Com a morte do cineasta Nelson Pereira dos Santos (1928-2018), a cadeira número 7 da Academia Brasileira de Letras ficou vaga e se iniciou o debate sobre quem seria o novo imortal a ocupá-la. Na imprensa, foram levantados nomes como Pedro Corrêa do Lago, curador e colecionador, e do diretor Cacá Diegues. Para além dessas apostas, outro nome tem sido destacado em uma mobilização na internet: Conceição Evaristo.

Conceição, escritora, foi homenageada em 2017 pelo programa Ocupação. A campanha #ConceiçãoEvaristoNaABL, que já havia se espalhado nas redes sociais desde o anúncio da vaga, ganhou um abaixo-assinado no fim da semana passada, lançado pelo coletivo Diálogos Insubmissos de Mulheres Negras. O objetivo era alcançar 10 mil assinaturas – no momento em que esta matéria é publicada, a convocação alcança 10.800 apoios.

A obra de Conceição é caracterizada por um testemunho sobre as vivências dos negros no Brasil, como se diz em texto publicado no site da Ocupação:

“No papel, preto no branco, a voz de Conceição Evaristo carrega e propaga os sentimentos, as dores, as alegrias, os gritos e os sussurros de uma multidão de pessoas – de homens e, sobretudo, mulheres cujas vozes são insistentemente caladas. Com base no que chama de ‘escrevivência’ – ou a escrita que nasce do cotidiano, das lembranças, da experiência de vida da própria autora e do seu povo –, ela compõe romances, contos e poemas que revelam a condição do afrodescendente no Brasil.”

Conceição não só ampliaria o pequeno número de mulheres que foram ou são da ABL – 8 em 288 acadêmicos ao longo da história –, como se tornaria a primeira mulher negra a ocupar uma cadeira da instituição. Assim, além da qualidade literária da autora, pesa no apelo da campanha a representatividade, tema tratado na sua exposição:

Confira a playlist com todas as entrevistas feitas para a Ocupação Conceição Evaristo.

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