O rapper Don L sobe ao palco do Auditório Ibirapuera para mostrar as composições de seu mais recente trabalho, o disco Roteiro pra Aïnouz, Vol. 3 (2017), acompanhado pelo músico Guilherme Held (guitarra) e pelo DJ Roger. O show, que tem cenário de Camila Schmidt e desenho de luz da dupla Mirella Brandi & Muepetmo, conta com a participação especial de Diomedes Chinaski, Lay, Nego Gallo e Terra Preta.

“Nós vamos fazer o show completo, com um cenário pensado para proporcionar uma experiência às pessoas, para que elas sintam um pouco mais do meu universo por meio da instalação de luz, da cenografia e das participações”, fala Don L. “Os convidados são pessoas que estarão não só cantando as músicas que gravaram para o disco, mas também mostrando um pouco mais do trabalho deles, dentro desse contexto que estou apresentando.”

Composto de nove faixas, Roteiro pra Aïnouz, Vol. 3 inaugura uma trilogia reversa que conta a história da chegada de Don L a São Paulo, vindo de Fortalezae homenageia o cineasta cearense Karim Aïnouz. As letras das músicas abordam temas como o atual cenário político-social do país, a cena musical brasileira e a sensação de não pertencimento.

“O título tem a ver com a ideia de êxodo e de busca, questões que aparecem nos filmes do Aïnouz. De você estar sempre buscando um lugar ideal para começar uma vida nova e ao mesmo tempo que é um estrangeiro nesse lugar passa a ser estrangeiro no lugar de onde veio", diz o rapper. "É como se ao mesmo tempo que você se sente fazendo parte de tudo não pertencesse totalmente a nenhum lugar”, explica. “O volume 3 é isso. É o momento em que você chega a um lugar que é meio que ‘a Meca da música’, mas não no período ideal. O país está numa situação difícil e a própria música brasileira tem uma realidade caótica em alguns aspectos.”

Don L (ou Gabriel Linhares da Costa), que em 2007 ainda como integrante do grupo Costa a Costa ficou conhecido com a mixtape Dinheiro, Sexo, Drogas e Violência de Costa a Costa – único trabalho do quinteto de Fortaleza, vencedor do Prêmio Hutúz de Melhor Disco do Norte e Nordeste daquele ano –, acredita que o espaço que o cenário musical brasileiro vem proporcionando aos novos artistas, principalmente àqueles vindos dessas regiões do Brasil, está melhorando, apesar de ser ainda um processo lento.

 “Os artistas já conseguem chegar e ter visibilidade porque a internet facilitou muito isso”, fala o rapper. “Por exemplo, o Diomedes, que é de Recife, fez o nome dele nacionalmente há uns dois anos, junto com o Baco Exu do Blues, que é da Bahia. Eles vieram com a faixa “Sulicídio” e mudaram o jogo do rap”, explica. “Quando chegamos com o Costa a Costa, em 2005, contribuímos um pouco com essa mudança. Mas o acesso às coisas e as pessoas fazendo arte e vivendo dela sempre é muito difícil no Nordeste. A não ser que você faça um tipo de arte muito local – como forró no Ceará, tecnobrega no Pará e axé na Bahia”, diz. “O Brasil é um país rico, mas a riqueza ainda é muito concentrada, desigual. Nós não temos uma distribuição de renda que proporcione uma distribuição também de acesso à arte, como gostaríamos. Mas estamos evoluindo, sim.”

Don L [com interpretação em Libras]
sexta 16 de março de 2018
às 21h
[duração aproximada: 90 minutos]

ingressos: R$ 30 e R$ 15 (meia-entrada)

[classificação indicativa: 14 anos]

Os ingressos podem ser adquiridos pelo site Ingresso Rápido, em seus pontos de venda e pelo telefone 11 4003 1212. Também estão à venda na bilheteria do Auditório Ibirapuera, nos seguintes horários:
sexta e sábado das 13h às 22h
domingo das 13h às 20h

Veja também

Sara Não Tem Nome

A artista apresenta seu álbum Ômega III, que transita entre o folk rock, o dream pop e a mpb
onde: Itaú Cultural