, a pesquisadora Aracy Amaral, a cantora Inezita Barroso e a psiquiatra Nise da Silveira formam um time de mulheres com um trabalho inspirador e que, em cada uma das diferentes áreas de atuação, se destaca pela importância para a cultura brasileira. 

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