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1. Orixás
não tomam chás de academias
Há muito tempo, a literatura brasileira é cheia de negros. Escritores ou personagens, negras e negros povoam nossas letras. De pele menos ou mais escura, só muito raramente, no entanto, os escritores se identificavam ou eram identificados como negros. E isso num país
em que boa parte da população sempre foi, assumida ou disfarçadamente,
não branca! A situação de escravidão a que
eram reduzidos os povos africanos para cá trazidos, sua condição
de vida no Brasil, a vergonha com que se cobria o país pelo fato
de ser uma nação escravocrata podem ser alguns dos motivos
que explicam o apagamento da negritude, muito visível, por exemplo,
nos estudos literários. Exemplos disso são o poeta Domingos
Caldas Barbosa
Esse apagamento da
negritude tem conseqüências sociais da maior gravidade. Como,
por exemplo, os resultados da pesquisa da professora Rita de Cássia
Souza Pierini Talvez as coisas fossem diferentes se aprendêssemos na escola que um dos maiores escritores da literatura brasileira erudita, Machado de Assis, era um negro. Enquanto a história
literária branqueia os escritores negros, ela consagra, por outro
lado, personagens negros criados por autores brancos, registrando uma
visão particular do papel dos negros: a visão filtrada por
um olhar branco. Assim é que ganharam os aplausos da crítica
e o coração de alguns leitores os sofridos escravos defendidos
na poesia de Castro Alves
Mas a tentativa de
branquear o país e abafar a voz dos negros sempre encontrou resistência.
Só recentemente, no entanto, os estudos literários se deram
conta disso, começando, por exemplo, a olhar para figuras como
Luiz Gama
A mudança de paradigma por parte de um segmento da crítica literária brasileira fez com que se começasse a buscar (e a encontrar) a identidade negra e os traços de negritude de nossa literatura. A percepção deles torna-se essencial para a compreensão do caráter mestiço e plural da cultura brasileira. Na esteira do fortalecimento de movimentos sociais populares e do desenvolvimento de estudos debruçados sobre escritores e obras até então desconsiderados pela história oficial, a literatura negra começa a ganhar espaço. Saiba mais consultando a cronologia. E um desses espaços é exatamente esta vertente do curso Brasil/Brasis: Literatura e Pluralidade Cultural. Aqui vamos mergulhar de cabeça no assunto. Existe um jeito negro de escrever? Este jeito é afro ou afro-brasileiro? E que imagens de negro circulam na literatura? Que relação estas imagens mantêm com a história dos negros e negras no Brasil? São muitas as questões, e todas da maior importância. Com certeza, as atividades e leituras propostas vão permitir que você pense sobre o assunto com mais desenvoltura.
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