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Rumos 2013 – 2014: Artistas da animação

11 de setembro de 2014

obra: Tango
selecionados: Francisco Gusso e Pedro Giongo

Francisco Gusso e Pedro Giongo se conheceram por meio da música. Mais tarde, encontraram-se na faculdade de programação visual. O interesse pela arte e as afinidades foram crescendo e resultaram na criação do Tijucas, estúdio de animação e design gráfico. Agora, eles se preparam para desenvolver o segundo curta de animação da dupla, Tango, com apoio do Rumos.

“Nós nos conhecemos aos 16 anos; gostávamos de música e tínhamos bandas. Fazer faculdade juntos foi uma coincidência”, relembra Pedro. Ele e Francisco cursaram desenho industrial com ênfase em programação visual na PUCPR, em Curitiba.

“Com o passar do tempo, na faculdade, o interesse pela arte foi crescendo, éramos um grupo de amigos bem unidos e bem inspirados e trocávamos muitas referências. Também tivemos importantes vivências artísticas em Curitiba com uma série de pessoas”, relata Pedro.

Ambos foram se apaixonando por movimentos de vanguarda, como o surrealismo e a videoarte. O envolvimento artístico foi tão grande que Pedro já não conseguia sequer conceber outra forma de viver.

Em 2008, quando concluíram a faculdade, resolveram criar o Tijucas, ao lado de mais dois amigos, Bruno Silvério e Guilherme Lepca, que acabaram por seguir outros caminhos. “Depois, eu fui estudar cinema e o Francisco começou a faculdade de artes visuais. Aí o design foi ficando para trás, ou melhor, foi se unindo a todas as outras coisas”, acrescenta Pedro.

Em 2009, a dupla iniciou o projeto do primeiro curta de animação do Tijucas, Parque Pesadelo, em parceria com a Grafo Audiovisual (também parceira em Tango). “Passamos praticamente os últimos dois anos mergulhados nele e agora estamos na fase final de edição”, revela Francisco.

A técnica utilizada nesse filme é praticamente a mesma que eles pretendem usar em Tango: animação 2D, um stop motion com bonecos de papel articulado.

O novo projeto, porém, é mais autoral. “A linguagem provavelmente vai mudar, porque estamos trabalhando pela primeira vez em cima de um roteiro 100% nosso, o que nos dá liberdade total de criação, além de a temática do filme ter se tornado mais séria”, acrescenta Francisco.

Tango contará a história de Zeferino, um menino de 15 anos que passa a fazer grande sucesso graças a um talento incomum. No entanto, ele tem a sua habilidade explorada por um aventureiro e conhece “a efemeridade e o descaso que a própria fama contém”. O enredo é uma livre adaptação do conto “Um Artista da Fome”, de Franz Kafka, que fala sobre o sucesso e o declínio de um jejuador profissional.

Francisco e Pedro reconheceram nas dificuldades do protagonista de Kafka as suas próprias aflições e dilemas artísticos. O filme surge justamente como uma forma de colocar para fora toda essa angústia. “Fazíamos tudo no limite criativo e artístico, sempre dando o nosso máximo, e o dinheiro era muito pouco. Sofremos com isso por um bom tempo. As pessoas querem tudo do artista. Elas querem o sangue e a alma do artista impressos em seus trabalhos, e depois, no final das contas, tudo é descartável. É um pouco amargo isso, mas o trabalho também serve um pouco como exorcismo”, sublinha Pedro.

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