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  • “Precisamos conhecer as variadas realidades negras”, defende O Menelick – 2º Ato

    4 de janeiro de 2017

    O legado de Abdias Nascimento é forte e ecoa. Para muitos, ele é visto como a personificação da luta antirracista no século XX no Brasil. A seguir, entenda como grupos que pensam questões raciais nos dias de hoje reverberam as principais ideias de Abdias sobre essa luta constante. Nesta entrevista, fala Nabor Jr., da revista O Menelick – 2º Ato.

    Logo - O Menelick

    Como você vê a luta atual contra o racismo e pela afirmação da identidade negra? O que tem mudado, o que ainda precisa mudar?

    Vejo que estamos em constante progresso no que tange ao protagonismo de novos atores e às formas de combater o racismo no Brasil, apesar da morosidade das nossas conquistas e da discreta adesão de não negros às nossas legítimas reivindicações.

    Observo também que muitas pautas que há tempos ocupam os debates dentro das comunidades negras mais combativas seguem em voga, uma vez que continuam mal resolvidas. Por outro lado, travam nossos avanços para outras discussões mais contemporâneas, igualmente urgentes, mas que dizem mais respeito aos anseios das novas gerações. Como exemplo, cito as discussões sobre as relações afetivas inter-raciais, as cotas raciais e a obrigatoriedade do ensino da cultura afro-brasileira em sala de aula, entre outras, que deveriam estar postas e solucionadas. Mas vejo que, para os detentores do poder e para aqueles que usufruem de algum tipo de privilégio por serem não negros, essas são discussões que nunca devem sair da pauta, pois mantêm os negros andando em círculos.

    É com otimismo que acompanho as criativas e espontâneas estratégias de luta pela afirmação da identidade negra protagonizadas nas periferias brasileiras, por jovens meninos e meninas, por mulheres e por atores que não se enquadram nos padrões heteronormativos estabelecidos por uma sociedade que cotidianamente os agride. Esses grupos têm dado novo vigor à nossa luta, iluminando novos caminhos de atuação no combate ao racismo na afirmação da nossa identidade negra. Eles também utilizam com desenvoltura as ferramentas digitais de que dispomos para ampliar o alcance dos nossos discursos, ao mesmo tempo que não encerram suas atividades na internet, ocupando espaços que lhes pertencem por direito, fazendo manifestações em ruas, escolas, eventos públicos, enfim, oxigenando a centenária luta que travamos.

    Hoje, a maioria do nosso povo já consegue se aceitar como é, ou seja, enquanto homens e mulheres negras com dignidade, passado, presente e futuro, com nossos cabelos enrolados, com nossos quadris largos. Reconhecem a beleza da nossa constituição física e da nossa capacidade intelectual. Aliás, chama a atenção o volume cada vez maior de homens e mulheres negras com mestrado, doutorado, com destacada capacidade intelectual de produzir e compartilhar discursos de empoderamento, assim como de construir novas possibilidades para as nossas reivindicações. Esse protagonismo na construção das nossas próprias narrativas tem sido determinante para nos entendermos enquanto sujeitos das nossas próprias falas e para ocuparmos os espaços sociais que nos são de direito.

    Ainda precisamos de mais unidade em nossas reivindicações e lutas. Mas precisamos também respeitar e reconhecer a diversidade que nos compõe, e a imensidão territorial em que vivemos, onde as realidades negras são variadas em suas extremidades.

    Como as atividades de O Menelick se encaixam nessa luta? O que vocês conseguiram transformar com seu trabalho?

    Com O Menelick 2º Ato, fazemos uma luta mais silenciosa – digo isso pois a leitura é uma arma silenciosa –, mas necessária, que se destaca por circular em diversas camadas sociais e por expandir a compreensão das pessoas quanto às inúmeras competências que acompanham o fazer negro ao longo dos anos.

    Nós nos orgulhamos muito de possuir uma produção de conhecimento cuja engrenagem, do começo ao fim, tem o negro como sujeito da sua própria história. Das definições das pautas, passando pelos colaboradores, até chegar ao leitor. Costumamos dizer que damos voz, vez, nome, número e CEP à vanguarda da produção cultural e intelectual do negro brasileiro, bem como jogamos luz nas histórias dos nossos que propositadamente foram deixadas pelo caminho. Ao colocar em circulação conteúdos que nos dignificam, acreditamos contribuir em diversos aspectos para o nosso povo. Por exemplo, despertamos em nossos pares as conquistas da nossa vida cotidiana ao revelarmos, sob a óptica negra, histórias do negro no Brasil e até mesmo ao propormos uma revisão da história oficial do país, que insiste em negligenciar a contribuição negra ao longo de todo o seu desenvolvimento.

    Quem lê a revista O Menelick 2° Ato, assim como quem teve a oportunidade ao longo da história de ter contato com a produção da imprensa negra, se transforma e observa o mundo de outra maneira. Diria até que descobre um novo mundo, ou novas maneiras de ver o mundo em que vivemos.

    Como lutar contra o racismo, seja na cultura, seja na política, seja no cotidiano? O que cada um de nós pode fazer?

    Essa luta se faz de inúmeras formas, na postura e no comportamento cotidiano, nas relações familiares, com nossos amigos, no ambiente de trabalho. Uma roupa, uma resposta, uma fotografia, um discurso são atos de luta contra o racismo dependendo da forma como são utilizados ou proferidos.

    O que cada um de nós pode fazer é lutar à sua maneira, não importa como ela seja, desde que seja.

    Como veem o legado de Abdias Nascimento? Conhecem seu trabalho, ele os influenciou de alguma maneira, traz algo que lhes interessa?

    Abdias Nascimento é um ícone para a comunidade negra mundial. Sua incansável trajetória de luta e sua produção intelectual são exemplos a serem seguidos. E olha que ele fez tudo o que fez em uma época muito mais difícil para os negros brasileiros. É difícil mensurar a contribuição dele para a população negra brasileira, tanto no teatro quanto nas artes visuais, na literatura, na política. Ele dignificou a figura do negro brasileiro ao redor do mundo, revelando nossa capacidade intelectual, nossas inquietações, nossa competência, e nos colocando na vanguarda do pensamento negro ocidental. Abdias Nascimento foi um dos grandes pensadores das relações raciais do século XX em todo o mundo.

    Nós, da revista O Menelick 2° Ato, somos filhos do Teatro Experimental do Negro, do Museu de Arte Negra, do Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros (Ipeafro) e das demais realizações de Abdias, pois nos beneficiamos diretamente das ações que ele protagonizou, seja na formação de público negro para as artes, seja nas lutas que travou para tivéssemos reconhecidos nossos direitos, assim como por espalhar pelos quatro cantos do planeta a capacidade do negro brasileiro de estar na vanguarda da produção intelectual ocidental.

  • “O racismo no Brasil é escancarado, só não vê quem não quer”, afirma Afreaka

    28 de dezembro de 2016

    por Duanne Ribeiro

    O legado de Abdias Nascimento é forte e ecoa. Para muitos, ele é visto como a personificação da luta antirracista no século XX no Brasil. A seguir, entenda como grupos que pensam questões raciais nos dias de hoje reverberam as principais ideias de Abdias sobre essa luta constante. Nesta entrevista, falam Flora Pereira e Natan Aquino, da agência Afreaka.

    Afreaka

    Como você vê a luta atual contra o racismo e pela afirmação da identidade negra? O que tem mudado, o que ainda precisa mudar?

    A resistência negra continua forte, como sempre esteve. Ao longo da história foram muitos os homens e as mulheres negras que resistiram, como Dandara, Carolina Maria de Jesus, Zumbi e o capoeirista baiano Besouro Mangangá, entre outros. Nos tempos atuais, a luta ganhou outros contornos, inspirados em mais nomes, como Luiza Bairros, Sueli Carneiro, Hélio Santos, Carlos Moore, Djamila Ribeiro, o professor nigeriano e Nobel de Literatura Wole Soyinka e a escritora moçambicana Paulina Chiziane. O acesso de parte da população negra às universidades, à informação e às artes aumentou de forma considerável. Primeiro pela determinação de sempre, que levou à implementação de ações afirmativas. Não como um ato de bondade de governos, mas como o resultado de uma briga incansável por direitos e pelo mínimo de igualdade.

    Mas ainda há muito o que mudar. A sociedade branca ainda precisa entender e abrir mão de seus privilégios, precisa entender que ela protagoniza sim o racismo e que deve refletir e alterar sua postura. A violência policial ainda mata nossos jovens, especialmente os homens, e a violência de gênero mata sobretudo as mulheres negras. As cadeias e as camadas sociais menos favorecidas ainda são formadas por uma maioria negra. E o racismo está solto e bem perceptível. Dizer que o racismo é velado no Brasil é absurdo. Ele é muito escancarado, só não vê quem não quer.

    Como as atividades da Afreaka se encaixam nessa luta? O que vocês conseguiram transformar com seu trabalho?

    Nosso grande objetivo é e sempre foi a quebra do estereótipo negativo sobre a África, que se formou como reflexo de uma sociedade racista. Procuramos quebrar esse preconceito em várias camadas: educacional, social, midiática. Assim, tentamos atuar em diferentes áreas, trabalhando para que o conteúdo do projeto seja cada vez mais acessível, não apenas no mundo das mídias sociais, mas também em escolas, bibliotecas, exposições e festivais. Com isso, procuramos a valorização da cultura africana e que as pessoas se conscientizem sobre a forte influência que ela tem em nossas vidas. A ideia não é discutir apenas o continente africano, mas sobretudo a sua produção cultural e intelectual, enxergando-o como um espaço ativo, protagonista. Ao desmistificar a imagem estereotipada do continente, rompe-se um fluxo de informação negativa que permeia o conteúdo hoje disposto em parte das redes de ensino e das grandes mídias brasileiras. Tentamos falar do outro lado da história, muito menos abordado: uma África proativa, inovadora, positiva e que, ao nos indicar muitos exemplos a serem seguidos, quebra uma linha pejorativa atribuída à cultura africana e afro-brasileira.

    A proposta também é reforçar de maneira extracurricular a Lei nº 10.639/03 – que obriga o ensino da história e da cultura afro-brasileira nas escolas e ainda não foi implementada de maneira integral –, ao trazer um conteúdo inédito no Brasil. A linha editorial procura trabalhar o olhar do brasileiro sobre si mesmo e a ligação do país com o continente africano. Somente no nosso vocabulário são mais de 1.500 palavras de origem africana. Além de nossos costumes, linha de pensamento, higiene, tradições, culinária etc., que são intrinsecamente ligados à cultura do continente irmão. O Afreaka tenta suprimir parte dessa falta de conteúdo, principalmente sobre a contribuição histórico-social e cultural dos descendentes de africanos ao país, e desmitificar para o jovem a imagem passiva do negro e da sua história no Brasil – abordagem que constrói uma percepção problemática e racista no imaginário coletivo do próprio brasileiro, que deveria, desde o começo do seu processo de educação, enxergar a cultura negra como protagonista e formadora da sociedade atual.

    Como lutar contra o racismo, seja na cultura, seja na política, seja no cotidiano? O que cada um de nós pode fazer?

    É necessário que se admita a existência do racismo e o quão feroz ele é. Depois disso, é obrigatória a aplicação de medidas sociais de afirmação que busquem o mínimo de igualdade. Como indivíduos, é importante a pressão. A pressão para que mídia, empresas, governos e instituições educacionais trabalhem imprescindivelmente o tema, para que sejam mais representativos e dialoguem mais com a realidade brasileira, expondo o racismo existente, quebrando o mito da democracia racial e promovendo as culturas africanas e afrodescendentes.

    Como veem o legado de Abdias Nascimento? Conhecem seu trabalho, ele os influenciou de alguma maneira, traz algo que lhes interessa?

    Abdias Nascimento deixou um legado muito importante tanto para o movimento negro no Brasil quanto para a visibilidade da participação negra nas artes visuais e da cena. Para o Afreaka, ele foi uma das referências iniciais, sendo a primeira instituição visitada em busca de conhecimentos e parcerias o Ipeafro, fundado por Abdias com sede no Rio de Janeiro e que trabalha nas áreas de ensino, pesquisa, cultura e documentação. Temos grande admiração pelas lutas e pelas conquistas alcançadas ao longo de sua vida. Ocupamos nosso ambiente de trabalho com algumas de suas obras como forma de homenagem e referência.

  • “Colhemos os frutos deixados pelo Teatro Experimental do Negro”, diz Coletivo Negro

    26 de dezembro de 2016

    por Duanne Ribeiro

    O legado de Abdias Nascimento é forte e ecoa. Para muitos, ele é visto como a personificação da luta antirracista no século XX no Brasil. A seguir, entenda como grupos que pensam questões raciais nos dias de hoje reverberam as principais ideias de Abdias sobre essa luta constante. Nesta entrevista, fala Jé Oliveira, fundador do Coletivo Negro.

    Veja também:

    >> Até 15 de janeiro: Ocupação Abdias Nascimento

    Cena de ‘Farinha com Açúcar ou Sobre a Sustança de Meninos e Homens’, com o Coletivo Negro | imagem: Ivson Miranda

    Como você vê a luta atual contra o racismo e pela afirmação da identidade negra? O que tem mudado, o que ainda precisa mudar?

    A luta está avançando aos poucos. Precisamos fazer a lei ser cumprida. Racismo é crime, e isso ainda precisa ser efetivado. É de se estranhar que em um país racista como nosso não haja casos de prisões por racismo, o que demonstra certo entendimento permissivo e despreocupado por parte das autoridades do país.

    Hoje temos um pouco mais de representatividade em áreas que contribuem para a formação de um novo imaginário, o nosso teatro está forte, a presença de negros e de questões negras nesses ambientes vem trazendo novas possibilidades de pluralização e invenção de mundos. Há 15 anos, isso não existia na cidade de São Paulo. Não temos público, temos irmãos e irmãs que compartilham proposições, dores, saberes e sonhos. Mas, de toda forma, ainda precisamos ocupar alguns lugares que nos são caros: lugares onde acontecem as tomadas de decisões.

    Como as atividades do Coletivo Negro se encaixam nessa luta? O que vocês conseguiram transformar com seu trabalho?

     As obras do Coletivo Negro atuam na instância do simbólico, na intenção de transbordar para o concreto. Nossa presença nos palcos da cidade contribui efetivamente para a democratização das possibilidades de representação e destitui um pouco o monopólio sobre a subjetividade e as representações teatrais. Isso é mudança efetiva feita com muito empenho coletivo por grupos como: Os Crespos, Capulanas Cia. de Arte Negra, Bando de Teatro Olodum, Grupo Quizumba, Caixa Preta, etc. Fazemos parte disso e estamos todos aliançados com esse avanço.

    Como lutar contra o racismo, seja na cultura, seja na política, seja no cotidiano? O que cada um de nós pode fazer?

    Lutar contra o racismo é algo cotidiano, é se impor na rua, não tolerar algumas ações, não achar natural ser seguido no mercado, por exemplo. É lutarmos pela efetivação da Lei nº 10.639/03, que versa sobre a obrigatoriedade do ensino de questões sobre a história e a cultura afro-brasileira. É efetivarmos e ampliarmos o direito a cotas. Existem muitos modos, desde os mais amplos e coletivos até os mais ligados às subjetividades. O racismo devastou todos os campos da nossa vida social e afetiva, então, descolonizar o olhar sobre si mesmo, sobre as suas características físicas, por exemplo, é combater o racismo assim que se olha no espelho, antes de se olhar no e pelo olho de alguém. É tudo muito complexo e profundo.

    Como veem o legado de Abdias Nascimento? Conhecem seu trabalho, ele os influenciou de alguma maneira, traz algo que lhes interessa?

    Sim, o Abdias foi e é importante para nós. Por meio do Teatro Experimental do Negro foi possível começar a pensar sobre a necessidade de se arquitetar um discurso em primeira pessoa, que nos tirasse da condição de objeto e da superficialidade com que o negro era representado em cena até a primeira metade do século XX. Estamos todos colhendo os frutos dessas pegadas deixadas por eles. As nossas preocupações iniciais ainda são muito próximas às do TEN.

  • Árvore imensa de cem anos: Manoel de Barros

    20 de dezembro de 2016

    por Duanne Ribeiro

    O poeta Manoel de Barros (1916-2014), que completaria um século neste 2016, já é árvore: passarinhos constroem casa na palha do seu chapéu, brisas carregam borboletas para o seu paletó e cachorros fazem de poste as suas pernas.

    Em homenagem ao seu centenário, convidamos artistas para falar sobre ele e a sua obra. Conversaram com a gente o cineasta Joel Pizzini, que conta como foi filmar alguém que não gostava “de falar com ferro”; o músico Márcio de Camillo, que acrescentou voz e violão aos versos de Manoel; o coreógrafo João Andreazzi, que se identificou com o poeta a ponto de ter o seu estilo na ponta da língua; e o poeta Arthur Moura Campos, que viu no colega escritor um jeito de ser livre.

    Assim, esta é uma reportagem sobre os frutos da árvore-Manoel. Por isso, quem sabe nos desse um pito o poeta, que – como veremos daqui a pouco – não queria saber disso de matéria jornalística sobre ele.

    “Não sirvo nem pra uma anedota”

    Escritor natural de Mato Grosso, Manoel de Barros estudou durante a infância e a juventude no Rio de Janeiro, onde atuou na Juventude Comunista entre os anos de 1935 e 1937 e se formou em direito em 1941. Cursou cinema e pintura, em 1947, no Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA). Em 1960, assumiu uma fazenda de gado da família no Mato Grosso do Sul. Lançou o seu primeiro livro, Poemas Concebidos sem Pecado, em 1937. Continuou publicando ao longo dos anos, sem maior alcance. A partir de 1980, porém, a sua obra recebeu grande atenção de crítica e público.

    Joel Pizzini, autor do curta CaramujoFlor (1988), que bebe da poesia de Manoel, o conheceu antes da aclamação. O encontro foi ocasionado pelo trabalho de Joel em um suplemento cultural. “Descubro aquela figura que estava num completo anonimato. Com a morte do pai, teve de assumir as terras e abandonou a carreira no Rio de Janeiro e em Campo Grande, e ficava isolado, desconhecido”, conta.

    A poesia de Manoel lhe chamou a atenção: “Quis tomar contato com a obra e não tinha nenhum livro, tive de fazer fotocópia. Fiquei movido pela vontade de fazer um filme. Ele disse: ‘Desde que você não faça uma reportagem, porque a minha vida não serve nem pra anedota. Se você quiser fazer um trabalho sobre a minha obra, eu aceito’”. Um aceite que era só 10% recusa – e que se tornou um desafio.

    “Como fazer um filme sobre um poeta sem que ele aparecesse? Isso pra mim foi uma loucura”, diz Joel. Lendo os livros, ele encontrou um caminho: “Ao mergulhar na obra, descobri uma poesia fragmentada, que me permitia fazer uma espécie de colagem, recriações, extrair uma palavra, uma frase. Construir outro olhar. É uma poesia muito apropriada pro cinema, que trabalha com a noção de corte. Transformei aquilo num corpo cinematográfico porque a poesia permitiu”.

    Joel narra que, depois de assistir ao curta, Manoel comentou: “O filme me deixou quieto. Não é a minha poesia, mas tem toda a ambiência dela”. Foi um “gostei” só com 10% de “achei esquisito”? De todo modo, deu alívio ao cineasta. “Meu medo era ficar na sombra, fazer algo reverente, abdicar da minha visão de autor. Criei o diálogo de um diretor com um poeta que produziu um terceiro sentido”, lembra.

    “Foi um caminho sem volta”, define Joel, “nunca mais consegui produzir um filme que não quisesse transfigurar” – no sentido de extrapolar referências. Autor de, entre outras obras, Mr. Sganzerla – os Signos da Luz (2011), ele pretende recuperar as entrevistas que filmou com Manoel, além de outros materiais, e “desconstruir a sua recusa”, criando um documentário: Coisal – Retrato do Poeta Enquanto Prosa.

    A música fez o encanto

    O músico sul-mato-grossense Márcio de Camillo também conviveu com o poeta, desde 1990, quando lhe foi apresentado por um amigo. “Ele estava começando a se tornar conhecido nacional e internacionalmente”, diz Márcio. “Manoel era muito generoso, e assim surgiu uma amizade de um menino com um senhor.”

    Márcio teve a ideia de musicar a obra de Manoel. O resultado seria um dos discos da série Crianceiras, que foi apresentado no Auditório Ibirapuera em 2015. Teve a ideia, mas esperou 17 anos para, em 2007, pedir permissão ao poeta. “Quando eu falei que ia dedicar uma obra a ele, não entendeu muito. Nunca alguém tinha feito isso, ainda mais pra crianças. A premissa era jamais desrespeitar o trabalho dele. Um dia, ele me disse que nós estávamos trabalhando juntos”, conta.


    Márcio também foi entrevistado pelo nosso ratinho Bartô

    Foram cinco anos de leitura para criar o disco. Mostrá-lo feito ao escritor, lembra Márcio, “foi um momento muito feliz. Quando conseguiu falar comigo, ele estava chorando. Disse que tinha feito a poesia e que Crianceiras era o encanto”. O músico conclui: “A obra nunca mais me abandonou. A poesia do Manoel permeou a minha vida. Ela é uma ginástica para um compositor, inspira qualquer escritor. Cada frase é um filme, é um livro inteiro”.

    Helicópteros em forma de libélula

    Para João Andreazzi, “um jeito simples de ir colocando memórias inventadas” – um “bordado sobre a pele” – é próprio de Manoel de Barros. Essa simplicidade criativa é uma “peraltice” que renova experiências, por exemplo a velhice. “O que ele passa na distribuição de palavras é tão singelo; você vê a terceira idade como uma terceira infância. O abandono visto como uma aventura, como um ‘aprendimento’…”, diz o coreógrafo.

    Membro da Cia. Corpos Nômades, que estreou em 2006 a peça Gramática Expositiva do Chão, inspirada em Manoel, João ressalta também os tratamentos peraltas que o poeta mato-grossense dá à linguagem. “Esse jeito de frasear as coisas cria nas junções das palavras essas imagens, transforma as lembranças em pinturas. Uma coisa simples, um caso de amor, e mistura com uma rã. Pega um homem de lata e inventa uma fairy tale. Cria uma gramática de quem cresceu com quintal”, explica.

    O artista conta que é habitual que a Corpos Nômades trabalhe com poetas – o grupo já se dedicou, por exemplo, a Paulo Leminski em Hyperbolikós, realizado com apoio do programa Rumos Dança 2003-2004. Há em Manoel, porém, uma relação forte com os fundamentos da companhia: “Vejo nele uma maneira própria de produzir nomadismo, de um modo tão natural, parece que voa, pedala com uma bicicleta com pedais de nuvens, abrindo na cerca de arame farpado trilhos para rodovias e espaços para pousos de helicópteros em forma de libélula”.

    O último trecho, se você está se perguntando, é de João mesmo. Pelo que parece, Manoel já pegou raiz funda no bailarino: “Sempre que escolho um trabalho tem de haver de fato essa identidade, senão eu não consigo…”.

    Uma seriedade despretensiosa

    O convite do escritor Marcelino Freire para que participasse do Autores em Cena – projeto do Itaú Cultural que convida literatos para subir ao palco do teatro – deu ao poeta Arthur Moura Campos a oportunidade de mergulhar no trabalho do poeta mato-grossense. A peça 100 Anos de Manoel de Barros teve direção de Laís Doria e contou também com Fino Dflow e Mel Duarte.

    Sobre o processo de criação, Arthur fala: “Encontrei pessoas muito especiais. Criou-se ali uma minifamília. A gente foi se conhecendo mais e entrando mais no universo do Manoel”. A imersão o fez encontrar afinidades. “Ele era migrante como eu – sou de Goiânia e vim para São Paulo. Tenho familiaridade com esse lado prosaico, de elogiar essas coisas de roça mesmo”, diz.

    imagem: Ivson Miranda

    Arthur Moura Campos, Fino Dflow e Mel Duarte em 100 Anos de Manoel de Barros, espetáculo do Autores em Cena | imagem: Ivson Miranda

    “É uma poesia muito bonita, tudo que passa perto dele ganha um brilho”, comenta Arthur. Contudo, o aspecto com que mais se identificou foi a liberdade criativa do poeta: “Ele não tinha pudor de falar o que era importante para ele, de ter o estilo dele”. Acima de tudo, “ele tem uma seriedade despretensiosa – é brincalhão ao mesmo tempo que fala de coisas muito importantes. Tem a liberdade de rir, de brincar com o que você é, consegue brincar sem ser simplista”.

    Ao telefone, Arthur declamou um poema que o marcou em particular durante o período de criação do espetáculo. Não há meio melhor de terminar este texto:

    Há um cio vegetal na voz do artista.
    Ele vai ter que envesgar seu idioma ao ponto
    de alcançar o murmúrio das águas nas folhas
    das árvores.
    Não terá mais o condão de refletir sobre as coisas
    Mas terá o condão de sê-las.
    Não terá mais ideias: terá chuvas, tardes, ventos,
    passarinhos…
    Nos restos de comida onde as moscas governam
    ele achará solidão.
    Será arrancado de dentro dele pelas palavras
    a torquês.
    Sairá entorpecido de haver-se.
    Sairá entorpecido e escuro.
    Ver sambixuga entorpecida gorda pregada na
    barriga do cavalo –
    Vai o menino e fura de canivete a sambixuga:
    Escorre sangue escuro do cavalo.
    Palavra de um artista tem que escorrer
    substantivo escuro dele.
    Tem que chegar enferma de suas cores, de seus
    limites, de suas derrotas.
    Ele terá que envesgar seu idioma ao ponto de
    enxergar no olho de uma garça os perfumes do
    sol.

  • Espaço Cultural em Santos tem a Cidade e sua População como Protagonistas

    6 de dezembro de 2016

    por Amanda Rigamonti

    O Armazém Cultural 11 durante exposição do Carlos Moreira (Foto: Divulgação)

    O Armazém Cultural 11 durante exposição do Carlos Moreira (Foto: Divulgação)

    A cidade portuária de Santos tem uma histórica relação com a fotografia – grandes fotógrafos já a registraram, como Carlos Moreira, Marcos Piffer e Araquém Alcântara. Apesar de ter um Sesc e uma Pinacoteca, a cidade ainda não tinha um espaço que fosse dedicado somente à fotografia – até dezembro de 2015, quando o Armazém Cultural 11 iniciou suas atividades.

    A proposta do espaço veio de Beatriz Estrada, que integra a diretoria da Deiclog (empresa do setor imobiliário). Beatriz conta que, conforme se aproximavam da inauguração do espaço, sentiram falta de dividi-lo com a população da cidade: “Pessoalmente, sempre tive uma forte ligação com a fotografia e sentia falta de um espaço destinado a essa atividade em Santos. A partir disso, o Armazém foi tomando forma e, em 8 de dezembro de 2015, foi inaugurado”.

    O espaço apresentou as exposições Uma Cidade – Dois Momentos, com fotografias de Marcos Piffer, e Os Dias Lindos, com o trabalho de Carlos Moreira.

    Na quinta-feira 8 de dezembro, teve início a mostra Correspondências. Com aproximadamente 65 fotos em preto e branco, é resultado da participação dos fotógrafos brasileiros Flávia Tojal, Helena Rios e Marcelo Greco e do francês Pierre Devin na Missão Lance Ventoux (MLV), que tem o objetivo de promover uma reflexão sobre a região da Provença, suas características e mutações no decorrer do tempo, de forma internacional, por meio da fotografia autoral e da literatura.

    Em entrevista, Beatriz Estrada, Rosely Nakagawa e Beatriz Matuck falam da construção desse espaço, da relação com a população de Santos e da fotografia na cidade.

    Como surgiu a ideia do espaço?

    Beatriz Estrada (BE) – O Armazém Cultural 11 integra um projeto que teve início em 2011, com a aquisição do Edifício Almares pela Deiclog, empresa da qual integro a diretoria.

    Iniciou-se então um processo de retrofit do edifício e a revitalização dos arredores, que durou até 2015. Ao nos aproximarmos da reinauguração do prédio, sentimos a necessidade de dividir essa estrutura com a população da cidade. Pessoalmente, sempre tive uma forte ligação com a fotografia e sentia falta de um espaço destinado a essa atividade em Santos. A partir disso, o Armazém foi tomando forma e, em 8 de dezembro de 2015, foi inaugurado.

    Por que você escolheu Marcos Piffer para “estrear” o espaço?

    BE – Eu já acompanhava o trabalho do Marcos há muito tempo, conhecia também os registros que o pai dele, o senhor Carlos Alberto Piffer, tinha feito do Porto de Santos durante as várias décadas que atuou no setor de logística.

    Convidei o Marcos para uma conversa, antes mesmo de ter ideia do que poderíamos fazer com o espaço. Ele nos apresentou à Beatriz Matuck e à Rosely Nakagawa e, a partir desse encontro, o projeto desenvolveu-se.

    Como foi para vocês esse processo de construção?

    Rosely Nakagawa (RN) – Conheço o Marcos Piffer de longa data e, por ocasião da exposição Comunidades da Serra – com fotografias de Renata Castello Branco, que ocorreu em 2014 no Sesc Santos –, nos reencontramos e ele contou que estava fazendo uma exposição num lugar novo que abriria em Santos e que gostaria muito de ter nossa consultoria. Eu falei para ele conversar com a Beatriz Matuck.

    Beatriz Matuck (BM) – O pessoal da Deiclog queria uma exposição temporária para o trabalho do Marcos Piffer. Isso envolvia encarar um espaço com dois pilares no meio de uma sala cercada de vidros com vista para o cais do porto, em frente ao Armazém 11. Quando fui fazer a visita técnica no local, pensei “este lugar tem muito potencial”. Então, decidimos desenvolver a ideia da construção de um espaço cultural, onde a população pudesse se aproximar de uma área atualmente desprezada da cidade e usufruir de um espaço cultural novo, com foco na fotografia.

    Estamos acostumados a trabalhar com a construção e o desperdício de materiais na área de cenografia. Na maioria das vezes, por não existir no espaço expositivo uma área reservada para reserva técnica. Então, sugeri que eles gastassem um pouco mais para fazermos um projeto que tivesse uma estrutura um pouco mais fixa. Assim, chegamos à decisão de fazer um suporte resistente às intempéries do lugar, e optamos por fazer um painel de aço com penduradores de ímã, garantindo certa versatilidade ao espaço.

    RN – E tinha também o seguinte: quando a Beatriz Estrada fez a proposta da instalação, o projeto do espaço já tinha uma ideia conceitual bem estruturada – é uma empresa que está investindo na renovação daquela área. A revitalização do cais do porto é um projeto antigo que a cidade não assume, então alguns empresários estão assumindo, porque fica inabitável, intransitável, é uma zona ainda em transição do antigo funcionamento do porto para o porto novo que se propõe, e essa empresa resolveu fazer por conta própria a revitalização da área, apostando nesse futuro que espera-se que não seja tão remoto.

    Apostaram na revitalização, mas não só na revitalização física, também numa cultural. Ali é o circuito da memória da cidade, onde estão o Museu Pelé, o Museu do Café, onde tem o centro mais antigo; aquela área é muito importante para o crescimento da cidade, e esse espaço cultural tem essa vontade e essa vocação de fazer uma revitalização cultural de ocupação, de integração da vizinhança. Então, esse reforço que a Beatriz Estrada teve de fazer uma programação de longo prazo tem a proposta de formar ali um público de visitação que troaga vida nova à região, ou seja, ela não pensou somente numa construção física.

    BM – E foi surgindo, porque virou um projeto de uma galeria e a Beatriz Estrada bancou essa ideia. Então, também teve uma vontade dela de querer fazer esse espaço funcionar e acho que, cada vez mais, a ideia é recuperar esse sentido de devolver alguma coisa para esse espaço. E assim surgiu uma programação que se relacione com a cidade.

    Como está sendo essa relação com a Rosely e a Beatriz? Vocês pensam a curadoria juntas?

    BE – A experiência de ambas foi e ainda é de grande importância para a criação e o desenvolvimento do Armazém. O projeto desenvolvido pela Beatriz concretizou a ideia que tínhamos de uma galeria aberta ao público, no sentido mais literal da expressão, uma vez que as imagens ficam, em sua maioria, voltadas para a rua e podem ser vistas por aqueles que passam, mas que ainda não tomaram coragem de entrar. Um espaço cultural pode ser intimidador para quem nunca conheceu um e nosso objetivo é tentar diminuir essa barreira.

    Já a Rosely nos guia na direção do espaço, eu e o conselho curador participamos das decisões, opinamos, damos ideias, mas o processo de seleção e orientação da galeria é guiado por ela.

    E Santos tem uma cena de fotografia forte?

    RN – Sim, tanto que o Marcos é uma pessoa que só trabalha lá. No próprio Sesc Santos tem uma programação aberta para a fotografia que é interessante, e fotografia hoje é uma linguagem muito sob o domínio de qualquer artista. É uma linguagem simples, fácil e existem grupos de fotógrafos, fotoclube, é uma atividade bastante intensa já há certo tempo.

    BE – De forma geral, Santos sempre teve uma cena cultural muito ativa, principalmente nas áreas teatral e musical, com diversos eventos, como o Mirada, o Fescete e o Santos Jazz Festival, que incentivam o interesse de jovens por essas atividades. Na fotografia, além do próprio Marcos Piffer, que sempre registrou a cidade, o Araquém Alcântara também iniciou sua carreira em Santos e hoje é um dos maiores nomes da fotografia no Brasil. Acredito que Santos evoque a fotografia, até mesmo pelo contraste entre o maior porto da América Latina e a cidade que ainda mantém um certo ar de balneário.

    Como é pensada a curadoria tanto das exposições quanto das programações paralelas?

    RN – O primeiro e o segundo ano de programação estão sendo pautados nesse esforço de fazer algo que tenha a ver com Santos, ou com o litoral, mas com o tema relacionado ao contexto geográfico e socioeconômico, vamos dizer assim. Criando uma nova imagem de Santos longe de estereótipos, levar o trabalho do Carlos Moreira para lá teve muito esse objetivo, já que a visão dele do litoral é uma abstração, de sobreluz. Inclusive, chamava Os Dias Lindos porque havia uma foto de um navio aportando e a luz era perfeita, e tinha uma crônica do Carlos Drummond de Andrade, chamada Os Dias Lindos, que falava dessa luz de abril – ela inclusive estava no espaço expositivo.

    Então, é uma visão poética da cidade que tem como vocação essa coisa de ser uma cidade de porto, de mar, de ser uma cidade voltada para fora e não para dentro. Assim, estamos convidando artistas que tenham essa visão poética de uma cidade do litoral e que possam incluir na programação os problemas que essa cidade tem. Ao longo do processo, vamos incluir não só fotografias de litoral, mas aquelas que também tenham a preocupação de usar a fotografia como leitura desse contexto de paisagem.

    Outro trabalho fundamental que está sendo desenvolvido é a leitura de portfólios dos fotógrafos da região, uma forma de nos aproximarmos e estimularmos a produção local.

    BM – E ela é uma guerrilheira, porque está indo contra todos os obstáculos da prefeitura e está fazendo o que acha que tem que fazer, da forma como tem que fazer.

    Como está sendo a troca com os moradores da região?

    BE – Percebemos curiosidade por parte dos moradores ao passar pela galeria, observando as obras através das paredes de vidro. Apesar de a entrada ser gratuita, as visitas de nossos vizinhos ainda são tímidas.

    Sentimos que a aproximação é um processo que vai acontecendo gradualmente. Em dias de sol, já vemos crianças que moram nos arredores jogando bola e andando de skate na rua aqui em frente, o que antes da revitalização era algo inimaginável. Aos poucos, eles vão se acostumando conosco e assim esperamos gerar interesse sobre fotografia e levá-la para a vida deles.

    E como foi a relação com o Festival do Valongo, que aconteceu pela primeira vez em Santos neste ano?

    RN – O Iatã Canabrava é um parceiro de longa data, desde as primeiras Semanas de Fotografia de São Paulo realizadas na década de 1980. Participamos juntos das Semanas de Fotografia da Funarte Infoto desde 1979. Fomos juntos ao Fotoseptiembre no México, em 1987, e participei de quase todos os Festivais em Paraty.

    Quando ele apresentou o projeto do Festival do Valongo, a ideia de integrar à programação do Armazém Cultural 11 foi uma decorrência natural. A mostra do Carlos Moreira permitiu que o público conhecesse um pouco da fotografia analógica, ao lado das mostras digitais mais fluidas das ruas e dos espaços ocupados. O auditório proporcionou a apresentação de workshops com um número de 80 participantes, mesmo não estando exatamente no Valongo, e, por isso mesmo, o público pôde conhecer a relação com a geografia da cidade, o porto e os armazéns da região do cais, no Paquetá, onde estamos situados. Foi uma primeira e bela experiência.

    BE – Participar do Festival do Valongo em nosso primeiro ano de atividade foi uma grande experiência. Acreditamos que a expressão artística tem o poder de transformar espaços e realidades, por isso investimos no Paquetá, uma área que, assim como o Valongo, carece de um olhar especial. Assim, fizemos questão de receber atividades desse evento e ajudar como fosse possível.

    A exposição Correspondências fica em cartaz no Armazém Cultural 11 de 8 de dezembro de 2016 a 31 de março de 2017. Para mais informações, acesse a página do espaço no Facebook.

    Beatriz Estrada é acionista de uma empresa do setor logístico. Além de duas décadas de experiência na prestação de serviços logísticos e portuários, traz em seu currículo experiência como administradora nas áreas têxtil e do comércio.

    Apaixonada por arte e com carinho especial pela fotografia, Beatriz é idealizadora do Armazém Cultural 11, espaço cultural destinado a essa atividade em Santos que completa seu primeiro aniversário em dezembro de 2016.

    Rosely Nakagawa é responsável pela seleção de conteúdo para o Armazém Cultural 11. É editora de fotografia e arquiteta graduada pela FAU/USP, com especialização em museologia e comunicação e semiótica. Fundou, junto com Thomaz Farkas, a Galeria Fotoptica, em 1979, e criou o Espaço Cultural Citibank, onde foi curadora de 1985 a 1990.

    Na Casa da Fotografia Fuji, de 1997 a 2004, atuou em exposições nacionais e internacionais. Fez a curadoria de conteúdo das galerias Fnac Brasil, desde a sua abertura no país até 2009, quando publicou essa coleção e entrevistas no livro Encontros com a Fotografia. Em 1991, como uma das fundadoras do Núcleo dos Amigos da Fotografia (Nafoto), criou o I Mês Internacional da Fotografia em São Paulo, que aconteceria a partir de 1993.

    Trabalhando de forma independente, realizou inúmeras mostras de artes plásticas, arquitetura, arqueologia e cultura material em instituições e museus do Brasil e em outros espaços internacionais.

    Beatriz Matuck é responsável pela construção do espaço e pela identidade visual do Armazém Cultural 11. Arquiteta graduada pela Escola da Cidade, atualmente desenvolve projetos de expografia e design gráfico em seu ateliê de forma independente. Em 2014, colaborou para o projeto gráfico do livro Centro, do fotógrafo Felipe Russo, classificado como melhor livro pela TIME Best Photobooks of 2014 e pelo Photo-eye Best Photobooks of 2014. Projetou a expografia das exposições Tudo é Semente (2014), no Sesc Interlagos, e Retrato Popular – Do Vernáculo ao Espetáculo (2016), no Sesc Belenzinho.