Além da Agenda

  • inscrições abertas: série busca artistas e coletivos negros ligados à dança

    6 de janeiro de 2017

    A série de encontros Diálogos Ausentes dá espaço para que artistas e coletivos negros que trabalhem com questões ligadas à negritude na dança discutam a sua produção com o público nas atividades dos dias 14 de fevereiro e 14 de março. As inscrições acontecem até o dia 22 de janeiro. Os sorteados, dois para cada data, terão até dez minutos para realizar a apresentação.

    Confira o regulamento e inscreva-se!

    Realizado desde abril de 2016, o Diálogos Ausentes promove palestras e debates focados na obra e na presença de artistas negros em diferentes áreas de expressão. A última edição, realizada em outubro, novembro e dezembro de 2016, destacou o tema na área do cinema. Antes disso, o evento abordou os cenários das artes visuais e do teatro.

  • Vida Alves morre aos 88 anos

    4 de janeiro de 2017

    Morreu na noite desta terça-feira, 3 de janeiro, a atriz e escritora Vida Alves. A família informou que, após passar uma semana internada, a atriz morreu de falência múltipla dos órgãos.

    Vida fez parte de uma importante geração de atores e atrizes que iniciaram com a rádio, atuando em radionovelas e seguindo para as telenovelas. A atriz protagonizou a primeira novela, transmitida ao vivo pela Rede Tupi, Sua Vida Me Pertence, em 1951. Ficou conhecida ainda por, no programa, ter dado o primeiro beijo da televisão brasileira – com Wálter Forster.

    Como escritora também foi muito importante para a televisão, tendo escrito Tribunal do Coração, transmitido em 1952 pela TV Tupi. Vida havia estudado na Faculdade de Direito do Largo São Francisco e, aproveitando seu conhecimento, criou o programa em que encenava casos que eram julgados. Foi o primeiro programa interativo, em que as pessoas votavam para a resolução do caso. Em 1963, no programa A Calúnia, da TV de Vanguarda, deu o primeiro beijo gay da televisão brasileira – um selinho em Geórgia Gomide.

    Em 1995, fundou a Associação dos Pioneiros da Televisão Brasileira (Apite), que mais tarde veio a se tornar a Pró-TV, e que tem como objetivo preservar a memória da televisão brasileira. Ela presidiu a Pró-TV até seu falecimento.

    Em dezembro de 2016, Vida concedeu uma de suas últimas entrevistas à equipe do Itaú Cultural para a Ocupação Laura Cardoso, que terá início em fevereiro de 2017 no instituto. Na conversa, relembrou o convívio profissional entre elas. Laura estreou na TV no Tribunal do Coração. Confira neste link um trecho da entrevista concedida pela atriz.

    Também participou de uma edição do Jogo de Ideias, programa de entrevistas para TV do Itaú Cultural – gravado ao vivo na sede do instituto, em 16 de junho de 2004, com presença de público. Na ocasião, foi entrevistada ao lado do pesquisador e professor Davi José pelo jornalista Claudiney Ferreira, sobre o pioneirismo no rádio e na televisão. Veja abaixo:

  • “Calder e a Arte Brasileira” é destaque em retrospectiva internacional

    3 de janeiro de 2017

    A exposição Calder e a Arte Brasileira, sediada no Itaú Cultural entre 31 de agosto e 23 de outubro, foi selecionada pelo site Hyperallergic – referência em artes visuais – como uma das 15 mostras de maior destaque em 2016. Desenvolvida pelos editores e pelos críticos do site, a lista de exposições inclui eventos que aconteceram em museus e galerias de Paris, Marrakech, Toronto, Barcelona, Moscou, Cidade do México e Xarja, entre outros locais. Em São Paulo, além de Calder e a Arte Brasileira, destacou-se a mostra Goeldi/Jardim: a Gravura e o Compasso, realizada no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC/USP).

    Espaço expositivo da mostra "Calder e a Arte Brasileira"

    Espaço expositivo da mostra “Calder e a Arte Brasileira”

    Na retrospectiva do Hyperallergic, a editora Elisa Wouk Almino comenta: “A comparação agora parece óbvia: Alexander Calder e os neoconcretistas brasileiros. No entanto, não havia me ocorrido antes da exposição no Itaú Cultural, em São Paulo. Calder foi ao Brasil em três ocasiões, especialmente para exibições de seu próprio trabalho em São Paulo e no Rio de Janeiro, e fez amizade com diversos artistas brasileiros, incluindo Lina Bo Bardi e Roberto Burle Marx. A mostra associou perfeitamente os móbiles de arame de Calder com os Bichos de Lygia Clark, as geometrias dançantes de Hélio Oiticica e as esculturas em movimento de Abraham Palatnik”. Elisa também destaca um vídeo que mostra Calder brincando com sua obra Circo – até então, apenas a estrutura do circo havia sido exposta (no Museu de Arte Whitney) –, além de obras de artistas contemporâneos, como Cao Guimarães.

    Veja a lista completa de destaques no site Hyperallergic.

  • Sobre Nise da Silveira e o ateliê de Engenho de Dentro

    28 de dezembro de 2016

    Por Carlos Costa

    Nise da Silveira (1905-1999) e sua trajetória compõem uma narrativa singular sobre ciência, política e arte no Brasil do século XX que será contada em uma das mostras que o Itaú Cultural prepara para 2017.

    Nascida em Alagoas, entrou aos 15 anos na faculdade de medicina na Bahia, única mulher da turma. Formou-se em 1926 e foi viver no Rio de Janeiro, onde se especializou em psiquiatria e foi aprovada em concurso público no Hospital da Praia Vermelha.

    Durante o Estado Novo, trabalhando no hospital, foi delatada por uma enfermeira por possuir livros comunistas, sendo presa e perseguida. Depois da prisão, optou por um autoexílio no Nordeste até a anistia, em 1944.

    De volta ao Rio de Janeiro, por não aceitar o tratamento de pacientes psiquiátricos com métodos agressivos (como lobotomia, eletrochoque e choque insulínico), se voltou para a terapia ocupacional e fundou uma seção de terapêutica em um hospício no bairro de Engenho de Dentro.

    Era 1946. O hospício se chamava Centro Psiquiátrico Nacional (depois, Centro Psiquiátrico Pedro II; hoje, Instituto Municipal Nise da Silveira). A seção foi nomeada de Terapêutica Ocupacional e Reabilitação (Stor) e se desenvolveu em diversos núcleos de atividades.

    Com o tempo, as oficinas de pintura e modelagem se destacaram pela qualidade e quantidade do material produzido. O principal objetivo desses ateliês era estimular a expressão dos frequentadores.

    O afeto entre frequentadores, monitores e médicos era uma ferramenta essencial. Afeto catalisador foi o nome que deu a essa força que vincula equipe e pacientes e, para marcar ainda mais essa diferença na relação, deu aos pacientes um nome mais adequado: clientes.

    Sobre o trabalho nos ateliês, a doutora considerava que, apesar da importância estética, o material produzido representava o drama psíquico vivido pelos clientes e era essa questão científica levantada pelo trabalho, o aspecto humano, que deveria motivar o terapeuta-pesquisador.

    70 anos de atividade

    Em 2017, o ateliê do Museu de Imagens do Inconsciente (MII) de Engenho de Dentro completa 70 anos de produção e de um labor cuidadoso para, por meio da expressão em imagens, estabelecer um diálogo que possibilite aos clientes uma vida melhor.

    Hoje, há 52 clientes nas oficinas do ateliê. A equipe de trabalho é pequena – são seis pessoas e alguns pesquisadores. A reforma psiquiátrica trouxe mudanças. A maioria dos clientes não são mais internos e alguns deles, além do trabalho no ateliê, fazem psicoterapia.

    No Catálogo Arte e Solidariedade MII, publicado em 2009, um registro contemporâneo: “Hoje, uma pequena equipe mantém os ateliês terapêuticos em funcionamento para receber os usuários que diariamente criam novos documentos plásticos e compartilham suas experiências no convívio com jovens estudantes, pesquisadores ou visitantes que por lá passam, técnicos, funcionários e animais coterapeutas. A experiência nos ateliês comprova a eficácia do método terapêutico utilizado e está em conformidade com a luta antimanicomial. Mantendo suas portas e janelas sempre abertas, sem delimitações de território e de talento, aposta na criatividade e na liberdade individuais como fatores fundamentais para o exercício da cidadania. Como resultado dessas práticas, os ateliês configuram um campo multidisciplinar de aperfeiçoamento e especialização profissional; oferecem à sociedade contemporânea a possibilidade de diversas leituras das riquezas interiores do ser humano, contribuindo para a mudança dos paradigmas estigmatizantes sobre os portadores de sofrimento psíquico”.

    A história da Stor

    Voltando no tempo, no mesmo ano em que foi fundado, o ateliê foi palco da primeira exposição de trabalhos dos clientes. Almir Mavignier (1925-), artista carioca radicado na Alemanha, foi nome central nessa fase. Trabalhou com Nise na Stor por cinco anos como monitor de pintura e modelagem.

    Nise levou a ciência e a arte brasileiras ao cenário internacional. Mostrou que na loucura há muito o que se aprender para a vida. E trouxe para o centro um dos mais periféricos personagens de nossa comédia, o louco, nosso igual a quem direitos e assistência não são garantidos.

    Mas não foi da noite para o dia que essa história foi escrita. A segunda exposição do trabalho do ateliê ocorreu, em 1947, no prédio do Ministério da Educação e Cultura, no Rio de Janeiro. Dois anos depois, a terceira exposição, 9 Artistas de Engenho de Dentro, no Museu de Arte Moderna de São Paulo (Masp/SP), com curadoria de Mário Pedrosa (1900-1981) e Leon Degand (1907-1958), se tornaria um marco histórico.

    Eram os nove artistas – Adelina Gomes, Carlos Pertuis, Emydgio de Barros, José (sobrenome desconhecido), Kleber Leal Pessoa, Lúcio Noeman, Raphael Domingues, Vicente (sobrenome desconhecido) e Wilson Nascimento – expostos em 179 desenhos, pinturas e esculturas. E o debate dos críticos de arte Mário Pedrosa e Quirino Campofiorito (1902-1993) sobre o valor artístico das obras produzidas por pacientes psiquiátricos exilados da sociedade nos manicômios projetava o trabalho de Nise.

    Em 1950, no I Congresso Internacional de Psiquiatria, em Paris, ocorreu a primeira exposição internacional do material do ateliê. Em 1952, o trabalho se consolidava com a abertura do MII, que tem atualmente um acervo de mais de 360 mil trabalhos e – diferentemente de outros acervos similares – tende ao infinito por ser composto de todo processo de expressão dos clientes, dos rabiscos aos desenhos finais. O MII está diretamente ligado aos ateliês produzindo a cada dia novos documentos plásticos.

    O cotidiano do ateliê permitiu a Nise desenvolver pesquisas e organizar exposições que fundamentaram e comprovaram a eficiência do tratamento e circularam dentro e fora do país.

    As mandalas, os arquétipos e Jung

    Para continuar a história, é hora de apresentar mais um personagem, um dos pilares do pensamento de dra. Nise: Carl Gustav Jung (1875-1961), psiquiatra suíço, influente pensador da contemporaneidade. Jung estudou o homem, seus processos internos e seus símbolos, desbravou caminhos para a compreensão dos abismos da mente humana e revelou a importância dos sonhos e de se relacionar com eles para uma vida melhor.

    Nise percebeu entre os clientes uma considerável produção de mandalas – diagrama de formas geométricas concêntricas, com funções e significados para culturas e religiões orientais e identificado por Jung como representação simbólica da totalidade psíquica.

    Nise resolveu escrever para Jung. Era 1954 e, assim, introduzia na América Latina a psicologia junguiana. “Será suficiente referir que foi o aparecimento espontâneo de mandalas e de temas mitológicos na pintura de esquizofrênicos que nos conduziu à psicologia de C. G. Jung.” (Terapêutica Ocupacional – Teoria e Prática, Nise da Silveira, 1966, Casa das Palmeiras).

    Outra descoberta importante na produção dos clientes foram representações arquetípicas. Nise observou que os arquétipos, que do inconsciente coletivo emergem como relâmpagos nas visões de poetas, de pintores, estão no conteúdo avassalador das psicoses. E, da mesma forma que surgiam em obras criadas ao longo da história da humanidade – passando por pinturas rupestres, produções artísticas de diversos períodos, mitologias, contos de fadas ou relatos esotéricos –, estavam presentes nos desenhos e nas esculturas dos clientes de Engenho de Dentro. Um DNA do inconsciente humano.

    A evolução do trabalho

    A produção do MII foi levada para a exposição Artes Primitivas e Modernas Brasileiras, no Museu de Etnografia de Neuchatel, na Suíça, em 1955. Em paralelo, em sua casa no Rio de Janeiro, Nise começava informalmente com amigos o Grupo de Estudos C. G. Jung. No MII, foi formado outro grupo de estudos, que até hoje se reúne toda terça-feira.

    Em 1956, o museu inaugurou novas instalações e recebeu visitas de professores europeus. Nise fundava a Casa das Palmeiras, clínica pioneira em reabilitação para doentes mentais em regime de externato, com uso de atividades expressivas como principal método terapêutico – décadas depois, esse seria o mote da luta antimanicomial. Este ano, a Casa das Palmeiras comemora 60 anos e segue em atividade com frequência de duas dezenas de clientes e diversas dificuldades.

    Outra exposição foi inaugurada, em 1957, em Zurique. Durante o evento, Nise apresentou aos participantes a conferência Experiência de Arte Espontânea com Esquizofrênicos num Serviço de Terapia Ocupacional e se aproximou ainda mais dos estudos junguianos com uma bolsa no Instituto Carl Gustav Jung, iniciando o processo de análise com uma das colaboradoras principais do psiquiatra suíço, Marie-Louise von Franz. Durante esse período, organizou uma exposição em Paris, na qual Fernando Diniz, cliente de Engenho de Dentro, foi premiado.

    Em 1961, por meio de decreto presidencial, foram instituídos o Museu e a Seção de Terapêutica Ocupacional e Reabilitação (Stor) em Engenho de Dentro, em reconhecimento ao trabalho de Nise, que seguia com batalhas em outros campos, como a luta pelos animais como ferramenta terapêutica e combatendo o uso considerável de medicamentos, a “camisa de força química” e o aumento de confinamento de clientes. O presidente em exercício, Jânio Quadros, renunciou dias depois da publicação do decreto e, como registrou Nise, “tudo continuou como antes” (Terapêutica Ocupacional – Teoria e Prática, Nise da Silveira, 1966, Casa das Palmeiras).

    A Sociedade Amigos do Museu de Imagens do Inconsciente (SAMII) foi fundada em 1974 e se tornou uma ferramenta essencial para a manutenção do trabalho do MII e do ateliê, congregando a colaboração de diversos interessados no tema.

    A aposentadoria

    Em 1975, ano da aposentadoria de Nise, outra exposição movimentou no cenário artístico o legado do ateliê de Engenho de Dentro, Imagens do Inconsciente, que celebrava o centenário de nascimento de Jung no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ) e fez itinerância por outras capitais brasileiras. A produção dos clientes manteve repercussão em mostras, livros e outras ações. E o Stor seguiu suas atividades.

    Em 1981, museu e ateliê foram transferidos para o edifício onde estão até hoje. Obras do acervo entraram na XVI Bienal de São Paulo, no módulo Arte Incomum. O curador geral era Walter Zanini (1925-2013) e cuidaram desse recorte os curadores Annateresa Fabris (1947-) e Victor Musgrave (1919-1984), que selecionaram trabalhos de Adelina, Emydgio e Raphael, entre outros 32 artistas.

    Em 1987, os 40 anos do ateliê de Engenho de Dentro foram tema da exposição Os Inumeráveis Estados do Ser, com curadoria de Anna Letycia (1929-) e Luiz Carlos Mello (1951-). O título deriva de uma frase do surrealista francês Antonin Artaud (1896-1948), outro pilar do pensamento de Nise. A mostra passou pelo Rio de Janeiro, por Belo Horizonte e por São Paulo. Seguiram-se outras exibições, livros, filmes e até escola de samba homenageou Nise da Silveira e seu trabalho (1997, Acadêmicos do Salgueiro com o enredo “De Poeta, Carnavalesco e Louco, Todo Mundo Tem um Pouco”).

    Em 1999, no Rio, 30 de outubro, Nise morreu. No ano seguinte, seu trabalho e seus clientes ganharam projeção no módulo Imagens do Inconsciente, da Mostra do Redescobrimento. Um dos trabalhos finais de Nise, o módulo teve curadoria dela e de Luiz Carlos Mello e recebeu prêmios de crítica e público.

    As mostras continuaram e, em 2003, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) aprovou o tombamento das principais coleções do MII (128.909 obras).

    Em 2015, a Editora Vozes reeditou a obra mais representativa do legado de Nise da Silveira, o livro Imagens do Inconsciente, escrito após a aposentadoria da médica, no qual ela conta e reflete sobre o trabalho dos ateliês. Lançada originalmente em 1981, a obra teve outras quatro edições e é ilustrada com trabalhos dos clientes acompanhados por Nise e equipe. No mesmo ano, o arquivo pessoal de Nise, guardado no MII, foi reconhecido pelo Programa Memória do Mundo – Comitê Regional da América Latina e Caribe da Unesco.

    No cinema, Nise da Silveira foi tema de Olhar de Nise – a Psiquiatra das Imagens do Inconsciente (Jorge Oliveira, 2015), que mescla entrevistas e ficção, com Mariana Infante no papel da psiquiatra. E da ficção Nise – o Coração da Loucura (Roberto Berliner, 2016), com Glória Pires no papel de Nise, que conta a chegada da psiquiatra ao Centro Psiquiátrico Nacional e o começo de seu trabalho com arte e terapia. Os filmes foram premiados em diversas mostras e seguem em circulação.

  • Cultura em debate em 2016

    20 de dezembro de 2016

    Com atividades nos mais diferentes formatos, assuntos como questões raciais, indígenas e de gênero foram tema de discussões e reflexões em 2016 no Itaú Cultural. Debateu-se muito sobre arte e cultura: como preservá-las, novos formatos, seu relacionamento com a cidade, a necessidade de políticas públicas, como torná-las acessíveis.

    Confira um pouco do que aconteceu ao longo do ano!

    Veja também:

    >> Retrospectiva 2016 no Auditório Ibirapuera