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Rumos 2013-2014: Em Manaus, um casarão para todas as artes e ideias

14 de agosto de 2014

obra: Casarão de Ideias
selecionado: João Fernandes (Casarão de Ideias)

João Fernandes é cearense de Crateús, mas mora há 11 anos em Manaus. O motivo da mudança? “Eu vim casar”, conta. Na bagagem, o novo morador já trazia a formação em artes dramáticas e a vontade de ampliar os conhecimentos artísticos e produzir cultura. E assim ele idealizou o Casarão de Ideias, um espaço no centro histórico da capital do Amazonas que abriga e promove projetos nas mais diferentes áreas, como teatro, dança e literatura.

A história do Casarão se confunde com a da Cia. de Ideias, grupo fundado por João em 2005 e que apresentou seu primeiro espetáculo no ano seguinte. A peça era Uma Branca Sombra Pálida, adaptação do conto de Lygia Fagundes Telles.

Foram seis anos de atuação mambembe, em que João e os outros integrantes tinham de se virar para arrumar lugares em que pudessem ensaiar e desenvolver os novos espetáculos da trupe. “Comecei a perceber a necessidade de uma sede. Muitas vezes, os dias e os horários em que a gente podia ensaiar não casavam com a disponibilidade dos teatros e dos palcos das apresentações”, explica.

Além de teatro, a companhia realizou, em 2010, o festival Mova-se, de dança contemporânea. Era mais um motivo para ter uma sede própria. “Aquilo me deixava inquieto. Nós não tínhamos um espaço para receber os artistas participantes do festival, para ensaiar, promover palestras, debates”, relata.

Em 2011, na Rua Monsenhor Coutinho, 274, o sonho foi realizado. Nascia ali o Casarão de Ideias. E o que era para ser, em princípio, apenas sede da Cia. de Ideias logo se tornou um espaço cultural de Manaus, abrigando outras atividades e grupos. “Quando inauguramos, tivemos uma chuva de pedidos de outros grupos, que queriam ensaiar, expor trabalhos no local, promover debates”, conta João.

É para atender a essa nova demanda que o Casarão de Ideias recebe o subtítulo de Um Lugar para Todas as Artes. São 40 metros quadrados de área construída, que contemplam uma sala principal com espaço para exibição de filmes, realização de oficinas e ensaios, um café e um acervo bibliográfico com 4 mil livros, disponíveis para toda a população. Há, ainda, um porão que é utilizado para a apresentação de espetáculos menores (30 pessoas) e para a exposição de trabalhos fotográficos, entre outras atividades.

Ideias editadas

Além de ceder o espaço para grupos e atividades diversas, o Casarão de Ideias promove seus próprios projetos, como o Mova-se (vídeo abaixo), que caminha para sua quinta edição, são realizados outros eventos e projetos, como o Cênicas Autorais, Lugares que o Dia Não Me Deixa Ver e a Revista Ideias Editadas.

 

O Cênicas Autorais discute a produção, a publicação e a distribuição literária. Na primeira edição, oito autores participaram dos encontros. Segundo João Fernandes, a ideia é não apenas incentivar novos trabalhos e escritores, mas também possibilitar o acesso do público local a obras que acabam restritas aos grandes centros. “Não conseguimos comprar livros [de arte, dança, teatro] aqui. O Cênicas é um meio para estimular esse mercado que a gente sabe que existe”, pontua.

 

Já o projeto Lugares que o Dia Não Me Deixa Ver visa chamar a atenção dos moradores de Manaus para locais do centro histórico que estão abandonados. Nesses pontos, são realizadas intervenções artísticas, como é possível conferir no vídeo abaixo.

 

Por fim, a Revista Ideias Editadas nasceu em 2011, da necessidade de registrar as atividades culturais de Manaus e também de resgatar o que já foi feito na capital do Amazonas. “Nós tivemos a ideia de lançar uma publicação que seria meio que um mapeamento do que estava acontecendo, de sair desse lugar invisível. Nós não tínhamos registro das ações artísticas desde a década de 1990”, sublinha João.

A revista é trimestral e possui tiragem de 2 mil exemplares, distribuídos gratuitamente a hotéis, restaurantes e espaços culturais de Manaus e também enviados a instituições de outras cidades brasileiras. Os textos são escritos, em sua maioria, pelos próprios artistas. “A ideia é como o artista se vê e como ele quer ser visto”, explica João.

É para manter a realização dessas quatro atividades que o Casarão foi selecionado pelo projeto Rumos.

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