Entre os dias 10 de dezembro de 2016 e 29 de janeiro de 2017, o Itaú Cultural apresenta a exposição Diálogos Ausentes, que reúne trabalhos realizados por artistas negros ligados aos campos das artes visuais, do teatro e do cinema brasileiros. Com curadoria de Diane Lima e Rosana Paulino, a mostra conta com obras assinadas por 15 dos criadores e dos grupos que participaram dos debates promovidos pela série de encontros homônima ao longo de 2016, também na sede do instituto, em São Paulo/SP.

Sidney Maral, Sem TítuloRenata Felinto, Também Quero ser SexyQuintal, direção de fotografia Gabriel MartinsLarissa Fulana de Tal, Lápis de CorA Cura, Dalton PaulaTranse Iluminado, Eneida SanchesAndré Luiz Patricio como Lourival em O Dia de JerusaColetivo Negras AutorasAline Motta, Escravos de Jó

Diálogos Ausentes – tanto a série quanto esta exposição – surgiu em decorrência de um episódio que, em maio de 2015, impeliu o Itaú Cultural a dar mais atenção aos efeitos de uma mazela estrutural da sociedade brasileira: o racismo. Incluída na programação teatral que o instituto havia elaborado para aquele mês, a peça A Mulher do Trem, da companhia paulista Os Fofos Encenam, gerou uma onda de protestos nas redes sociais por adotar o uso da blackface – maquiagem da qual atores brancos lançam mão para interpretar, de forma caricata, personagens afrodescendentes. Diante da questão, o Itaú Cultural decidiu substituir a exibição do espetáculo por um debate sobre a representação do negro na arte – e, em seguida, criou o seu Comitê de Questões Raciais.

Formado por integrantes de diversas áreas do instituto, esse comitê se organiza em grupos de trabalho empenhados em desenvolver iniciativas – voltadas tanto para os funcionários quanto para o público externo do Itaú Cultural – de combate ao racismo estrutural. Diálogos Ausentes foi uma dessas iniciativas.

De acordo com as curadoras, a exposição “opera como uma contranarrativa às representações estereotipadas da população afrodescendente”. Com pinturas, instalações, ensaios fotográficos, curtas-metragens e registros de performances e de espetáculos teatrais, a mostra – ainda segundo Diane e Rosana – “apresenta não apenas uma cara, mas algumas das múltiplas faces do ser negro brasileiro”.

Confira os textos em que as curadoras comentam as obras selecionadas para a mostra:
>> "Diálogos Ausentes e a Curadoria como Ferramenta de Invisibilização das Práticas Artísticas Contemporâneas Afro-Brasileiras", por Diane Lima
>> "Diálogos Ausentes, Vozes Presentes", por Rosana Paulino

Participam da exposição os artistas/grupos Aline Motta, André Novais Oliveira, Ângelo Flávio, Capulanas Cia. de Arte Negra, Dalton Paula, Eneida Sanches, Fernanda Júlia, Juliana Vicente, Larissa Fulana de Tal, NEGR.A – Coletivo Negras Autoras, Renata Felinto, Sérgio Adriano, Sidney Amaral, Viviane Ferreira e Yasmin Thayná.

>> Em artigo originalmente publicado na revista O Menelick 2º Ato, Fabiana Lopes – curadora independente que atua entre São Paulo e Nova York, tendo como foco a produção artística contemporânea da América Latina – analisa a inserção de obras assinadas por artistas negros em museus, centros culturais, galerias e coleções particulares do Brasil e de outros países.

Diálogos Ausentes | Mostra
sábado 10 de dezembro de 2016 a domingo 29 de janeiro de 2017
terça a sexta 9h às 20h [permanência até as 20h30]
sábado, domingo e feriado 11h às 20h
piso -1

Entrada gratuita

[classificação indicativa: 14 anos]