sala introdutória
Gênero artístico criado na Grécia antiga, o nu, base de toda representação antropomórfica ocidental, possibilitava a visualização de valores espirituais. O corpo humano era medida, equilíbrio, modéstia e proporção. A Beleza decorria, pois, dessa qualidade rítmica das coisas, da proporção harmoniosa das partes, mais ou menos presente no mundo e exemplar no corpo humano: não seria o que se vê, mas um ideal supra-sensível, uma realidade transcendente. No início do século XX a arte moderna subverte, pela fragmentação e deformação do corpo, essa tradição: o corpo passa a ser compreendido como linguagem que produz um sentido pelo próprio processo de transfiguração. A segunda metade do século XX acentua a crise da outrora equilibrada visão antropocêntrica: a matéria, a animalidade e a crueza passam a ser exploradas. A arte contemporânea abandona qualquer enquadramento do corpo que agora atua literalmente através de uma ação ou pela ênfase de dimensões antes reprimidas, como a sexualidade, os fluidos e odores. É exatamente o reconhecimento da corporalidade humana na arte atual que profana a antiga imagem de um corpo idealizado. |