Em 2017, os alunos da Escola do Auditório subiram ao palco e se apresentaram em diferentes formações – como Obinha, Orquestra Brasileira do Auditório (OBA), Orquestra Furiosa do Auditório (Furiosa) e Coro da Escola do Auditório – e em espetáculos que contaram com a participação de nomes como Anelis Assumpção, Chico César, Jards Macalé, Juçara Marçal, Marcelo Jeneci e Xenia França.

As apresentações aconteceram nas plateias interna e externa, além do foyer da casa, e propiciaram aos jovens estudantes a oportunidade de compartilhar com o público um pouco da história e da trajetória artística de grandes compositores da nossa música, revisitadas e trabalhadas por eles durante o ano letivo, refletindo assim a filosofia de ensino da escola – que se dedica exclusivamente à música brasileira, com especial atenção para o universo popular.

“A Escola do Auditório é um lugar onde nós pensamos não só em música, mas também em pessoas e em suas histórias de vida”, fala Nailor Proveta, seu diretor artístico-pedagógico. “Revisitamos obras de grandes mestres e convidamos artistas [para participar dos espetáculos] que tenham o perfil parecido com a história desses meninos. Pessoas com consciência artística e política. Pessoas de atitude, com um olhar para a sociedade e com consciência da mensagem que querem transmitir”, explica. “Essa identificação cria outras possibilidades, outros caminhos para a música popular brasileira. Isso é muito importante.”

Alunos da Escola do Auditório, sob a regência do maestro Nailor Proveta - foto: Rogério Vieira / Auditório IbirapueraJards Macalé durante apresentação com alunos da Escola do Auditório - foto: Rogério Vieira / Auditório IbirapueraMarcelo Jeneci durante apresentação com alunos da Escola do Auditório - foto: Rogério Vieira / Auditório IbirapueraJuçara Marçal e Anelis Assumpção durante o espetáculo de encerramento do ano letivo de 2017 da Escola do Auditório, sob a regência do maestro Edson José Alves - foto: Rogério Vieira / Auditório IbirapueraO maestro Nailor Proveta e a cantora Xenia França durante apresentação de alunos da Escola do Auditório - foto: Rogério Vieira / Auditório IbirapueraChico César e o maestro Nalior proveta durante apresentação com alunos da Escola do Auditório - foto: Rogério Vieira / Auditório Ibirapuera

Sob a gestão do Itaú Cultural desde 2011, a Escola do Auditório oferece cursos de música brasileira, com duração de cinco anos, a até 170 estudantes (a partir de 12 anos de idade) da rede pública de ensino que residam no município de São Paulo. Os estudantes aprendem a tocar um instrumento, desenvolvem a percepção musical e conhecem a história da música brasileira, seus estilos e seus personagens. O objetivo é proporcionar uma sólida formação, unindo teoria e prática.

“Nosso projeto pedagógico consiste em dez semestres, totalizando cinco anos de duração. O aluno tem em sua grade disciplinas como iniciação musical, teoria, harmonia, improvisação, percepção rítmica, percepção melódica, laboratório, prática de conjunto, prática de naipe e as orquestras”, explica Andreia Schinasi, coordenadora do Núcleo de Música do Itaú Cultural. “Além disso, a escola possui um corpo docente com mais de 30 professores, entre eles Toninho Ferragutti, Camila Lordy, Walmir Gil, Celso de Almeida, Gabriela Machado, Gian Correa e Débora Gurgel”.

Um dos diferenciais da escola são as aulas de instrumento, realizadas individualmente. São mais de 20 opções oferecidas para escolha a partir do segundo semestre do curso. Os alunos e as alunas podem ainda levar o instrumento para casa para aprimorar os estudos.

De antigos alunos a novos professores 

Desde o início das atividades, a Escola do Auditório já formou mais de 70 alunos, proporcionando a esses jovens a oportunidade de iniciar e desenvolver carreira na música, muitas vezes no próprio Auditório, que já conta com ex-alunos atuando como professores e como assistentes de regente. O conhecimento é adequado a cada etapa de formação dos alunos, que vão passando aos poucos para os grupos e orquestras oferecidos na escola (Iniciação Musical, Pré-Obinha, Obinha, OBA e Furiosa).

“É muito gratificante acompanhar a evolução das alunas e dos alunos na Escola do Auditório. Quando eles chegam para iniciar o curso, do zero, não imaginam a trajetória que irão construir”, diz Andreia Schinasi. “O positivo é notar que os alunos estão muito bem localizados em cada estágio dentro da escola. Eles têm consciência desses estágios e sabem que para chegar a uma dessas orquestras é preciso passar por etapas, estudar, se preparar e estabelecer metas”, acrescenta Nailor Proveta. “Subir ao palco do Auditório, você não faz ideia do que isso representa para eles. Muitos não acreditam que vão conseguir. E quando a pessoa reconhece que aquele lugar é dela e que ela pode deixar sua mensagem é de uma força enorme”, fala. “Eu vi isso na minha vida, nesses últimos anos, o quanto a Escola do Auditório passou – e continuará passando – essa felicidade para essa meninada. E não só como músicos, mas como seres humanos.”

Sobre o que sente ao ver seus antigos alunos atuando agora como mestres dentro da escola, Proveta diz que a palavra que define o sentimento é gratidão. “Eu agradeço todos os dias. Eu olho para os professores e assistentes de regência de hoje e percebo que existe a continuidade de uma história. Eles estão levando essa escola para a vida deles. Isso para mim é um sucesso”, diz. “Nós, professores da Escola do Auditório, temos que agradecer a eles. São mais pessoas ‘na luta’, trabalhando pelo bem comum, pela forma que a vida deveria ser.”

 

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