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Rumos 2013-2014: No Mato Grosso, grupo fomenta a pesquisa teatral

1 de dezembro de 2014

obra: Núcleo de Pesquisas Teatrais – Encontros Possíveis 2014
selecionado: Cia. Pessoal de Teatro

O caminho de Tatiana Horevitch e Juliana Capilé se entrelaça em Curitiba, passa por Ouro Preto, tem uma estadia na Dinamarca e se estabelece em Cuiabá. É na capital mato-grossense que elas iniciam o Núcleo de Pesquisas Teatrais – Encontros Possíveis. Agora em dezembro, o projeto chega à sua sexta edição e reúne pela primeira vez de dois grandes nomes do teatro contemporâneo: Eugenio Barba, fundador e diretor do Odin Teatret, e João Brites, do Teatro O Bando, de Portugal.

O evento também terá a participação, entre outros, de Julia Varley, do Odin, de Amauri Tangará, representante do teatro de Mato Grosso, e do ator, diretor e professor Luiz Carlos Garrocho.

Outra novidade é que o núcleo se expandirá para o interior do estado. Em novembro, o evento foi realizado no município Primavera do Leste ‒ aproveitando o público que estará presente para participar dos festivais de teatro Velha Joana e da Amazônia Mato-Grossense, que se uniram desde o ano passado.

Para Tatiana e Juliana, o projeto é a concretização de um trabalho árduo que se iniciou há mais de 20 anos na Faculdade de Artes do Paraná. O curso de teatro não foi concluído, porque não as interessava a parte pedagógica. Foi ali, no entanto, que elas se conheceram e tiveram a primeira vivência de grupo de teatro com As Bacantes.

De lá seguiram para Minas Gerais e encontraram a formação que tanto queriam: direção teatral. Tatiana e Juliana integraram a primeira turma do curso na Universidade Federal de Ouro Preto (UFPO) e também montaram a primeira peça – chamada Primeira Pele ‒ do grupo Cia. Pessoal de Teatro. Além das duas, a cantora Karla Izidro era a terceira integrante da iniciativa.

O nome da companhia foi escolhido como representação da linha de pesquisa que elas seguem até hoje: partir do micro para o macro. “Essa busca do indivíduo como princípio de uma grande história”, explica Juliana.

Concluída a graduação, enquanto Karla permaneceu na cidade histórica mineira Tatiana e Juliana decidiram mudar para Cuiabá. Como Juliana já era da capital mato-grossense, elas acharam que poderiam fazer alguma diferença em uma cidade onde a formação e as possibilidades na área ainda eram (e são) escassas. “Cuiabá não tem curso de teatro até hoje, estamos batalhando para conseguir, mas não tem. Não tem graduação em artes cênicas. Nada. A gente estava a fim de trabalhar em um lugar e realmente construir alguma coisa”, explica.

Foi esse mesmo ideal que as impulsionou a começar o Núcleo de Pesquisas Teatrais. “Os grupos de teatro que existem lá são bastante interessantes, mas cada um com seu trabalho. E a gente queria fomentar um estudo mais eficiente das artes cênicas, uma troca entre esses grupos”, explica Juliana. Tatiana acrescenta que a ideia era criar um movimento de teatro para fortalecer o segmento no estado e uma força política que possa exigir melhorias, como a construção de um teatro municipal em Cuiabá.

A primeira edição do evento criado pelo núcleo de pesquisa aconteceu em 2009. Elas começaram convidando amigos, artistas, professores e pesquisadores que conheceram em Minas Gerais e em outros locais Brasil afora para ir até lá e compartilhar seus conhecimentos e suas experiências por meio de palestras e oficinas.

Em 2012, depois de uma residência artística no Odin Teatret, na Dinamarca, referência do teatro contemporâneo mundial, elas resolveram ousar e chamar artistas da companhia internacional para participar do núcleo. O que parecia impossível deu muito certo. O núcleo contou com a presença do ator e músico Jan Feslev e da atriz, professora e escritora Roberta Carreri. E, a partir daí, esse tipo de ação passou a se chamar Encontros Possíveis.

Durante todo esse tempo, elas continuaram com a criação e apresentação de espetáculos à frente da Cia. Pessoal de Teatro. Atualmente, além delas, Daniela Leite também integra o grupo: “A gente batalha para conquistar espaços e dar visibilidade ao teatro mato-grossense”, finaliza Juliana.

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