Por Jessica Orlandi

Proporcionar uma sólida formação na área da música popular, unindo teoria e prática. Esse é o objetivo principal da Escola do Auditório, sob direção-geral do Itaú Cultural desde 2011 e que está com inscrições abertas, até o dia 8 de julho, para o processo seletivo 2016. Para mais informações sobre as vagas disponíveis, clique aqui.

Apresentação de final de ano dos alunos da Escola do Auditório Ibirapuera (OBA), em 2013Concerto comemorativo na formatura dos alunos da Escola do AuditórioApresentação da Orquestra Brasileira do Auditório (OBA) com participação especial de Dori Caymmi e regência dos maestros Nailor Proveta, Edson José Alves, José Roberto Branco, Daniel Reginato e Paula Valente

Localizada no subsolo do Auditório Ibirapuera, a Escola oferece cursos de música brasileira, com duração de cinco anos, a até 170 estudantes da rede pública de ensino (com idade a partir de 12 anos) que residam no município de São Paulo. Os alunos aprendem a tocar um instrumento, desenvolvem a percepção musical e conhecem a história da música brasileira, seus estilos, instrumentos e personagens.

As disciplinas ministradas no curso livre de música se dividem em dois grupos: aulas teóricas – nas quais os alunos aprendem e desenvolvem a leitura de partituras, harmonia e habilidades de percepção rítmica e melódica, além de ser apresentados aos diversos ritmos brasileiros, passando por suas histórias e seus personagens – e aulas práticas ou aulas de instrumento realizadas individualmente. Os estudantes também participam de grupos formados na própria Escola – como a Orquestra Furiosa e a Orquestra Brasileira do Auditório (OBA) – e adquirem experiência em orquestras.

A saxofonista Beatriz Pacheco, formada pela Escola do Auditório em 2014 e chefe de naipe da Orquestra Furiosa, diz que o processo pelo qual passou na instituição a marcou profundamente. “Foi uma grande transformação. Eu nunca imaginei que pudesse me apegar e me apaixonar tanto pela música e fazer dela a minha profissão. Eu queria ser médica”, conta. “A música me acolheu de um jeito muito bom. Tudo o que tenho hoje é fruto do que aprendi, desse tempo em que estive na Escola do Auditório.”

Vanessa Moreno, cantora e professora de canto da Escola desde 2015, diz que ao conhecer a estrutura da instituição, quando foi chamada para dar aula, ficou encantada com o que encontrou. Para ela, dois grandes diferenciais são o fato de focar o ensino na música brasileira – o que, na sua opinião, não acontece em muitos locais ao redor do país – e a preocupação que todos têm com as pessoas que estão ali aprendendo.

“Eu lembro que, quando cheguei e perguntei aos alunos o que eles estavam estudando, me espantei com as referências que me deram – nomes como Hermeto Pascoal e Egberto Gismonti”, diz Vanessa. “A imersão na música brasileira, as pessoas, a generosidade – tanto dos professores quanto dos alunos – que vão construindo isso juntos [...] Porque às vezes nós damos aula nos lugares e as pessoas querem a coisa da música 'matematicamente falando'”, explica. “Mas elas esquecem que você está ensinando música a pessoas. Ou seja, você precisa saber de música, sim, mas também das pessoas [...] Então, eu fiquei emocionada por poder fazer parte disso.”

Camila Lordy, instrumentista, orientadora pedagógica e professora de teoria, iniciação musical e laboratório (matéria que inclui aulas sobre ritmos nordestinos, origens do samba, jazz e música erudita), que ministra aulas na Escola do Auditório desde 2008, acrescenta que a abertura e a liberdade criativa que a instituição dá aos professores – e também aos alunos – são outros grandes diferenciais, permitindo a troca de experiências entre todos.

“Isso me ajudou a elaborar um curso no qual eu acreditava e que se alinhava com a proposta da música brasileira”, conta Camila. “Em nenhum lugar se fala da história da música como se fala aqui. Eu acho que nós cumprimos com a missão. Saem daqui alunos críticos, posicionados e com algum engajamento e preocupação com a educação [...]”, continua. “Eu tenho muito orgulho dos alunos e dos meus colegas também. Eles são professores muito capazes, muito empenhados no projeto e abertos para conversas [...] São pessoas muito disponíveis.”

Segundo Nailor Proveta, maestro, arranjador, instrumentista e diretor-artístico pedagógico da Escola, o maior desafio em trabalhar com esses jovens não é ensiná-los a tocar um instrumento ou a cantar com perfeição, mas sim torná-los seres humanos ainda melhores. “Nós não apenas estamos formando os alunos como músicos; estamos buscando torná-los seres humanos melhores, capacitados para ser doadores também [...]”, diz. “E você só consegue fazer com que um jovem tenha essa consciência – com todos os cuidados desse coletivo, de se integrar a essa grande família que é a Escola do Auditório – com a educação. [...] Nós percebemos que os alunos saem daqui com essa consciência. Então, a Escola do Auditório é muito importante nesse sentido.”

Desde o início das suas atividades, a Escola já formou três turmas (44 alunos), proporcionando a esses jovens a oportunidade de iniciar e desenvolver carreira na música, muitas vezes no próprio Auditório Ibirapuera, que já conta com ex-alunos atuando como professores e como assistentes de regência.